Capítulo 1 Renascimento
(É a primeira vez que escrevo um romance desse gênero, então peço compreensão. Quanto àqueles que gostam de atacar homens ou mulheres, por favor, afastem-se ~ Praticamente cada arco será adaptado de eventos reais, sempre alinhado com as notícias atuais. Coisas importantes devo repetir três vezes: público feminino, público feminino, público feminino ~ Romance, romance ~ Sem protagonista masculino ~ Sem protagonista masculino ~ Aqueles leitores que procuram aquela experiência típica de obras masculinas, afastem-se ~)
Um estalo soou alto, ressoando no rosto de Qin Shu.
Seu rosto ardia em dor, e um zumbido agudo preencheu seus ouvidos. Diante do semblante frio e irado de sua mãe, Qin Shu sentiu-se atordoada.
Ela havia renascido?
Renasceu justamente no dia de seu décimo oitavo aniversário. Olhou o relógio pendurado no salão: onze horas da noite em ponto.
Faltava apenas uma hora para adentrar o Mundo Sinistro.
Três anos antes, o Mundo Sinistro invadira o planeta. Todos os cidadãos que completavam dezoito anos eram obrigados a serem transportados para esse mundo e iniciar o Jogo Sinistro. Somente cumprindo as missões e sobrevivendo, poderiam retornar à realidade.
Recordou-se de sua vida passada, da dor lancinante de ser despedaçada pelas criaturas, a sensação gélida e cortante que se espalhou pelo corpo.
— Qin Shu, será que em nossa família te faltou alimento, ou te faltou bebida? Era só uma pulseira velha, precisava mesmo disputar com Zhenzhen por isso? — a voz acusatória da mãe devolveu-lhe ao presente.
— Mamãe, não culpe Shu, fui eu quem gostou demais da pulseira e acabei colocando-a no pulso. Ela é sua filha de verdade, eu fui quem tomou o lugar dela e aproveitei os pais biológicos dela por dezoito anos. Posso devolver a pulseira — disse Qin Zhenzhen, ao lado da mãe, os olhos vermelhos e cheios de lágrimas, frágil como uma flor machucada.
Qin Shu não conteve um sorriso irônico.
— Está rindo do quê? — a mãe perguntou, com voz dura. — Se você tivesse metade do juízo de Zhenzhen, eu jamais precisaria levantar a mão para você. No fim, não foi criada ao meu lado, não aprendeu a ser gente.
— E por que não aprendi, senão porque vocês só me deram a vida, mas não cuidaram de mim? — Qin Shu respirou fundo e lançou um olhar de escárnio à Qin Zhenzhen, que usava um vestido de alta costura e mantinha o ar de princesinha da família.
— Hoje a festa de aniversário é para nós duas. Ela está com uma roupa que vale milhões, e eu, com uma peça de vinte reais da feira. Uma diferença tão gritante que, quem não for cego, percebe logo... Que para vocês, eu, a verdadeira filha, não sou tão importante quanto essa impostora.
— É essa a justiça que tanto proclamam? Se não me querem de volta, por que fingir e dizer palavras tão repulsivas? —
Bastaram algumas frases, mas o peso das revelações era enorme.
Os convidados da festa, todos pessoas influentes da província, não puderam deixar de se espantar com o tratamento desigual.
Na vida passada, por se importar demais com essa família, Qin Shu aguentou tudo e permitiu que sugassem sua vida.
Recém saída do Mundo Sinistro, mal sobrevivera, e já tinham tomado os itens que conquistara para agradar Qin Zhenzhen.
No último desafio, sem nenhuma ferramenta de sobrevivência, fora empurrada por Qin Zhenzhen para ser despedaçada pela criatura.
— Você... você... — a mãe levou a mão ao peito, como se fosse desmaiar de indignação. Não esperava ser acusada de preferência diante de todos.
— Irmã, como pode falar assim com a mamãe? Ela só estava ocupada e esqueceu por um instante... — antes que terminasse, Qin Zhenzhen foi interrompida por um tapa certeiro.
Qin Zhenzhen segurou o rosto inchado, a marca da mão visível na pele.
