Capítulo 030: Dou-lhe equipamento, ajude-me com um favor
Depois de mudarem de lugar, meia hora se passou até que os três finalmente chegaram a uma conclusão: tudo não passara de um grande mal-entendido!
Ling Yu só queria, com boa intenção, fazer propaganda de seu restaurante e de sua terra natal, deixando uma boa impressão nos turistas.
Porém, Lin Miaoyi entendeu tudo errado, achando que estavam em conluio para extorquir dinheiro dos forasteiros.
Já Chen Lan, que apareceu no meio da confusão, só estava morrendo de saudade do filho e, ao ver uma bela moça jantando com ele, logo imaginou que fossem um casal.
Depois de desfeitos os nós, os três ficaram bastante embaraçados.
Não era para menos; afinal, quem diria que um simples jantar renderia tamanho mal-entendido?
Por fim, Ling Yu e Lin Miaoyi decidiram não mais tocar no assunto, para evitar constrangimentos.
Já Chen Lan foi diferente: continuou descontraída e disse, “E daí que acabaram de se conhecer? Agora podem se aproximar mais. Miaoyi, que tal deixarmos um contato? Quando vier à nossa cidade, não deixe de me procurar, a tia prepara uma comidinha gostosa para você.”
Chen Lan, sem mudar a expressão, parecia até mais profissional do que um homem tentando conquistar uma garota, sempre arranjando boas desculpas para pedir o número dela.
Ling Yu só pôde se sentir inferior.
Lin Miaoyi não teve como recusar e acabou passando o contato para Ling Yu. E por que para ele? Chen Lan alegou não ter celular, então pediu que o filho guardasse.
Mãe e filho em ação, parecia que em três minutos já tinham conquistado a deusa!
No fim, Chen Lan ainda sugeriu que Ling Yu levasse Lin Miaoyi para conhecer os pontos turísticos da cidade, mas Lin Miaoyi, um tanto sem graça por já ter comido bastante, preferiu se despedir.
Na hora de ir embora, Chen Lan ainda disse, “Miaoyi, venha nos visitar quando quiser! Xiaoyu tem bastante tempo livre, venha sempre que puder.”
Lin Miaoyi sentiu-se desconfortável e saiu quase correndo...
Ling Yu ria e se desesperava ao mesmo tempo, mas o que quase o fez cuspir sangue foi ouvir Chen Lan reclamar: “Seu moleque, olha aquele corpo, aquele rosto e aquele traseiro avantajado, ótima para ter filhos! Uma garota dessas e você não corre atrás, o que passa na sua cabeça?”
...
Sim, ótima para ter filhos...
Ling Yu voltou e devorou o almoço como um lobo faminto; depois de tanta confusão, já eram quase duas da tarde e ele ainda não tinha almoçado. Com a fome e o desgaste, parecia que o estômago colava nas costas.
Após a refeição, ficou ajudando no restaurante por um tempo. À noite, chegaram dois fregueses muito conhecidos, com quem Ling Yu já tinha tido contato antes.
Eram dois policiais: o mais jovem, Yang Hua, e o mais velho, Zhang Cong.
Ambos haviam conversado com Ling Yu quando Lin Ping machucou o pé. Talvez, naquela manhã, estivessem fora a trabalho e por isso não foram vistos na delegacia.
“Que coincidência, senhores. Vão querer comer alguma coisa?” Ling Yu não tinha muita intimidade com eles, não eram exatamente amigos, mas pelo respeito à profissão, foi cumprimentá-los.
Yang Hua levantou a cabeça e respondeu, “Ling Yu, traz um mingau pra mim. Estou com fome e sede, mas não quero uma refeição pesada.”
Zhang Cong fez o mesmo pedido. Ling Yu pediu a um garçom que anotasse, sentou-se e perguntou, “E aquele cachorro louco, alguma novidade?”
Já fazia uns dez dias desde o incidente e ainda não havia uma resposta sobre o cão, o que fazia Ling Yu suspeitar que os policiais estavam protelando o serviço.
Yang Hua balançou a cabeça, resignado. “Nem me fale. Acabamos de tentar pegar o bicho, mas não conseguimos. A gente ficou mais cansado que cachorro de tanto correr!”
Os dois policiais arfavam, suando pelas costas mesmo naquele mês de junho.
Ling Yu estranhou, “Um cachorro assim tão difícil? Depois de tanto tempo, ainda não conseguiram pegar? Vocês não têm armas? Era só atirar e pronto.”
Pode parecer violento, mas um cão raivoso é perigoso demais. Não dá para deixá-lo solto por pena de animais, arriscando a vida das pessoas.
Além disso, um cachorro desses deve estar sofrendo, seria melhor abreviar o sofrimento.
Zhang Cong respondeu, “Se fosse fácil assim, não estaríamos exaustos. Esse cachorro não é normal. Nem nossos cães policiais dão conta. Ele é rápido demais, mesmo quando conseguem alcançá-lo, acabam apanhando.”
“Exato. Atirar? Já gastamos vários carregadores e não acertamos nenhum tiro. Ele é rápido demais e incansável”, reclamou Yang Hua. O cachorro corre mais que gente, e mesmo exaustos, ele continua fugindo. Como alcançá-lo assim?
E não dava para revezar equipes, porque o cachorro se escondia no mato, longe das trilhas comuns. Se trocassem, o próximo grupo teria que correr tudo de novo.
Ling Yu apoiou o queixo, ouvindo o relato e percebendo o esforço dos policiais. Mas ainda assim, como um cachorro poderia ser tão extraordinário? Era realmente estranho!
Logo depois, o mingau bem quente chegou. Os policiais devoraram como se estivessem há três dias sem comer.
De repente, Yang Hua, lembrando de algo, comentou: “Ah, Ling Yu, ouvi dizer que hoje de manhã você foi um herói, hein? Dizem que sua bicicleta corre mais que moto! Espetacular!”
O caso já era conhecido por toda a delegacia, até Yang Hua, que estava na rua, tinha ouvido falar.
“Ling Yu, quer dar uma mãozinha?” Yang Hua falava por falar, mas Zhang Cong teve um estalo e se animou.
“Ajudar? Em quê eu poderia ajudar?” Ling Yu perguntou, desconfiado. Se tinham trabalho a fazer, por que chamar um civil comum?
“Claro que pode!”, respondeu Zhang Cong com entusiasmo. “Você conseguiu fazer uma bicicleta chegar a cinquenta por hora, isso é coisa pra poucos! Precisa de muita força nas pernas e controle nos braços!”
Zhang Cong continuou, “Queria pedir sua ajuda para perseguir aquele cachorro louco. O que acha?”
Como? Quer que eu persiga o cachorro?
Ling Yu olhou para Zhang Cong, percebendo o plano.
Pensando melhor, aquele cachorro tinha ferido seu pai e, até agora, os policiais não tinham conseguido nem vê-lo. Se dependesse deles, talvez nunca resolvessem. Melhor ele mesmo vingar o pai. Mas preferiu não aceitar de imediato.
“Ajudar a perseguir, tudo bem. Mas mesmo que eu alcance, não posso lutar com um cachorro, não é?”
Ling Yu sabia que poucos poderiam vencê-lo numa corrida, mas em combate corporal, não tinha chance. Os policiais eram treinados, ele não.
Agora, se me dessem uma arma...
Zhang Cong percebeu o interesse e garantiu, “Isso não é problema. Vamos te dar equipamentos, vai conseguir derrubar aquele cachorro.”
“Equipamentos?” Isso sim era interessante, devia ser uma arma. Com sua agilidade, uma arma nas mãos, dominaria o mundo!
E afinal, era só um cachorro...