Capítulo 3: O Encontro dos Inimigos
— Humanos tolos, você ousa me bater, eu vou devorar você.
Ao despertar sua habilidade inata, Qin Shu não temia criaturas demoníacas de nível inferior. Diante da cabeça que mais uma vez escancarava a bocarra sangrenta, ela não hesitou; a vassoura em sua mão voltou a entrar em ação, e com uma série de golpes, fez a cabeça ricochetear pelo pequeno espaço do banheiro dezenas de vezes.
Depois de largar a vassoura, desta vez Qin Shu usou as próprias mãos, segurou-o pelos cabelos e mergulhou a cabeça repetidas vezes na pia.
Ao levantar o olhar, viu no espelho um rosto pálido surgindo timidamente, que logo se encolheu novamente, assustadíssimo.
Muito bem, agora as duas criaturas estavam devidamente domadas.
— Ainda querem apostar?
— Não, não queremos — a cabeça demoníaca balançava-se em pânico. Aquela humana era assustadora.
Quase matou o demônio de susto.
— De agora em diante, este lugar é minha responsabilidade. Vocês sabem o que devem fazer, não é? — Qin Shu apontava para o chão coberto de sangue, as paredes, o vaso sanitário e os pedaços de carne na pia.
A cabeça balançava repetidamente, como um chocalho: — Sabemos, sabemos. Deixamos tudo por nossa conta.
Só então Qin Shu soltou o cabelo do demônio, pegou os materiais de limpeza do canto e ordenou que as duas criaturas limpassem tudo.
Enquanto isso, pensava nas demais regras.
— É melhor não tentarem ser espertos. Se eu não passar na avaliação do supervisor, juro que vocês não sairão impunes.
Seja no mundo dos horrores ou no mundo real, quem manda é sempre o mais forte. Ou você tem dinheiro, ou tem poder, caso contrário… é difícil sobreviver.
E no mundo dos demônios, é ainda mais simples: basta exibir força e eles não ousam provocar você.
— Por que estavam causando confusão no banheiro? O supervisor mandou vocês me atrapalharem? — perguntou Qin Shu.
— Por que não poderíamos ficar no banheiro?
As duas criaturas pareciam confusas, sem entender o que ela queria dizer.
Qin Shu franziu o cenho: — Então não foram enviadas pelo supervisor para me atrapalhar?
— Esse supervisor que você fala é aquele gorducho, que vive se escondendo com funcionárias no banheiro? — perguntou, intrigada, a criatura cujo corpo restava apenas a cabeça.
Que revelação, pensou Qin Shu.
Ela assentiu: — Deve ser ele, sim.
O fantasma do espelho, com o rosto lívido, encolheu-se: — Desde que temos consciência, só podemos ficar no banheiro.
— Além do supervisor, já viram o dono? — Qin Shu lembrou da terceira regra.
Regra três: A Pousada da Lua Sangrenta não tem dono; se houver… disque 444-44444 imediatamente.
— Dono? — As duas criaturas pareciam mergulhadas em lembranças distantes e, de repente, sua carne começou a apodrecer aos poucos; tornaram-se violentas e ferozes.
— Vocês sujaram meu chão — Qin Shu disse friamente, batendo em cada uma com a vassoura.
Ambas se encolheram imediatamente e se apressaram em limpar os pedaços de carne e as larvas espalhadas.
Definitivamente, aquelas duas tinham alguma ligação com o dono da Lua Sangrenta, caso contrário, não teriam mudado de comportamento ao ouvir aquela palavra.
Qin Shu fez mais algumas perguntas, mas elas nada sabiam.
Ela precisava saber as horas, mas não encontrou nada que indicasse o tempo em todo o banheiro.
Talvez pudesse dar um jeito de sair e verificar.
Regra um: Lembre-se do seu papel — você é funcionária da Lua Sangrenta, responsável pela limpeza do banheiro; se necessário, pode ajudar em outros setores, especialmente na cozinha.
Regra quatro: Como funcionária da limpeza, você pode circular livremente pelo salão principal.
Com essas regras, Qin Shu já tinha algumas hipóteses.
Deixando o banheiro, encontrou um pequeno depósito na esquina, onde estavam alguns uniformes.
Pegou um e vestiu sobre o seu uniforme original.
Depois, advertiu as duas criaturas: — Limpem bem tudo aqui. Vou sair para dar uma olhada. Se der sorte, talvez traga algo gostoso para vocês.
As duas criaturas olharam para ela com brilho nos olhos e começaram a esfregar o chão com ainda mais afinco.
Vestida como garçonete, Qin Shu caminhou confiante até o salão principal, que se dividia em três andares. No térreo, alguns clientes já estavam sentados.
O segundo andar era reservado para salas privadas; o terceiro, refeitório dos funcionários, aberto só às seis da tarde.
Na porta da Pousada da Lua Sangrenta, dois funcionários com uniforme igual ao dela estavam de guarda. No balcão, um relógio de pêndulo marcava uma hora da tarde.
No balcão, uma gralha negra observava atentamente as criaturas demoníacas que almoçavam no salão.
— Você é a nova responsável por qual mesa? — Uma voz gélida soou repentinamente atrás da orelha de Qin Shu, fazendo seus pelos se eriçarem.
Ela se virou e viu um homem vestido como supervisor, o rosto lívido e um sorriso sinistro, os olhos cravados nela.
Aguardava sua resposta, como se uma palavra errada bastasse para ele escancarar a boca e devorá-la.
— Eu vi agora há pouco uma sombra suspeita indo para a cozinha — Qin Shu franziu o cenho, apontando para o corredor dos fundos e desviando-se da pergunta. — Ia seguir, mas desapareceu.
O supervisor mudou de expressão, fitando-a intensamente, como se quisesse confirmar algo.
— Tem certeza?
Qin Shu assentiu decidida: — Tinha uma verruga preta no rosto, bem aqui — disse, apontando o canto do próprio olho.
O supervisor foi se tornando cada vez mais sinistro, uma aura macabra emanando de seu corpo sem parar.
— É melhor não estar mentindo, ou… eu vou te picar em pedaços para fazer pãezinhos recheados.
Dizendo isso, ele se afastou em direção à cozinha.
Qin Shu respirou aliviada. Ainda bem que foi precavida. Parecia que aquela sombra era a chave para passar de fase.
No salão, ela viu um fantasma de um olho só dizer algo e arrancar o olho de um garçom, mastigando-o.
O garçom soltou um grito, cobriu o olho ensanguentado e saiu apressado para a cozinha.
Então, garçons podiam ir até a cozinha.
Só ela, funcionária da limpeza, não podia sair do banheiro.
O relógio já marcava três horas. Ainda havia tempo; talvez conseguisse dar uma olhada na cozinha.
Ao caminhar para a cozinha, a gralha no balcão virou o corpo duro, os olhos antes verdes agora brilhando com uma luz estranha.
Qin Shu parou, virou-se e não notou nada de anormal.
— Estranho, por que senti que havia olhos frios me observando há pouco?
A estrutura da cozinha era simples: área de preparo, de lavagem e de cocção.
— Meu cliente pediu um coração; você me trouxe uma mão! — Uma figura alta discutia com o cozinheiro feroz junto à janela de entrega.
Aquela voz era inconfundível. Qin Shu reconheceu imediatamente.
Era o noivo de Qin Zhenzhen, Gu Beichen.