Capítulo 31: Dona de Casa Virtuosa, Desatando as Vestes!

O Retorno do Deus da Morte Caminhando pela noite eterna 4752 palavras 2026-03-04 19:31:15

— Irmã Shen, você bebeu demais hoje. Não é seguro voltar sozinha. Que tal ligar para alguém da sua família vir te buscar? — sugeriu Ning Qinxue, segurando Shen Yanzhi, preocupada após confirmar sua identidade com Ning Chen e Ye Qinglong.

Os olhos de Shen Yanzhi estavam turvos pelo álcool, mas ela permanecia relativamente lúcida. Ela balançou a cabeça: — Não é necessário.

Ning Qinxue, ainda inquieta, insistiu: — Então, pelo menos, deixa meu irmão te acompanhar até em casa?

— Não precisa — respondeu Shen Yanzhi, afastando-se sozinha.

Logo que Shen Yanzhi partiu, um grupo de homens também pagou a conta e saiu, parecendo segui-la discretamente.

— Irmão, vai atrás dela e dá uma olhada — pediu Ning Qinxue a Ning Chen, explicando que, certa vez, quando enfrentaram problemas burocráticos no restaurante de churrasco, Shen Yanzhi as ajudou e que é preciso ser grato. Preocupava-se que alguém pudesse se aproveitar do estado de Shen Yanzhi.

— Mana, você sabe quem ela é? — perguntou Ning Chen.

— Não, só sei que se chama Shen. Não parece ser alguém comum, mas nunca fui além — respondeu Ning Qinxue, demonstrando discernimento; sentia gratidão, mas não invadia a privacidade alheia.

— Tudo bem, não se preocupe. Se ela já te ajudou, não deixarei que nada lhe aconteça — tranquilizou Ning Chen com um sorriso.

Pediu que Ye Qinglong ficasse ajudando no restaurante enquanto ele seguia sozinho.

Na verdade, Ning Chen não pretendia se envolver com Shen Yanzhi. Mesmo conhecendo sua origem — da família Shen da Capital, ex-vice-diretora do Departamento Dragão de Jiangnan, e atual vice-prefeita de Chuzhou —, nada disso tinha a ver com ele. Mas, a pedido da irmã, e sabendo que Shen Yanzhi já a ajudara duas vezes, Ning Chen não ficaria indiferente. Afinal, sua irmã era sua única família naquele mundo, e qualquer um que fosse bom para ela, teria sua gratidão multiplicada.

Shen Yanzhi deixou o restaurante e seguiu pela Avenida Beira-Rio, caminhando sozinha à margem do rio. Os olhos marejados, lágrimas corriam silenciosas por seu rosto.

“Por quê? Por que todos me forçam a me casar com aquele canalha?”

Sussurrou, quase sem voz.

Nesses últimos anos, ela experimentara o lado cruel das relações humanas e sentira o que era o frio do mundo. Quando ainda era a filha prodígio, com menos de trinta anos já havia rompido as amarras dos grandes mestres, quase atingindo o nível supremo das artes marciais, sendo vice-diretora do Departamento Dragão de Jiangnan, sua família a tratava como uma líder da nova geração, atendendo a todos os seus pedidos e investindo com afinco em seu futuro.

Casamento arranjado? Jamais cogitaram para ela.

Porém, desde que se feriu gravemente, perdendo toda sua habilidade marcial, e a família concluiu que ela jamais se recuperaria, tudo mudou de uma noite para o dia. Em vez de encontrar conforto, foi descartada. Usaram todos os recursos para colocar outro membro da família em seu antigo cargo.

Ela foi tratada como peça descartável.

Para famílias como a dos Shen, as mais poderosas do país no mundo marcial, não ser uma guerreira significava perder voz, não ser mais parte do núcleo, tornando-se, na melhor das hipóteses, moeda de troca para alianças, aproveitando apenas sua beleza.

Ela não se conformava.

Firmou uma aposta com a família: teria três anos em Chuzhou para mostrar seu valor. Se conseguisse, com suas próprias forças, uma promoção para um cargo de destaque na capital de Jiangnan, a família não a forçaria a se casar, mas lhe daria autonomia, permitindo que, mesmo sem cultivo marcial, pudesse se destacar por suas próprias habilidades.

