Capítulo 13: O Último Dia no Restaurante Lua Sangrenta

A verdadeira herdeira perdeu o controle no jogo de terror Rabanete salgado ao vapor 1873 palavras 2026-02-09 13:53:14

No entanto... tudo isso não tinha relação alguma com Qin Shu. Ela segurava nas mãos uma fotografia de família, onde apareciam cinco pessoas.

Entre elas, duas lhe eram familiares — eram as entidades que encontrou no banheiro. Havia ainda uma jovem de sorriso radiante, que provavelmente correspondia ao cadáver no guarda-roupa.

Também estava ali uma garotinha vestida com um vestido rosa de princesa, abraçando uma boneca.

Essa deveria ser a menina mencionada na regra oito do banheiro: “Não existem crianças no Hotel Lua Sangrenta. Se você encontrar alguém dizendo ser filha do dono, finja que não viu, ignore...”

Ela era real.

Mas... por razões desconhecidas, até o quarto dia, Qin Shu ainda não a tinha visto.

Havia ainda um homem alto e magro. Entretanto, a cabeça desse homem estava cortada da foto, restando apenas o corpo. Talvez... ele fosse o estranho que se infiltrou no Hotel Lua Sangrenta, ou talvez fosse o verdadeiro proprietário do local.

Qin Shu olhou demoradamente para o homem sem cabeça na foto, mas, sem conseguir chegar a conclusão alguma, decidiu guardar o retrato e se deitar para dormir.

Passos furtivos, gritos de pavor e batidas incessantes à porta ecoavam pelos corredores, aproximando-se cada vez mais.

Até que as batidas chegaram à porta do dormitório delas, e a sensação era de que, por trás da porta, havia alguém tomado por uma raiva tão intensa que todo o cômodo tremia.

“BAM. BAM.”

Naquela noite, o som das batidas era especialmente violento, como se a qualquer momento a porta fosse arrombada.

Fan Tian Tian, que dormia na cama de cima, tremia de medo. Qin Shu franzia a testa, ouvindo o som assustador do lado de fora, sem ousar emitir sequer um ruído.

As batidas persistiram por uma hora inteira, três vezes mais do que o habitual.

Parecia que o ser do lado de fora não queria desistir; soltou um rugido furioso, bateu com força na porta mais uma vez e, então, o silêncio se instalou.

Qin Shu acabou vencida pelo sono e adormeceu, exausta.

Na manhã seguinte, foi acordada pelo alarme.

Mal abrira os olhos quando ouviu um grito lancinante vindo do beliche de cima, onde dormia Yan Ying Xue.

“Ah!”

Ao acordar, Yan Ying Xue se deparou com o rosto de “Yang Yue” colado ao seu, e sentiu-se tão aterrorizada que quase desmaiou. Caiu pesadamente do beliche ao chão.

Logo em seguida, a “Yang Yue” que havia morrido e ressuscitado também desceu flutuando da cama, parando diante dela, fitando-a com um sorriso estranho.

“Você... você não estava morta?” Depois de uma noite inteira sem conseguir dormir, Yan Ying Xue, ao se deparar com “Yang Yue” ao acordar, quase enlouqueceu.

Qin Shu também ficou surpresa ao ver Yang Yue de volta.

Fan Tian Tian desceu às pressas; ela passara a noite com a cabeça coberta, sem saber que a “Yang Yue” diante de seus olhos havia morrido mais uma vez.

Mas... agora já era dia, e ainda assim vê-la era assustador.

Enquanto Yan Ying Xue estava pálida de pavor, Qin Shu nutria mais suspeitas do que medo.

Observando “Yang Yue”, que só parecia prestar atenção em Yan Ying Xue, Qin Shu se perguntava o que a colega teria feito para ser alvo de tamanha perseguição.

“Yang Yue” pareceu perceber o olhar de Qin Shu; seu sorriso tornou-se ainda mais estranho, e o olhar dirigido a Qin Shu ganhou um quê de pavor.

Qin Shu coçou o queixo, refletindo: aquele era o último dia.

A porta do dormitório estava prestes a ceder. Ao abri-la, notou inúmeras marcas de faca de todos os tamanhos e até a maçaneta estava destruída. Será que conseguiriam sobreviver a mais uma noite?

As outras também perceberam o estado precário da porta.

Especialmente Yan Ying Xue, que, vigiada por “Yang Yue”, desabou em lágrimas.

O único amuleto de proteção já fora usado na noite anterior.

Fan Tian Tian estava igualmente aterrorizada, lançando olhares suplicantes para Qin Shu, desejando pedir ajuda.

Qin Shu, porém, não lhes deu atenção; lavou-se rapidamente e desceu ao saguão.

Antes da chegada dos hóspedes, ela queria dar uma olhada no restaurante dos funcionários, no terceiro andar, e no saguão.

Fan Tian Tian percebeu que Qin Shu a ignorava, lembrando que o acordo entre ambas já havia sido cumprido. Pedir mais seria ultrapassar os limites de uma relação comum — afinal, nem amigas eram.

Qin Shu não tinha motivo algum para ajudá-la, e, além de um pouco de dinheiro, Fan Tian Tian não tinha nada a oferecer em troca.

Na última noite, todos lutavam para sobreviver por conta própria.

Ela só serviria de peso para Qin Shu; e, se estivesse no lugar da colega, também não aceitaria carregar um fardo.

Lançando um olhar para Yan Ying Xue, sendo perseguida por “Yang Yue”, concluiu: às vezes, as pessoas são ainda mais assustadoras do que as entidades.

Recompôs-se, decidida a se concentrar plenamente nas tarefas daquele dia.

Afinal, primeiro precisava sobreviver ao expediente; depois pensaria na noite.

Comparada à resignação de Fan Tian Tian, a situação de Yan Ying Xue era simplesmente deplorável.

Antes, “Yang Yue” só aparecia à noite. Agora, ela a seguia aonde quer que fosse, encarando-a com aquele sorriso macabro e olhar penetrante.

Yan Ying Xue se arrependia amargamente de ter, num momento de loucura, usado as regras para matar a verdadeira Yang Yue.

Dos poucos sobreviventes — eram uns quinze —, restavam agora apenas sete ou oito.

O ritmo das eliminações já se aproximava de um desafio de quatro estrelas.

Qin Shu foi primeiro à cozinha do terceiro andar, mas a encontrou trancada, impossível de abrir à força.

Assim, antes da abertura do hotel, desceu ao saguão do primeiro andar.

O relógio do saguão fazia tique-taque incessante, e as luzes estavam...