Capítulo 043: Eu te pergunto, onde está o Deus das Corridas?
Ling Yu comentou com um ar despreocupado, mas todos sabiam de quem ele falava e responderam em coro: “Faça o que quiser.”
“Pff...”
Fan Wei quase cuspiu sangue, indignado. Caramba, primeiro foi entregue pela Qingqing, agora está sendo passado para trás por trezentas pessoas! Que rejeição mais dolorosa!
Fan Wei estava à beira das lágrimas, segurou a mão de Ling Yu, choramingando: “Não faça isso, irmão, eu te chamo de irmão! Foi erro meu antes, eu te peço desculpas, não guarda rancor, deixa essa passar, por favor.”
O apelo da peixe ao vapor era gigantesco, principalmente ao imaginar que em breve todos comeriam, menos ele. A sensação de apenas poder olhar sem provar só quem é realmente guloso pode compreender.
“Não, não, você é o irmão, você é o irmão! Eu sou só o filho do dono, não levo jeito pra cozinha, o peixe que eu fizer não chega nem perto do seu.”
Com todo mundo jogando Fan Wei aos leões, Ling Yu também queria tirar algum proveito, pelo menos um agrado precisava receber.
Fan Wei cerrou os dentes; se ficasse sem comer, não só seu estômago sairia perdendo, como também sua dignidade. Sussurrou então ao ouvido de Ling Yu:
“Irmão, que tal assim: te pago vinte mil por cada peixe, e daqui a uns dias trabalho de garçom pra você um dia. Que acha?”
Fan Wei sabia que, por ter subestimado Ling Yu, sair sem pagar algum preço seria impossível. Além disso, como bom apreciador de comida, pensava que, se Ling Yu aceitasse, talvez ainda pudesse saborear o famoso peixe.
Ling Yu refletiu: vinte mil, dinheiro fácil, por que não? Aceitou de imediato.
Fan Wei ficou tão emocionado que não parava de chamá-lo de irmão.
Depois que Ling Yu e os demais entraram na cozinha, os ciclistas começaram a conversar entre si.
“Fan Wei, que preço teve que pagar por um peixe desses?” brincou Qingqing.
“Ah, besteira, só um dinheirinho, nada demais. Neste mundo, existe algo que eu, Fan Wei, não consiga resolver?” Fan Wei se gabava, aproveitando que Ling Yu não estava ali.
“Deixa de se gabar. Viemos aqui não só pra comer, temos outro motivo,” interrompeu Lin Hang, mudando o rumo da conversa para o verdadeiro propósito da visita.
Fan Wei respondeu: “Fica tranquilo, Hang, aqui em Qianlai não existe nada impossível pra mim. É só descobrir quem é esse tal deus das bicicletas, já mandei gente investigar, logo logo teremos notícias.”
“Estranho mesmo é tudo isso ter acontecido aqui e você não saber quem é,” retrucou Lin Hang.
Na verdade, ele trouxe tantos amigos e todos de bicicleta, não para passear, mas para encontrar alguém!
Fan Wei pensava consigo mesmo: “Ora, isso aconteceu foi numa das aldeias, não na rua principal, como eu ia saber?” Claro que não disse isso em voz alta, para não perder a pose.
“Hang, ontem o tal deus das bicicletas apostou corrida na vila ao lado. Eu não sou de lá! Qianlai tem mais de dez vilas, não é fácil achar alguém de uma hora pra outra,” justificou-se.
E Lin Hang só decidiu procurar o tal deus das bicicletas na hora do almoço, então não deu tempo para se preparar melhor.
Lin Hang suspirou: “Tudo bem, mas depois do jantar tem que encontrar esse cara. Vim de tão longe, comer esse peixe delicioso foi ótimo, mas quero mesmo é ver meu ídolo!”
“Pode deixar, ele também é meu ídolo. Vou encontrar, custe o que custar!” garantiu Fan Wei, sorrindo amarelo.
