Capítulo 5 Regras do Refeitório

A verdadeira herdeira perdeu o controle no jogo de terror Rabanete salgado ao vapor 2652 palavras 2026-02-09 13:52:46

Ele originalmente esperava por uma refeição farta, mas depois de dar uma volta, não viu o resultado que aguardava. Qin Shu, seguindo as normas, manteve o banheiro sempre limpo e organizado, sem jamais violar as regras. Assim, limitado pelas próprias regras, ele não podia fazer nada contra ela.

— Supervisora, e então? Está satisfeita com minha tarefa de hoje? — Qin Shu sorriu docemente ao encarar o rosto sombrio e feroz da supervisora.

— Hum, bom trabalho. Novata, você está aprovada. Aqui está a chave do seu dormitório. — Sem expressão, ela tirou uma chave e entregou a Qin Shu.

Qin Shu pegou a chave como esperava e observou a supervisora se afastar. Enquanto via a silhueta dela desaparecer, as duas entidades do banheiro finalmente saíram de seus esconderijos.

— Por que vocês se esconderam agora há pouco? — perguntou Qin Shu, arqueando as sobrancelhas.

— Nós... também não sabemos. Só de vê-la, nos trememos todos e ficamos apavorados — respondeu o espectro do espelho, sua voz dilacerante ecoando no banheiro vazio, como se uma lâmina rasgasse a superfície do vidro.

Os olhos de Qin Shu brilharam por um instante. Fitou as duas entidades por um tempo antes de dizer:

— Vou até o refeitório ver se consigo trazer algo gostoso para vocês.

Qin Shu era uma pessoa leal. Diante das duas criaturas que tanto a ajudaram, não se importava de ser generosa. Afinal, dinheiro faz até fantasma trabalhar, e quem come da sua mão, pensa duas vezes antes de atacar. Pelo que via até o momento, os dois espectros ainda tinham muita utilidade.

No terceiro andar, além do refeitório dos funcionários, havia também os dormitórios. Qin Shu retirou a chave que a supervisora lhe dera, marcada com o número 444. Que número auspicioso, pensou, com um suspiro irônico.

Primeiro, foi ao refeitório, na esperança de conseguir algo para levar para os dois espectros. Ao entrar, já havia muitos fantasmas e jogadores lá dentro. O refeitório tinha apenas três balcões. Qin Shu se dirigiu a um deles, observando as regras afixadas acima.

Regulamento do Refeitório:

1. Todas as carnes servidas no refeitório são frescas. Os funcionários podem comer sem preocupação.
2. O horário de funcionamento é das 18h00 às 19h00. Fora desse horário, é proibido entrar.
3. Se notar pessoas agindo de forma suspeita, avise imediatamente o gerente.
4. Não há faxineiras no refeitório. Se vir uma, apenas ignore.
5. O refeitório abre apenas uma hora por dia. Se à noite ouvir outros sons vindos de lá, certamente é aquela pessoa que voltou. Não se assuste; contate imediatamente a supervisora.

Cinco regras ao todo. A segunda e a terceira eram quase idênticas às regras dos funcionários.

Portanto...

O Hotel da Lua Sangrenta tinha um gerente. Só que esse gerente era enigmático, raramente aparecia no hotel. Então, quem seria o verdadeiro dono do Hotel da Lua Sangrenta? Teria relação com alguma missão oculta?

Enquanto Qin Shu refletia, rapidamente chegou sua vez de se servir. Os pratos nos balcões eram os mais variados: rins salteados, corações ao molho, olhos apimentados. Havia também opções vegetarianas.

Qin Shu pediu um prato de legumes, dois ovos fritos, seis ovos cozidos e duas porções de rins salteados.

— Ha, que imprudente. Tem coragem de comer qualquer coisa — zombou Gu Beichen atrás dela, com um sorriso frio. — Achei que, depois de chegar até aqui, você teria um pouco mais de juízo.

Qin Shu revirou os olhos, ignorando-o. Procurou um lugar vazio, sentou-se e devorou os ovos fritos e os vegetais. Em seguida, empacotou as duas porções de rins e os ovos cozidos.

Os rins, claro, eram para os espectros. Os ovos cozidos ela guardaria para o café da manhã e almoço do dia seguinte.

