Capítulo 11: Quem é o dono do Hotel Lua de Sangue
Uma rajada de vento gélido soprou junto ao ouvido de Qin Shu. O coração batia descompassado, e diante o rosto pálido do supervisor, sob aquele olhar penetrante, ela respirou fundo: “Supervisor, você ouviu? Há barulho de carne sendo picada vindo da cozinha.” Tentando manter a calma, Qin Shu ficou tensa, vigiando o supervisor com cautela.
O restaurante Lua Sangrenta inteiro exalava uma atmosfera estranhamente sinistra. De dia, o supervisor era bem diferente; agora, à noite, seu semblante estava ainda mais pálido, e todo seu corpo emanava uma aura assustadora. Qin Shu, ao olhar nos seus olhos, não percebeu perigo iminente, apenas uma curiosidade sutil, quase imperceptível.
O rosto do supervisor se descontraía levemente, e ele olhou para o corredor escuro que levava à cozinha. Apenas uma luz verde difusa era visível lá dentro. O som de ossos sendo partidos ecoou novamente, desta vez mais nítido. Cada golpe parecia atingir os próprios ossos de Qin Shu, que sentiu um calafrio intenso, como se seus ossos estivessem sendo esmagados, uma dor aguda atravessando todo o corpo. Sua mente ficou turva e seus olhos começaram a tingir-se de vermelho. Atordoada, Qin Shu sentiu um calor ardente no pulso, e assim recuperou a lucidez. O brilho rubro em seus olhos desapareceu, dando lugar à clareza.
O som da carne sendo picada na cozinha estava contaminado. O supervisor exibiu dentes brancos e olhos verdes, brilhando de forma inquietante. Sua voz, áspera, lembrava o grasnar de corvos de madrugada, estridente e irritante. “A cozinha não é lugar para uma simples funcionária como você. Você quebrou... o regulamento dos funcionários. Deve ser punida.”
Ele estendeu uma mão longa e ossuda, tentando agarrar o pescoço de Qin Shu. Ela recuou rapidamente, calculando mentalmente a distância até o banheiro.
“Ainda não são oito da noite, supervisor... Se não me engano, há uma regra dizendo que, ao ver um estranho infiltrado no restaurante Lua Sangrenta, devemos avisar imediatamente ao gerente ou ao proprietário.” Qin Shu encarou-o, mantendo-se vigilante. Se sua suposição estivesse correta, enquanto não violasse as regras, os fantasmas daquele mundo estranho não poderiam atacá-la.
“Além disso, eu não entrei realmente na cozinha. Supervisor... Diga-me, se eu informar ao gerente ou ao proprietário que um estranho entrou no restaurante, o que aconteceria?” Qin Shu fixou o olhar no rosto pálido do supervisor. A energia sinistra que emanava dele era intensa, superando até a do corredor escuro atrás dela.
No restaurante Lua Sangrenta, não havia proprietário. Segundo as regras dos funcionários:
[Regra Três: O restaurante Lua Sangrenta não tem proprietário. Se houver... ligue imediatamente para 444-44444.]
[Regra Seis: Pessoas suspeitas aparecem frequentemente. Se notar algo, avise imediatamente ao proprietário.]
Essas duas regras eram claramente contraditórias. Qin Shu começou a especular sobre as verdadeiras identidades do supervisor e do gerente. Até agora, nunca haviam aparecido juntos. Quando ela tentou escapar do supervisor, percebeu que a porta do banheiro ao lado do corredor havia desaparecido completamente. Aquilo era assustador demais.
O rosto do supervisor tornou-se feroz, visivelmente transtornado. Ele perguntou, quase rangendo os dentes: “Estranho? Você viu?”
Qin Shu assentiu, depois negou com a cabeça. Respondeu de maneira ambígua: “Ultimamente, tenho visto uma figura suspeita, entrando e saindo da cozinha, indo ao banheiro e até ao restaurante do terceiro andar.” “Supervisor, você não gostaria de subir de cargo? Que tal capturar esse estranho e entregá-lo ao proprietário? Assim, poderia substituir o gerente.”
O olhar do supervisor mudou ligeiramente, observando Qin Shu com curiosidade e desconfiança.
Qin Shu também o examinava, e a energia sinistra ao redor dele começou a dissipar-se, trazendo de volta o comportamento que ele tinha durante o dia. Qin Shu suspirou aliviada: parecia que realmente havia um estranho infiltrado no restaurante Lua Sangrenta. Mas... quem seria esse estranho? Pelo jeito do supervisor, não era ele.
A cabeça de Qin Shu latejava; ela não conseguia entender as contradições das regras três e seis: afinal, o restaurante tinha ou não um proprietário? Evidentemente, sim. Sempre que mencionava o gerente e o estranho, ou repetia a palavra “proprietário”, o supervisor mudava de atitude. Quem era o verdadeiro proprietário do restaurante Lua Sangrenta? Onde estaria escondido, e que papel desempenhava? Qin Shu estava cheia de dúvidas, convencida de que tudo estava ligado ao desafio oculto daquele lugar. Talvez ela devesse voltar ao dormitório ou ao refeitório em busca de outras pistas.
“Você agiu muito bem. Da próxima vez que encontrar um estranho, venha direto a mim.” O supervisor, com o rosto antes pálido, recuperou um pouco de cor humana e olhou para Qin Shu sem aquela hostilidade de antes.
“Com certeza, supervisor. Espero que você seja promovido logo. E não se esqueça de mim, afinal... também não quero ser funcionária para sempre.” Qin Shu respondeu com servilismo.
O supervisor sorriu de forma rígida, os lábios finos curvando-se levemente.
O som da porta do dormitório se fechando ecoou.
Todas as forças de Qin Shu pareciam ter se esvaído.