No início achou que seria fácil: era só perguntar na delegacia. Mas lá disseram que o tal deus não queria ser identificado, e não revelaram nada.
Por isso teve que mandar gente procurar por toda parte...
...
Os demais pratos foram servidos lentamente, e Ling Yu trouxe, por fim, o peixe ao vapor preparado por ele mesmo.
Mas ao experimentarem o peixe, todos perderam o controle, disputando cada pedaço sem vergonha alguma. Até os homens que estavam acompanhados não hesitaram em brigar com as namoradas pelo último bocado.
A cena deixou todos boquiabertos, tamanha era a voracidade.
Após devorarem o banquete, ninguém conseguia esquecer o sabor e todos imploravam para que Ling Yu preparasse mais.
Mas ele informou que não seria possível, não por falta de temperos, mas porque o peixe havia acabado!
Depois de preparar o prato principal para cada mesa, além dos peixes cozidos e fritos, não restara quase nada.
No fim, Ling Yu serviu doze peixes para eles, o que já lhe rendeu um bom lucro.
Havia ainda alguns lagostins enormes, pescados por ele mesmo, que também viraram prato especial. Assim, os trezentos clientes gastaram juntos cento e sessenta e sete mil e cem, incluindo dois mil de sinal. Deram ainda uma gorjeta, arredondando o valor para cento e cinquenta mil.
De uma hora para outra, Ling Yu e sua família estavam rindo à toa, um faturamento daqueles, que Lin Ping jamais sonhara, pois levaria sete ou oito anos de trabalho duro para conseguir o mesmo.
Depois do jantar, já passava das sete da noite, e mesmo assim Lin Hang e companhia não davam sinal de que iriam embora. Ling Yu começou a estranhar: tanta gente assim, será que as pousadas de Qianlai dariam conta?
Será que pretendiam se hospedar na casa dele?
Aproximou-se então e disse: “Ainda não estão satisfeitos? Vão ficar para comer churrasco mais tarde?”
À noite, o churrasco era o mais procurado, mas com tanta gente ocupando as mesas, o movimento do restaurante seria prejudicado. Se não fosse a gorjeta generosa, Ling Yu já teria pedido que se retirassem.
“Yu, estamos esperando por alguém. Daqui a pouco vamos embora,” disse Fan Wei, já tratando Ling Yu com toda a bajulação possível, na esperança de garantir futuras refeições.
Ling Yu não tinha intenção de fazer sala: “Esperando quem?”
Lin Hang interveio, já um pouco impaciente: “Pois é, nem eu sei quem ele está esperando. Como é que o seu amigo faz as coisas desse jeito? Estamos aqui há horas e nada desse tal deus das bicicletas aparecer!”
“Deus das bicicletas?” Ling Yu revirou os olhos. Estavam todos de complô para enrolá-lo? Aqui, nesse fim de mundo, ia ter um deus das bicicletas?
“Calma, Hang, vou ligar pra cobrar,” respondeu Fan Wei, sacando o celular dourado. Mas antes mesmo de discar, um rapaz entrou correndo pela porta.
Os olhos de Fan Wei brilharam: “Hang, falar no diabo... olha ele aí!”
“Xiaotian, como demorou tanto? Achou ou não achou a pessoa?”
“Eu... eu...” O jovem chamado Xiaotian arfava, exausto, e fez sinal para Fan Wei esperar.
Fan Wei, ainda mais ansioso, insistiu: “Afinal, encontrou ou não encontrou o deus das bicicletas? Num lugar tão pequeno não consegue achar uma pessoa, pra que te pago?”
Xiaotian, quase chorando, respirou fundo, levantou a cabeça com dificuldade e, como se tivesse engolido algo amargo, finalmente conseguiu dizer, entrecortadamente: “Ele... ele...”
Ao mesmo tempo, apontou para um canto.
Fan Wei, quase arrancando os cabelos: “Ele? Quem? Eu quero saber onde está o deus das bicicletas!”
(Hoje capítulo triplo, um às duas e outro às oito. Não esqueçam de recomendar e apoiar!)