Desde que chegou a Chuzhou, alcançou várias conquistas graças à sua competência. Mas havia sempre alguém a sabotando — seus méritos raramente eram reconhecidos. Ela sabia bem: velhos membros da família Shen interferiam, porque um canalha se interessara por ela e pretendiam usá-la para uma aliança.

O benefício de um casamento arranjado para a família era incomparável.

O vento frio do rio, junto ao efeito do álcool, fez sua cabeça girar. E, para piorar, as dores antigas em seu corpo voltaram à tona.

Sentou-se rapidamente num banco à beira da calçada e logo desmaiou.

Enquanto isso, três rapazes de cabelo tingido — os mesmos que haviam saído atrás dela do restaurante — se aproximaram apressados.

— Finalmente desmaiou. Quem diria que hoje daríamos tanta sorte! Uma mulher dessas é um presente dos deuses.

— Dona de casa refinada, madura como um pêssego suculento... só de pensar já fico empolgado!

— Chega de conversa, vamos logo. Quero levá-la pra um hotel, não aguento mais!

— Quem começa primeiro?

— Você é idiota? Por que não juntos?

— Deixa eu pelo menos passar a mão antes!

Os três exibiam sorrisos lascivos, excitados. Mas, ao se aproximarem, ouviram uma voz gélida atrás de si:

— Se não querem morrer, sumam daqui.

O tom era tão frio que fez os três estremecerem.

— Quem está aí?

Eles se viraram e viram um jovem de postura imponente e olhar severo, aproximando-se lentamente. Seus olhos brilhavam como estrelas geladas, encarando-os de modo a provocar um medo instintivo.

— É aquele garçom do restaurante.

Logo perceberam quem era Ning Chen.

— Um garçom de churrascaria quer nos atrapalhar? Que piada!

— Essa mulher foi nossa escolha. Quem é você pra se meter, seu Zé Ninguém?

Reconhecendo Ning Chen como “apenas” um garçom, perderam o medo e partiram para cima dele, prontos para dar-lhe uma surra.

— Se querem morrer, então atenderei ao pedido de vocês — murmurou Ning Chen.

Porém, ao preparar-se para matá-los, mudou de ideia. Limitou-se a dar em cada um um tapa tão forte que os lançou a sete ou oito metros de distância, fazendo-os gritar de dor; um deles, inclusive, caiu e quebrou um osso.

— Fora daqui.

O olhar de Ning Chen era glacial. Os três, aterrorizados, perderam toda a arrogância e fugiram sem sequer ameaçar revidar.

Não era por piedade que Ning Chen poupava suas vidas, mas por prudência. Havia muitas câmeras e transeuntes por ali. Se matasse alguém em público, por mais que não se importasse pessoalmente, não queria trazer problemas para sua irmã e o cunhado. Eles haviam investido tudo no restaurante; se a polícia aparecesse por algo assim, prejudicaria o negócio — e isso Ning Chen não queria.

Afinal, quando eliminou os homens da família Sun, ninguém soube; quando matou o guarda-costas de Chen Yanran, a família Chen cuidou de tudo; ao eliminar os homens de Zhou Shihao, o próprio Zhou cuidou. Mas aqui, seria diferente. Sem quem limpasse a bagunça, teria que pensar nas consequências para a irmã.

Após lidar com os três, chamou a atenção de alguns, incluindo um senhor que corria pela Avenida Beira-Rio e, vendo Ning Chen se aproximar de Shen Yanzhi desacordada, perguntou, apreensivo:

— Jovem, não vai fazer nada errado, vai?

Ning Chen sorriu:

— O senhor acha que pareço bandido?

— De fato, não parece — respondeu o idoso, balançando a cabeça.

— Ela é minha irmã, pode ficar tranquilo.

Satisfeito, o senhor cancelou discretamente a ligação para a polícia e seguiu seu caminho.

— Você é mesmo de sorte. Ainda existem pessoas boas no mundo — murmurou Ning Chen, olhando para Shen Yanzhi desmaiada, como se se referisse tanto ao idoso quanto a si próprio.

