Capítulo 10: O Segredo da Cozinha
Fan Tiantian levantou a cabeça, cheia de dúvidas, e perguntou: “Por quê? Aqueles clientes no salão não são fáceis de lidar. Sabendo que o salão é mais perigoso que aqui, por que ainda quer trocar comigo?”
“Você não entende, eu sou diferente de você. Só diga se vai trocar ou não.” Qin Shu não queria se alongar na explicação.
De qualquer forma, cada uma buscava o que queria, não havia necessidade de explicar tudo.
“Claro que não é sem condições. Depois que sairmos do cenário, não pode voltar atrás quanto ao dinheiro que me prometeu.” Qin Shu pensou e acrescentou.
Fan Tiantian ficou surpresa, então... era pelo dinheiro da família dela.
“Tudo bem, está bem.” Ela se decidiu, mordendo os lábios.
Afinal, se continuasse no salão, talvez nem sobrevivesse para sair do cenário, então seria melhor apostar no caráter de Qin Shu.
Pelo menos nesses dois dias observando Qin Shu, podia garantir que ela não era igual a Yan Yingxue; desde que não a provocasse, dificilmente seria prejudicada por ela.
Qin Shu sorriu satisfeita, tocando levemente a cabeça de Fan Tiantian: “Muito bem, garanto que não vai se arrepender deste acordo.”
Fan Tiantian saiu do banheiro ainda atordoada e, conforme combinado, foi encontrá-la às seis da tarde para trocar de turno.
Qin Shu precisava da identidade de atendente para circular livremente pelo salão e pela cozinha.
E não precisaria mais se preocupar com o supervisor fazendo inspeções surpresas no banheiro e descobrindo que ela não estava em seu posto.
Às seis da tarde, Fan Tiantian terminou a avaliação e foi ao banheiro encontrar Qin Shu.
Entrou nervosa e logo percebeu um par de olhos a encarando, o que a deixou ainda mais apreensiva.
Ao levantar o olhar, deparou-se com o supervisor, com aqueles olhos gélidos fixos nela.
“É esta a funcionária com quem vai trocar?” O supervisor perguntou sem expressão.
Qin Shu assentiu sorrindo: “Supervisor, já veio três dias seguidos inspecionar meu trabalho. Não está satisfeito com a minha limpeza?”
“Seu trabalho é realmente impecável.” O supervisor respondeu com uma ponta de frustração.
Durante três dias tentou achar algo mal limpo por Qin Shu, mas não conseguiu, e o desejo de devorá-la ficou cada vez mais reprimido.
Nem se fala o quanto estava aborrecido.
“Por isso, se eu fosse o dono, jamais deixaria uma funcionária tão talentosa como eu desperdiçar o potencial sendo chefe do banheiro, não é?” Qin Shu disse, cheia de orgulho.
O supervisor semicerrava os olhos, o olhar carregado de uma ameaça silenciosa, avaliando Qin Shu.
Fan Tiantian suava nas palmas das mãos, nervosa. As regras diziam que no Hotel Lua Sangrenta não havia dono, Qin Shu estava louca. Como ousava mencionar o dono na frente do supervisor?
“Ah, onde encontrar uma funcionária tão boa quanto eu? E ainda proponho trocar de posto espontaneamente, agradeço também ao supervisor pela confiança em permitir a troca.” Qin Shu continuou.
“Hmph, espero que ainda tenha motivos para sorrir quando chegar ao salão.” O supervisor zombou, arreganhando os dentes brancos e a fitando com frieza.
“Aqui não mantenho inúteis. É melhor passar na minha avaliação, senão... slurp... estou curioso para saber o sabor de seu cérebro faz tempo.”
A língua vermelha passou pelos dentes brancos, sua cobiça escancarada.
Qin Shu apertou os lábios, os olhos semicerrados e o sorriso não chegou ao olhar: “Não vai ter essa chance.”
Fan Tiantian sentiu as pernas pesadas como chumbo, presa ao chão, e só queria fugir, mas o corpo não obedecia.
Ficou ali, imóvel, ouvindo Qin Shu debater com o supervisor.
Só recobrou os sentidos quando Qin Shu a levou ao refeitório do terceiro andar.
