Capítulo 6 O Colega de Quarto Extra

A verdadeira herdeira perdeu o controle no jogo de terror Rabanete salgado ao vapor 2500 palavras 2026-02-09 13:52:50

— Qin Shu, que maravilha! Não imaginei que conseguiríamos ficar juntas, eu estava preocupada em ter que dividir o quarto com desconhecidas — exclamou Yan Yingxue, radiante, aproximando-se de Qin Shu e tentando, de forma afetuosa, segurar seu braço.

Qin Shu afastou-se discretamente. Lembrava-se bem de que não eram próximas. Na verdade, graças à postura ambígua de Qin Zhenzhen na escola, Qin Shu já tinha sido alvo de provocações e bullying, tanto velados quanto explícitos, por parte dos colegas. Yan Yingxue, afinal, era a principal bajuladora de Qin Zhenzhen. Esse súbito entusiasmo, só podia ter segundas intenções.

— Yan Yingxue, para de se esfregar nela! Com esse jeito covarde, você ainda espera que ela te proteja? — Yang Yue lançou um olhar de desprezo para Qin Shu, ignorando-a em seguida para escolher uma cama e procurar pelo regulamento.

— Yang Yue, não seja assim. Nós somos colegas, caímos no mesmo cenário, o certo é nos unirmos e cuidarmos umas das outras — Yan Yingxue franziu o cenho, fez um biquinho e olhou para Qin Shu com um ar de desculpas. — Qin Shu, não ligue para ela. A Yang Yue é assim, durona por fora, mole por dentro. Eu sei que vocês tiveram desentendimentos antes, mas agora a situação é diferente, precisamos superar este desafio juntas.

Yang Yue já tinha encontrado o regulamento debaixo do travesseiro. Ao ler, seu rosto empalideceu. Lançou um olhar apreensivo para Qin Shu, depois para Yan Yingxue e para outra jogadora, tímida e encolhida. O regulamento era claro: cada dormitório deveria ter apenas três pessoas. Por que, então, havia quatro ali? E justamente o quarto tinha quatro camas.

Yan Yingxue também percebeu a expressão de Yang Yue e, apressada, procurou seu próprio exemplar do regulamento. Quando terminou de ler, as palavras de união que acabara de pronunciar ficaram entaladas na garganta, sem que conseguisse emitir um som sequer.

— Qin Shu, não me obrigue a usar a força. Quando entramos, só você já estava aqui. Agora, saia imediatamente — ordenou Yang Yue, mantendo certa distância.

— Yang Yue, você está sugerindo que a Qin Shu é... a quarta pessoa? — Yan Yingxue tapou a boca, apavorada, recuando para longe e olhando para Qin Shu com pânico.

A outra jogadora, igualmente assustada, também fitava Qin Shu sem ousar aproximar-se.

— Nós três estávamos sempre juntas, só você, Qin Shu... quando foi que voltou ao dormitório? — Yang Yue encarou Qin Shu com desconfiança. Mesmo que Qin Shu não fosse a quarta pessoa, não queria dividir o quarto com ela. E se a expulsasse, o que aconteceria com Qin Shu? Não pôde evitar um sorriso cruel ao imaginar o destino da rival. Se Qin Shu estava com azar, azar o dela por ter cruzado o seu caminho.

Qin Shu não se dignou a responder. Caminhou até a porta, trancou-a firmemente e lançou um olhar frio às três: — Não vou sair. Se não quiserem morrer, não abram a porta, nem as janelas, nem... o guarda-roupa.

— Quem é você para me dar ordens? Qin Shu... não me obrigue a agir! — Yang Yue estava furiosa. Era a primeira vez que Qin Shu ousava falar assim com ela; antes, sempre fugia ao vê-la. Aquela caipira, achava mesmo que podia competir com Zhenzhen e agir como se fosse a filha mais velha da família Qin?

— Yan Yingxue, Fan TianTian, tirem ela daqui! — Yang Yue ordenou.

Qin Shu, já irritada com tanto barulho, aproximou-se dela em passos firmes e, de súbito, agarrou-lhe o pescoço. Yang Yue ficou lívida; a mão de Qin Shu apertava cada vez mais, e, por mais que lutasse, não conseguia se soltar. Yan Yingxue e Fan TianTian, apavoradas, empalideceram, sem coragem de se aproximar. Naquele instante, Qin Shu parecia um espectro vingativo, transbordando uma aura gelada e mortal. Bastaria um passo em falso, e Yang Yue teria o pescoço quebrado.