Em seguida, ajudou Shen Yanzhi a se levantar. Como ela estava inconsciente, não havia como descobrir seu endereço, então a carregou nos braços, segurando sua cintura e pernas, e a levou a um hotel próximo, onde alugou um quarto.

Assim que entraram no quarto, Shen Yanzhi vomitou. Por sorte, Ning Chen foi ágil e conseguiu evitar que o vômito o atingisse, mas ela acabou toda suja.

Ning Chen suspirou.

Se não fosse pelo pedido da irmã — e pelo fato de Shen Yanzhi tê-la ajudado —, teria ido embora naquele momento. Mas, vendo o estado lamentável dela, permaneceu.

— Só vou tirar suas roupas para que não fique desconfortável. Amanhã, é melhor não vir reclamar — murmurou consigo mesmo.

Cuidadosamente, ele foi desabotoando a camisa de Shen Yanzhi, evitando as partes sujas. A camisa, já apertada, mal continha os seios fartos, evidenciando a silhueta. Ao abrir alguns botões, a brancura acetinada da pele e o profundo decote criaram um impacto visual intenso.

No começo, Ning Chen não se sentiu afetado, mas aquele momento o fez respirar mais rápido. Principalmente considerando quem era aquela mulher: herdeira da família Shen da Capital, ex-vice-diretora do Departamento Dragão em Jiangnan, antiga guerreira, vice-prefeita de Chuzhou — um conjunto de títulos que despertava um certo desejo de conquista.

Afinal, pensar que aquela mulher sempre digna, imponente, agora estava ali, semi-exposta diante dele, era realmente excitante.

Ning Chen respirou fundo, tentando controlar o ímpeto. Em vez de hesitar, agiu rapidamente: tirou a camisa e a calça de Shen Yanzhi, pois estavam sujas e cheirando a álcool. Deixá-la dormir assim seria cruel.

Logo, ela estava apenas de lingerie preta rendada, típica de uma mulher madura e sofisticada. Isso quase fez Ning Chen perder o controle novamente.

Apressou-se em colocá-la na cama, cobrindo-a com o edredom, para evitar mais tentações.

— Ufa...

Suspiro de alívio.

Virou-se para sair, mas percebeu que Shen Yanzhi franzia a testa, o rosto tomado pela dor.

Franziu o cenho, voltou e, tirando um dos braços dela debaixo do cobertor, apalpou seu pulso.

— São as antigas lesões internas, que nunca a deixaram em paz.

Ning Chen entendeu que o desmaio não se devia apenas ao álcool, mas também ao agravamento dessas lesões. A combinação dos dois a fez desmaiar.

— Bem, já que você ajudou minha irmã, concederei este favor.

Sem hesitar, tirou de seu anel de armazenamento algumas agulhas de prata e executou a técnica ancestral da Agulha Celestial.

Em pouco tempo, trinta e seis agulhas estavam inseridas em pontos específicos do corpo de Shen Yanzhi. Ning Chen, sem tocá-la, canalizou sua energia vital pelas agulhas, seguindo a técnica secreta, promovendo a restauração dos meridianos e curando as lesões ocultas.

O processo durou cerca de dez minutos. Exausto, recolheu as agulhas e as guardou novamente.

A operação exigiu muito de sua energia, pois havia dentro de Shen Yanzhi uma força misteriosa que constantemente sabota seu corpo — o verdadeiro desafio. Era preciso removê-la sem causar-lhe mais danos.

— Pelo visto, as feridas dessa irmã Shen não foram causadas por gente comum — pensou.

Depois, pegou o cobertor para cobrí-la, mas antes, não resistiu: deu um tapa leve em seu traseiro empinado, sentindo a maciez que o fez estremecer.

— Considere como pagamento da consulta — riu consigo mesmo.

Afinal, para eliminar completamente a força misteriosa e restaurar os meridianos de Shen Yanzhi, ainda seriam necessárias ao menos mais duas sessões.

Cobriu-a, então pegou um bloco de anotações do hotel e escreveu: “Se quiser se curar totalmente, venha amanhã às oito da noite ao Churrasco Lira.”

E ainda acrescentou: “Ah, e tirei suas roupas porque você se sujou toda.”

Deixou o bilhete ao lado do travesseiro antes de sair silenciosamente do hotel.