“Qin Shu, você... eu...”
Qin Shu soltou sua mão, já sem o sorriso florido de antes, os olhos frios: “Desse jeito, mesmo trocando de posto comigo, você não sobrevive até o quinto dia.”
Fan Tiantian calou-se imediatamente, lançando-lhe um olhar de gratidão.
Qin Shu já havia conseguido o que queria e perguntou rapidamente sobre as regras que a atendente deveria seguir.
[Regras da Atendente]
[Regra Um: Lembre-se de sua função, você é atendente do Hotel Lua Sangrenta, responsável por anotar pedidos e servir os clientes. O cliente é Deus; não importa o quão absurda seja a exigência, deve fazer de tudo para satisfazê-lo.]
[Regra Dois: Como funcionária exemplar, é seu dever evitar reclamações dos clientes. Se receber uma, isso afetará sua avaliação. Se não passar... o chefe de turno aplicará a punição devida.]
[Regra Três: Não há dono no Hotel Lua Sangrenta. Se houver... ligue imediatamente para 444-44444.]
[Regra Quatro: Todos os dias antes das seis da tarde, o supervisor fará a avaliação. Somente funcionários aprovados podem entrar no dormitório.]
[Regra Cinco: Antes das sete da noite, deve deixar seu posto e retornar ao dormitório.]
[Regra Seis: Frequentemente aparecem pessoas suspeitas no hotel. Se notar alguém assim, avise imediatamente o dono.]
[Regra Sete: Não há crianças no Hotel Lua Sangrenta. Se encontrar alguém dizendo ser filha do dono, finja não ver, ignore...]
[Regra Oito: O chefe de turno é alguém confiável. Para qualquer pessoa estranha ou problema insolúvel, peça ajuda a ele.]
[Regra Nove: Todas as manhãs, às nove, o chefe de turno redistribui os clientes que você irá atender.]
[Regra Dez: O mascote do caixa é dócil e nunca machuca ninguém. Se de repente falar, isso significa que alguém estranho entrou no hotel; nessa hora, saia imediatamente do salão.]
[Regra Onze: O refeitório do terceiro andar serve as refeições dos funcionários apenas das seis às sete da tarde. Fora desse horário, não entre.]
Qin Shu leu cuidadosamente as regras e percebeu que algumas eram iguais às que tinha como funcionária anteriormente.
Agora, quais eram verdadeiras e quais falsas, ainda precisava verificar.
Entre elas, [Regra Sete: Não há crianças no Hotel Lua Sangrenta. Se encontrar alguém dizendo ser filha do dono, finja não ver, ignore...] era algo que não havia ocorrido até então.
Sentia que algo lhe escapava, talvez... essa noite pudesse encontrar respostas.
“Qin Shu, não vai voltar para o dormitório?”
Depois de jantar, Qin Shu a levou de volta ao banheiro, largou comida para as duas criaturas sinistras e as advertiu a não causar confusão para Fan Tiantian.
Ainda sem intenção de voltar ao dormitório, Fan Tiantian, vendo o horário próximo das sete, perguntou aflita.
“Ainda tenho coisa para fazer, pode ir na frente.”
Fan Tiantian hesitou, mas vendo que Qin Shu não se importava e já caminhava em direção à cozinha, não insistiu.
Ela mordeu os lábios, sem coragem de se arriscar junto com Qin Shu, querendo apenas sobreviver até o quinto dia e sair do cenário em segurança.
Mesmo sendo apenas sete horas, todo o hotel já estava mergulhado na escuridão, restando apenas algumas poucas luzes verdes, trêmulas, projetando um brilho estranho.
À medida que se aproximava da cozinha, os sons tornavam-se mais claros.
“Bam, bam, bam...” Era o barulho de carne sendo picada sobre a tábua.
Qin Shu hesitou, sem saber se deveria continuar, quando sentiu um olhar nas costas. Mesmo assim, criou coragem e se virou, quase deixando cair a lanterna de susto.
“O que está fazendo aqui?” A luz esverdeada iluminava um rosto pálido, os olhos fixos em Qin Shu.
A voz rouca cortou o silêncio da noite, tão estridente que fez seus pelos arrepiarem.