Capítulo 17: O Último Dia da Avaliação
Qin Shu apertou com força a faca de cozinha que segurava e desferiu um golpe contra a menina que avançava em sua direção.
A garota fitava fixamente a faca, e o rosto antes pálido foi adquirindo um tom arroxeado, escurecendo cada vez mais, até ficar negro como breu. Uma trilha de lágrimas sanguinolentas descia de seus olhos.
— Não adianta, já que você não quer ser devorada por mim, então fique aqui e brinque de esconde-esconde comigo para sempre...
Qin Shu olhou para a faca em sua mão, percebendo o evidente receio da menina diante dela.
Embora tivesse salvado a própria vida por ora, ficaria presa para sempre naquele espaço.
A pequenina criatura se ocultava em algum canto, observando-a furtivamente.
Qin Shu acelerou o raciocínio, tentando lembrar-se de alguma regra que pudesse ter esquecido.
Regra número sete: Não há crianças no Hotel da Lua Sangrenta; se encontrar alguém dizendo ser filha do dono, finja que não viu, ignore...
Filha do dono?
Qin Shu tirou a foto de família, conferindo cada pessoa ali retratada. Havia também um contrato de transferência em sua mão.
Huang Fuguai, Chen Bing?
Seus lábios se curvaram levemente, e ela olhou para um canto do quarto.
Em seguida, abriu o último cômodo que ainda não havia investigado. No interior, havia um beliche.
O ambiente era predominantemente rosa, pequeno, com uma mesa onde repousavam alguns livros e um guarda-roupa.
Ao adentrar o quarto, Qin Shu sentiu aumentar a sensação de estar sendo observada — o olhar daquela presença se tornava cada vez mais intenso. Se não estivesse armada com a faca, provavelmente aquela criatura oculta já teria saltado para devorá-la.
Então... do que ela tinha medo?
Vasculhou todo o cômodo, sem encontrar o que buscava, e por fim concentrou a atenção no guarda-roupa.
No instante em que estendeu a mão, sentiu aquele olhar em suas costas explodir em energia sinistra.
Qin Shu sorriu, confiante na vitória.
— Criatura, achei você.
Assim que abriu o guarda-roupa, o olhar carregado de ódio em suas costas não desapareceu.
Qin Shu foi ágil: no exato momento em que escancarou o guarda-roupa, desferiu um golpe para trás.
A faca acertou em cheio a testa da criatura, penetrando até a base do cenho e rachando sua cabeça ao meio.
— Ah!
Um grito lancinante reverberou sem cessar.
Junto ao brado, uma onda de poluição mental inundou o ambiente.
O bracelete no pulso de Qin Shu brilhou intensamente, irradiando uma luz ofuscante que reprimiu a energia sinistra ao seu redor.
A criatura, tomada pelo pânico, recuou várias vezes.
Qin Shu respirou aliviada. Sua intuição estava certa: o bracelete purificava a corrupção sobrenatural.
No guarda-roupa pendiam algumas roupas: uniformes escolares de uma jovem, com o brasão do Colégio Lua Vermelha, e alguns vestidos.
Ao abrir a outra porta, deparou-se com roupas de uma garotinha de sete ou oito anos. No fundo do guarda-roupa, uma boneca estava encolhida num canto.
Qin Shu agarrou o pescoço da boneca, que soltou uma risada estridente.
— Criaturinha, achei você.
— Ainda quer brincar de esconde-esconde? — apertou mais o brinquedo.
A criatura, agora desaparecida, estava encolhida no guarda-roupa, segurando o próprio pescoço e soltando gritos horripilantes.
— Uuuuuh... — ela choramingava sem parar.
Qin Shu suspirou, resignada, e mostrou-lhe a foto de família.
No rosto da criatura, manchas azuladas se espalhavam visivelmente, e a energia sinistra se propagava cada vez mais.
Quer sair daqui?
Se Qin Shu estava certa, aquela criatura estava para sempre presa naquele espaço, por isso tentava arrastá-la para sua prisão.
A criatura a olhou fixamente, movendo o pescoço de maneira rígida, os olhos tomados de dúvida.
— Quer encontrar seu papai e sua mamãe? E... sua irmã?
Qin Shu mostrou a foto de família e jogou sobre ela a cabeça que trouxera da cozinha.
Ao ver a cabeça lançada por Qin Shu, a criatura desatou a chorar, um som agudo e aterrador.
O choro ecoava como uma maldição.
À medida que o lamento se tornava mais pungente, todo o espaço tremia. Felizmente, o bracelete de Qin Shu brilhava com calor intenso, protegendo-a da influência mental.
O pranto durou meia hora até que, soluçando e vertendo lágrimas de sangue, a criatura olhou para Qin Shu.
— Lembrou-se? Quer ir comigo?
Qin Shu apontou para a boneca em sua mão.
A criaturinha piscou os grandes olhos, como se ponderasse.
Qin Shu indicou outra pessoa na foto:
— Ele está sempre à sua procura. Se quiser, eu a levo até ele.
Os olhos da criatura brilharam levemente e, por fim, ela se transformou em uma névoa negra que entrou na boneca. Nos olhos do brinquedo, lampejou um brilho verde.
Assim que a criatura se alojou na boneca, o cenário ao redor voltou a ser o longo corredor de antes.
Qin Shu exalou profundamente e tocou o pulso ainda aquecido.
Sentiu-se aliviada por ter recuperado seu precioso amuleto logo no início.
Observou a faca e a boneca; a cabeça havia sumido.
Não sabia quanto tempo passara naquele espaço da criatura. Qin Shu voltou a empurrar a porta do salão, concluindo de maneira simples sua tarefa do dia.
Já era seis horas da tarde.
O dia de trabalho finalmente terminara.
Restava aguardar a avaliação do supervisor.
Qin Shu desceu as escadas e avistou à primeira vista Gu Beichen, agindo de forma suspeita próximo ao caixa.