Capítulo 25: Minha irmã joga futebol comigo

A verdadeira herdeira perdeu o controle no jogo de terror Rabanete salgado ao vapor 1858 palavras 2026-02-09 13:54:08

No momento em que Qin Shu se encontrava mergulhada em dúvidas, o ônibus número 44 chegou. Ela não se atreveu a pensar mais, subiu rapidamente, pegou quatro moedas do além e as depositou na caixa de pagamento. Assim que entrou, pôde sentir, quase de imediato, o olhar penetrante de todos os passageiros fixando-se nela. O arrepio que percorreu seu corpo fez com que todos os pelos se eriçassem.

A motorista, uma mulher, mantinha-se o tempo todo com os olhos voltados para a estrada, vestia um vestido branco, sua pele tinha um tom arroxeado e seus cabelos molhados pingavam água incessantemente. Sob o banco dela, uma poça se formava, escorrendo dos pés da motorista até sair do veículo.

Em apenas três segundos, antes que a motorista virasse para encarar Qin Shu, ela se virou para observar o interior do ônibus. Havia onze pessoas ao todo, quase todas com rostos pálidos, cabelos molhados, roupas encharcadas, e sob seus pés formava-se uma poça de água. Entre eles, apenas duas pessoas pareciam normais; ao verem Qin Shu, assentiram discretamente. Sem dúvida, eram seus colegas de equipe nesta jornada.

Antes que as portas do ônibus se fechassem, Qin Shu sentou-se ao lado de um deles; do outro lado, um homem observava-a de relance. Quando Qin Shu se acomodou, uma mulher atrás dela aproximou-se e sussurrou em seu ouvido:

— Olá, meu nome é Deng Mengyu.

Qin Shu não se virou, apenas arqueou levemente as sobrancelhas. Baixou os olhos, pensou por um instante e respondeu:

— Fan Tiantian.

— Fan? Fan Tiantian?

O homem ao lado deixou transparecer um leve espanto em sua expressão. Qin Shu franziu a testa instintivamente; pelo tom de voz dele, conhecia Fan Tiantian?

Muito bem, as histórias macabras sabiam como fazer as combinações certas.

O ônibus começou a se mover.

Só então Qin Shu voltou sua atenção para o veículo; à sua frente estava a motorista.

Regra sete: não olhe pela janela por mais de três segundos.

Mas como observar a motorista pelo retrovisor? Qin Shu pensou, mas não teve coragem de tentar. Voltou-se para o mapa de trajetos: ela havia embarcado na terceira parada, Colégio Lua Sangrenta. O destino era Vila da Felicidade, o que significava que ainda faltavam seis paradas para chegar lá. O relógio do ônibus marcava dez da manhã; além dessas informações, não encontrou mais nada relevante. Das regras encontradas em seu bolso, eram onze ao todo. Pela experiência, sabia que deveria haver outras regras escondidas no ônibus.

Sentada, começou a procurar por novas regras. Seus movimentos despertaram a curiosidade de Deng Mengyu, que lhe sussurrou um alerta:

Regra dois: não importa o que aconteça no ônibus, nunca olhe, e jamais abandone seu assento.

O homem ao lado parecia captar a intenção de Qin Shu; olhou para ela com surpresa e imitou seus gestos: contanto que o quadril não se desprenda do banco, não é considerado abandonar o assento.

Qin Shu tateou sob o banco e rapidamente encontrou um pacote de absorventes. Ela ficou perplexa.

Essa regra estava bem escondida...

O homem ao lado também segurava um pacote de absorventes, o rosto ruborizado. Deng Mengyu, vendo-os encontrar os pacotes, imitou o gesto e também encontrou um igual.

Sem pensar muito, Qin Shu abriu o pacote e dele caiu um bilhete. Ao pegar e ler, deparou-se com um novo conjunto de regras:

Regra doze: como um cidadão exemplar, respeite os idosos e as crianças, ceda lugar a gestantes e pessoas idosas.

Regra treze: antes de encontrar seu assento, observe bem quem está sentado ao seu lado.

Regra catorze: se ouvir alguém chamar seu nome atrás de você, responda com naturalidade; ela só quer conversar.

Regra quinze: quando escurecer, feche os olhos.

Regra dezesseis: o ônibus deve chegar ao terminal às três da madrugada.

Em poucas linhas, estavam ocultas várias informações cruciais. Havia um claro conflito entre a regra dois e a regra doze. Portanto, não era proibido abandonar o assento, mas apenas em certos momentos.

Quando os três receberam as novas regras, o ônibus já tinha chegado à quarta parada: Restaurante Lua Sangrenta. Reconhecendo o nome, Qin Shu ficou surpresa, mas logo se acalmou. No mundo do estranho, tudo era normal; não podia demonstrar susto. Aquele lugar pertencia a um mundo próprio.

A porta do ônibus se abriu, e entraram um idoso e uma criança de cinco anos. O sorriso da criança era inquietante, a boca parecia costurada por algo invisível. O idoso trazia um gato preto nos braços, cujos olhos eram de um verde profundo.

Qin Shu se arrependeu de ter sentado tão à frente, pois não conseguia ver se alguém havia descido atrás. Assim que entrou, o idoso observou todos ao redor, até parar diante do homem e fitá-lo com um olhar sombrio. O rosto do homem estava pálido; ele era mais azarado que Qin Shu, pois ao entrar na réplica, já estava sentado naquele lugar, justamente reservado para idosos e pessoas vulneráveis.

Com dificuldade, levantou-se sem dizer uma palavra e procurou outro assento vazio no ônibus. Não se sabia se era mesmo falta de sorte, mas ao lado já estava sentado um ser estranho.