— Qin Shu — chamou Gu Beichen, tentando barrá-la quando ela passava. Ele não gostava de ser ignorado, especialmente por ela.

— O que você quer? — Qin Shu perguntou, impaciente, encarando-o.

— Por ser filha do Tio Qin, posso te ajudar nesse desafio, mas, em troca, quero que me conte as pistas que descobriu.

Depois de um dia explorando o lugar, Gu Beichen inicialmente pensou que Qin Shu não conseguiria passar pela avaliação da supervisora. Surpreendeu-se ao vê-la chegar até ali.

Lembrou-se de que Qin Shu também esteve na cozinha e, incomodado com a indiferença dela, acabou bloqueando seu caminho sem pensar.

— Eu sei que você sempre odiou Zhenzhen por ter tomado o lugar que era seu. Era para você se casar comigo. Você sabe que, em nossas famílias, só há união entre os fortes. Se quiser se casar comigo, prove seu valor. Não adianta só implicar com Zhenzhen — ele disse, encarando-a como se fosse um favor. — Você gosta de mim, não é?

— Você só pode estar doente — Qin Shu franziu o cenho, segurando o enjoo, e o empurrou sem piedade.

Se tivesse uma faca, não hesitaria em usá-la. No momento, não tinha tempo para discutir. Faltava meia hora para as sete. Precisava entregar os rins aos espectros antes do horário limite.

Gu Beichen, indignado, percebeu que Qin Shu não estava voltando ao dormitório e a seguiu discretamente.

Qin Shu foi até o banheiro, entregou os rins aos espectros e só então seguiu para o dormitório 444. Assim que colocou a chave na fechadura, a porta se abriu.

Gu Beichen observou Qin Shu entrar e, lembrando-se do que vira no banheiro, seus olhos brilharam.

— Qin Shu, subestimei você. Que tipo de habilidade você tem para conseguir que dois espectros te ajudem?

Antes era uma suspeita, agora ele tinha certeza: Qin Shu tinha conseguido alguma pista importante na cozinha.

No dormitório, Qin Shu vasculhou tudo até encontrar, sob o travesseiro, o regulamento do quarto.

Regulamento do Dormitório:

1. Cada quarto comporta apenas três pessoas; há ainda uma quarta, que se esconde nas sombras e te observa. Não se assuste... ela não te fará mal.
2. Quando escurecer, feche os olhos. Não responda, por nada, a quem quer que te chame.
3. Durante a noite, seus colegas de quarto voltarão. Não feche portas ou janelas, ou eles ficarão irritados.
4. Jamais, sob qualquer circunstância, abra o guarda-roupa. Lembre-se!
5. O dormitório é antigo e, às vezes, pode vazar ferrugem. Não se preocupe, basta fechar e esperar alguns minutos para tudo voltar ao normal.
6. Se, de madrugada, seu colega de quarto te convidar para ir ao banheiro, um bom amigo nunca recusa. Vá junto.
7. Após a meia-noite, tranque a porta do quarto. Não há supervisão noturna. Não abra a porta para ninguém, não importa quem chame.
8. Depois da meia-noite, não saia do dormitório. Este é o único lugar seguro.
9. O Hotel da Lua Sangrenta abre às nove da manhã. Levante-se pontualmente às oito.

Nove regras, cada uma carregada de informações.

— Bam! — Enquanto Qin Shu ainda absorvia o conteúdo das regras, a porta se abriu novamente.

— Qin Shu?! — Yan Yingxue exclamou, feliz ao vê-la.

Qin Shu a observou, assim como as duas pessoas atrás dela. Uma delas era quem já lhe pregara peças antes, trancando-a no banheiro e jogando água gelada nela no meio do inverno, fazendo-a passar uma noite inteira congelando.

Que ironia do destino, pensou Qin Shu. Todos velhos conhecidos, todos agora funcionários, a julgar pelos uniformes. Depois de um dia tenso, os três pareciam exaustos.

Qin Shu, porém, mantinha o semblante sério, encarando os três com desconfiança.

Regra número um: Cada dormitório abriga apenas três pessoas; há ainda uma que, escondida nas sombras, observa você. Não se assuste... ela não te fará mal.