Capítulo 58: Obra do Deus da Culinária, Inestimável Até pelo Maior Preço
— Vocês têm razão, eu sou mesmo um caipira, um provinciano. — Zhao Shan virou-se lentamente, sorrindo. — Há mais de vinte anos, eu ainda arava a terra no campo, levando aquela vida de sol a pino e rosto suado.
— O quê... — O semblante de Huang Jie mudou drasticamente. Aquele rosto não lhe era estranho, ele só tinha visto duas vezes, mas essas duas vezes bastaram para que jamais esquecesse!
— Pá! — Huang Jie deu um tapa forte no rosto de Leng Feng, que quase caiu sem equilíbrio. — Por que você ainda não pediu desculpas? É assim que se fala com alguém?
Leng Feng, sentindo o ardor no rosto, estava atônito. O que aconteceu agora? Disse algo errado? Não estava tentando ajudá-lo a se sair melhor?
Huang Jie ignorou Leng Feng, virou-se e, forçando um sorriso, curvou-se respeitosamente. — Presidente, por que não avisou que viria? Assim eu teria reservado um ótimo hotel para recebê-lo. Foi ele que, por ignorância, não reconheceu o senhor e falou sem pensar. A culpa é minha por não ter supervisionado direito, vou demiti-lo imediatamente!
Virando-se para Leng Feng, disse: — Leng Feng, sua falta de educação passou dos limites. Nossa empresa não mantém empregados assim. Pode sair agora.
Ao ouvir a palavra "presidente", Leng Feng ficou completamente desnorteado. Jamais imaginaria que o homem a quem acabava de chamar de caipira e provinciano era, na verdade, seu chefe supremo!
Diante da demissão, restou-lhe o silêncio.
Zhao Shan sorriu. — Muito bem. Você acabou de ofender o senhor Lin, não vai se desculpar?
Zhao Shan não especificou como punir Leng Feng, mas Huang Jie sentiu-se cada vez mais ansioso. Afinal, não era só um garçom? Por que o presidente mantinha tamanha deferência?
Sem entender, mas sem alternativas, Huang Jie curvou-se diante de Lin Yu, pedindo desculpas: — Senhor Lin, peço desculpas por tê-lo ofendido. Espero que não se incomode com alguém como eu.
Pouco antes altivo e arrogante, agora mantinha-se curvado, sem nem ousar endireitar as costas.
Lin Yu não esperava que houvesse tal ligação entre Zhao Shan e Huang Jie. Sentiu-se irritado com as palavras grosseiras de Huang Jie, mas não viu razão para se importar com alguém tão sem educação e sequer respondeu.
Zhao Shan voltou-se para Lin Yu: — Senhor Lin, peço desculpas pelo transtorno causado pelo meu funcionário. Espero que não guarde ressentimentos. — E então, dirigindo-se a Huang Jie: — A partir de hoje, você não faz mais parte da minha empresa. Procure o departamento financeiro, acerte suas contas e vá embora.
Zhao Shan não teve qualquer consideração por Huang Jie.
— Não precisa se desculpar comigo, senhor Zhao. Cada um é responsável por seus atos, e ele não tem relação direta com você. Vamos aproveitar a refeição antes que esfrie — respondeu Lin Yu.
Huang Jie estava atordoado. Anos de esforço para chegar ao cargo de gerente, tudo destruído em um instante! Quis pedir clemência a Zhao Shan, mas, com tanta gente olhando, o orgulho ferido queimava-lhe o rosto. Não teve coragem e saiu, cabisbaixo. Sua amante, que presenciara a cena, também se retirou, indignada.
Zhao Shan não deixou que esse incidente lhe afetasse o humor. O aroma que invadia o ambiente aguçava sua curiosidade — estava ansioso para provar os pratos do Pequeno Deus da Cozinha, tão elogiado pelo festival gastronômico, e descobrir onde residia sua fama.
Após provar alguns bocados, Zhao Shan e Wen Shen ficaram completamente rendidos ao talento de Lin Yu.
— Muito bom, excelente! Em toda a minha vida, nunca comi algo tão delicioso! — Zhao Shan repetiu o elogio três vezes, pois o sabor era indescritível. Wen Shen, por sua vez, limitou-se a comer, deixando que as ações falassem por si.
— Zhao Shan, deixe seu filho provar também, veja se ele tem apetite. — Lin Yu não se surpreendia mais: era comum ver as pessoas, ao provarem seus pratos, agirem como se estivessem redescobrindo o prazer de viver.
Zhao Shan, rindo de si mesmo, percebeu que se esquecera do próprio filho enquanto se deliciava.
Pegou um pedaço de carne magra e, com carinho, ofereceu ao filho, Xiao Tian. — Xiao Tian, venha, experimente um pouco.
Zhao Xiao Tian olhou de soslaio, largou os palitinhos que brincava, cheirou a comida, porém não demonstrava muito apetite — um sintoma comum em quem sofre de depressão.
Mas, assim que Zhao Shan colocou a carne em sua boca, os olhos de Xiao Tian brilharam subitamente, como se tivesse feito uma grande descoberta. Até mesmo seus palitinhos caíram ao chão.
De repente, deixou de estar apático, tomou os palitinhos do pai e começou a pegar carne com voracidade.
— Delicioso, é maravilhoso!
O garoto, para surpresa e alegria de Wen Shen e Zhao Shan, falava animadamente e demonstrava apetite.
O que isso significava? Que a comida de Lin Yu realmente surtia efeito, despertando o apetite de Xiao Tian!
— Devagar, meu filho, ninguém vai tirar de você — disse Zhao Shan, sorrindo cada vez mais ao ver o garoto comer tão entusiasmado, sem precisar de ajuda.
— Quero mais! — Em poucos minutos, Xiao Tian devorou toda a carne magra do prato. Limpou a boca e, mesmo dizendo apenas três palavras, era um enorme progresso: afinal, voltava a se expressar.
— Xiao Tian, experimente os outros pratos, também são deliciosos — sugeriu Lin Yu, feliz ao ver o resultado de sua comida.
Xiao Tian hesitou, mas a lembrança do sabor irresistível era forte demais, então provou outros pratos.
E foi surpreendente: ele praticamente devorou toda a comida da mesa, para o desespero e alegria de Zhao Shan e Wen Shen. Desespero porque também queriam comer, mas não tinham coragem de disputar com uma criança; alegria ao ver o apetite de Xiao Tian florescer.
No fim, o garoto não conseguiu comer tudo, então os adultos também puderam saborear a comida.
Normalmente, uma refeição com o filho em casa podia durar até três horas; agora, em meia hora, Xiao Tian já estava satisfeito.
— Senhor Lin, muito obrigado! Sua habilidade na cozinha é realmente extraordinária!
— Isso mesmo, nunca comi nada tão bom. Parece comida dos deuses!
Zhao Shan e Wen Shen estavam encantados, mas não conseguiam comer mais — estavam saciados ao extremo, como tantos outros clientes daquele restaurante, que chegavam famintos e saíam empanturrados.
— Irmão, você pode cozinhar para mim de novo outro dia? — perguntou Xiao Tian, pegando na mão de Lin Yu, claramente apegado ao novo amigo.
Zhao Shan, ouvindo aquilo, interrompeu o riso e, hesitante, disse a Lin Yu: — Senhor Lin, gostaria de convidá-lo para ser nosso chef particular, cozinhando especialmente para meu filho. Você só precisaria preparar o almoço e o jantar; no restante do tempo, estaria livre para seus afazeres. Vinte mil por mês, o que acha?
— O quê? — Lin Yu ficou boquiaberto...
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