Capítulo 33: Quando a Noite Cai, Feche os Olhos
"O Zoológico da Lua Sangrenta chegou, próxima parada: Vila da Felicidade."
A voz fria e mecânica arrancou Qin Shu de seus devaneios. A porta do ônibus se abriu e, olhando pela entrada, tudo lá fora era escuridão profunda, um frio gélido e espectral invadiu o veículo, penetrando até os ossos.
Qin Shu lançou um olhar para a motorista; a expressão em seu rosto tornou-se gradualmente sinistra, os cantos da boca se esticaram devagar, revelando um sorriso macabro.
Quando três silhuetas sombrias subiram, os globos oculares em suas pupilas estavam completamente negros, e uma intensa energia maligna emanava delas. De seus corpos escorria sangue negro, incessantemente...
Conforme suas formas se transformavam, as luzes do ônibus começaram a piscar. Uma música estranha e inquietante ecoou pelo interior, tornando o ambiente ainda mais sinistro e aterrador.
O menino e a velha senhora já estavam de pé, prontos para descer. Ela segurava um gato preto nos braços, o rosto enrugado marcado por um olhar feroz, que lançou rapidamente para a motorista.
"Moça, obrigada por brincar com meu neto. Isto é para você, tome como um presente de gratidão."
Qin Shu olhou, surpresa, para o relógio infantil na mão da velha.
"Regra três: Este trem tem apenas nove paradas, em cada uma alguém desce e alguém sobe. Fique atenta aos passageiros que embarcam, pois podem ser de grande ajuda."
Sem hesitar, ela pegou o pequeno relógio, conferiu as horas e seu semblante se obscureceu. O relógio adiantava uma hora e meia em relação ao painel do ônibus.
Ou seja, o horário real era uma e meia da manhã, enquanto o visor do ônibus marcava apenas meia-noite.
Quando Qin Shu levantou a cabeça novamente, a idosa com o gato preto e o menino já haviam partido, sumindo na noite escura como breu.
O tempo estava se esgotando. Precisava decidir ali mesmo, mesmo que fosse só uma hipótese, era hora de arriscar.
De repente, Qin Shu se levantou e, antes que a porta se fechasse, colocou-se diante das três sombras, ativando seu dom.
Zheng Peng, sentado não muito longe, assustou-se com o movimento repentino de Qin Shu. Ela já estava diante das figuras sombrias, bloqueando a porta. Com mão delicada, agarrou uma delas e a golpeou com força. Gritou para a motorista:
"Eles estão armados com facas!"
O corpo da motorista, já tomado pela estranheza sombria, desapareceu como se nunca tivesse existido.
Justo quando Zheng Peng achou que Qin Shu enlouquecera, Deng Mengyu, sentada atrás, soltou um grito estridente de dor ao ser perfurada, um buraco sangrento aberto em seu corpo.
No último banco, outra sombra soltou uma risada arrepiante.
"De onde saiu esse rato intrometido?"
Zheng Peng percebeu, enfim, que havia algo errado. Levantou-se. Seu dom não era dos mais altos, mas também não era fraco. Dom de nível B: ao ativá-lo, ganhava força extra e podia resistir a três ataques sobrenaturais.
"Segurem-no, ele é cúmplice desses ladrões!"
A frase era dirigida a Zheng Peng.
Deng Mengyu tinha o psicológico muito frágil. Por ter fitado a janela por mais de três segundos, sucumbiu à contaminação mental e agora fora morta pela sombra atrás dela.
Restavam então somente Zheng Peng e aquela figura misteriosa, de quem nunca se viu o rosto e que, diferente dos outros, não deixava pegadas molhadas no chão.
Havia cinco sombras de identidade desconhecida no ônibus; uma delas já havia entrado sorrateiramente pela porta dos fundos na quarta parada.
Aquela sombra sem marcas de água nos pés, pelo ciclo anterior, Qin Shu sabia ser a única capaz de ajudá-los.
Agora, tudo estava claro.
Os fatos se encaixaram perfeitamente na mente de Qin Shu.
Seu dom era a Imunidade Absoluta, mas enfrentar três criaturas sobrenaturais de porte avantajado era um desafio. Essas três assombrações já ultrapassavam o nível inferior, beirando o intermediário.
As luzes piscavam com mais intensidade, e no meio da música sinistra ouviam-se choros de mulher.
A motorista levantou-se nesse momento. Pupilas negras fixaram-se nas três sombras que lutavam com Qin Shu, e uma sequência de gritos lancinantes ecoou.
No instante em que a motorista se pôs de pé, as três entidades, como se vissem um monstro aterrador, tentaram fugir do ônibus.
A porta se fechou com estrondo. No mesmo momento, as sombras soltaram gritos agudos e insuportáveis.
Tum, tum, tum.
As luzes apagaram de vez, restando apenas o som de batidas rítmicas e persistentes.
E o choro suplicante de uma mulher.
Entrelaçadas a isso, risadas excitadas e distorcidas.
"Shushu, meu docinho da vovó..."
"Por que não obedece, hein? De novo fugindo por aí?"
"Essa menina... Eu te chamo e você não responde. Vire-se logo, quero ver se minha querida menina já cresceu."
"Shushu, seja boazinha, deixe a vovó olhar pra você. Vovó vai preparar seu doce favorito."
No momento em que Qin Shu mergulhou nas trevas, vozes diferentes ressoaram sem parar em seus ouvidos, até que, de repente, tudo se calou. Restou apenas uma voz familiar e afetuosa.
Qin Shu abriu a boca, mas a garganta parecia sufocada.
Era a avó.
A única pessoa neste mundo que a tratara com carinho.
Tendo vivido uma segunda vez, ela ainda assim não conseguiu retê-la.
Sabia muito bem que sua avó já tinha partido, ido embora para sempre, deixando-a sozinha neste mundo aterrorizante.