— Estou falando com minha família. Quem disse que você pode se meter? — Qin Shu apertou o punho. Aquele tapa era só o começo; tudo que Qin Zhenzhen lhe devia, cobraria pouco a pouco.
— Irmã, por que fala assim? Se não quer que eu fique, eu posso ir embora... — Qin Zhenzhen chorava desconsolada, o rosto machucado.
— Não, Zhenzhen, você não pode ir. Se alguém tem que sair, é ela — exclamou a mãe, esquecendo-se de qualquer culpa por ter sido confrontada.
Cheia de zelo, examina o rosto de Zhenzhen e lança um olhar furioso a Qin Shu:
— Era só uma pulseira, precisava mesmo bater nela? Sobre o vestido, foi descuido meu; antes só havia Zhenzhen em casa, por que não pode compreender sua mãe?
Qin Shu observou a mãe, que a acusava de ser insensata, com frieza. Mesmo revivendo tudo, o favoritismo absoluto da mãe por Zhenzhen e o olhar hostil continuavam a feri-la.
Pela visão periférica, notou o relógio: onze e meia.
Não havia tempo para discussões. Rapidamente agarrou o pulso de Qin Zhenzhen e arrancou a pulseira de volta.
— Qin Shu, o que está fazendo? — Zhenzhen tentou reagir, mas foi impedida pela mãe:
— Zhenzhen, é só uma pulseira velha. Quando você voltar do Mundo Sinistro, compro várias para você.
Qin Shu lançou-lhes um olhar frio, não se detendo, e subiu apressada para seu quarto.
No segundo andar, cruzou com Qin Nan e Gu Beichen, que vinham avisar Zhenzhen sobre a entrada iminente no Mundo Sinistro.
— Qin Shu, você não tem modos? Hoje estão aqui pessoas importantes. Não faça nossa família passar vergonha. —
Qin Shu ignorou e saiu, revirando os olhos.
Qin Nan olhou sombriamente para o vulto que partia. Conferiu as horas: era urgente, Zhenzhen estava prestes a entrar no Mundo Sinistro.
— Vamos logo. É a primeira vez de Zhenzhen, temos de ser cuidadosos. Ela não pode correr perigo — disse Gu Beichen, impassível ao seu lado.
Só se importava com Qin Zhenzhen; quanto a Qin Shu, preferia que morresse no Mundo Sinistro.
Para garantir a segurança de Zhenzhen, investira fortunas contratando vários Escolhidos de nível B para protegê-la.
Olhando para o andar de cima, Zhenzhen sentiu que algo importante lhe escapava.
— Zhenzhen, não fique parada. Vamos colocar os equipamentos especiais, assim garantimos que entraremos no mesmo desafio — Gu Beichen colocou delicadamente o capacete nela, pedindo que não tivesse medo.
Zhenzhen olhou o relógio: onze e cinquenta e cinco. Só depois da missão buscaria recuperar a pulseira de Qin Shu.
Qin Shu, é melhor que volte viva.
No quarto, Qin Shu trancou a porta e, ansiosa, colocou a pulseira — a única lembrança deixada por sua mãe adotiva.
Naquele dia, Zhenzhen a pegara às escondidas e, durante a festa, foi descoberta, gerando a discussão.
Na vida anterior, devido ao favoritismo da mãe, não conseguiu recuperar a pulseira, que nos dias seguintes salvou a vida de Zhenzhen várias vezes.
Desta vez, tomou o que era seu por direito.
O olhar de Zhenzhen deixava claro que sabia haver algo especial naquela pulseira; por que mais iria tomá-la sem motivo?
Nada nela era elegante — pelo contrário, estava até meio quebrada.
Ainda assim, Qin Shu estava curiosa sobre seus poderes. E se Zhenzhen tentasse tomá-la de novo no futuro?
Seria ótimo se a pulseira pudesse se esconder sozinha.
Mal pensou nisso, e ela sumiu de seu pulso.
Antes que pudesse reagir, sentiu o corpo e a alma sendo separados numa vertigem.
Bem-vinda ao Mundo Sinistro.