— Eu avisei: não mexam comigo. Senão... não hesitarei em jogar você porta afora — Qin Shu articulou cada palavra com frieza.

O rosto de Yang Yue escureceu, a boca se abriu, ofegando, quase sufocada. Quando estava prestes a desmaiar, Qin Shu a soltou.

— O regulamento diz que cada dormitório só pode ter três pessoas. Então, quem é a quarta? Vocês que pensem — disse, cansada. Não queria matar ninguém ali dentro; afinal, não tinha o hábito de dormir ao lado de cadáveres. Talvez a primeira regra fosse uma armadilha, feita para induzi-las à violência. Se matasse Yang Yue ali, estaria apenas fazendo o jogo da entidade por trás de tudo.

— Cof, cof! — Yang Yue tossiu, segurando o pescoço, respirando com dificuldade, desta vez olhando para Qin Shu com medo nos olhos. Ela realmente tinha tentado matá-la.

Yan Yingxue respirou fundo e, ainda trêmula, foi até Yang Yue, preocupada: — Você está bem?

Fan TianTian, que permanecera calada, subiu de mansinho para a cama de cima e deitou-se em silêncio. Yang Yue lançou-lhe um olhar furioso, afastando a mão de Yan Yingxue antes de se deitar na cama de baixo.

Yan Yingxue, com expressão de mágoa e certa dose de medo, perguntou baixinho: — Yang Yue, posso dormir com você? Estou com medo...

Yang Yue também estava. Afinal, era a filha mais velha da família Yang, crescida em luxo, acostumada a mandar na escola graças ao seu pai, membro do conselho diretor. Embora a escola tivesse cursos específicos sobre situações sobrenaturais, no fim das contas, não passava de uma garota recém-completando dezoito anos.

— Tudo bem — respondeu, por fim.

Qin Shu fechou os olhos, mas não parava de pensar: por que Yan Yingxue e Yang Yue tinham entrado naquele jogo de regras sobrenaturais? Afinal, só se era forçado a entrar no jogo ao completar dezoito anos, precisamente à meia-noite. As duas já tinham passado dessa idade; deviam ser jogadoras veteranas. E ainda havia a primeira regra: por que diziam que só havia três pessoas no dormitório, quando na verdade estavam em quatro? Quem era a intrusa: uma delas ou outra entidade?

Talvez pelo estresse do dia todo, Qin Shu logo adormeceu. A noite caiu, o quarto mergulhou no silêncio, e ninguém ousava quebrar a quietude. Quando o relógio ao lado da cama marcou meia-noite, ouviu-se um bater urgente na porta, cada vez mais perto: tum, tum, tum!

Logo, a criatura do lado de fora começou a golpear a porta do dormitório. Os golpes ficavam mais altos, quase como se quisesse arrombá-la. No escuro, Yan Yingxue encolheu-se, agarrando o braço de Yang Yue, que tremia de medo, sem coragem de abrir os olhos.

Qin Shu acordou com o barulho, mas, lembrando-se das regras, não abriu os olhos. A criatura bateu por vários minutos; alguém, azarado, teria esquecido de trancar a porta, permitindo que ela entrasse e matasse uma das moradoras, que soltou um grito terrível, seguido de silêncio.

O som dos golpes foi se afastando. Qin Shu, aliviando-se um pouco, sentiu uma lufada de vento frio passar por perto.

— Qin Shu, Qin Shu. Quero ir ao banheiro, vem comigo? Estou com medo — a voz ansiosa de Yan Yingxue soou ao seu ouvido, insistindo para que se levantasse e a acompanhasse ao banheiro.

Qin Shu permaneceu imóvel, continuando a fingir que dormia.

[Regra seis: se sua colega de quarto te chamar para ir ao banheiro de madrugada, claro que uma boa amiga vai junto, como poderia recusar?]

Yan Yingxue parecia não desistir, continuava sussurrando ao ouvido de Qin Shu: — Qin Shu, levanta, estou com medo de verdade, não vou aguentar, sei que você não está dormindo, levanta logo pra ir comigo ao banheiro!