Capítulo 9: O Desespero da Irmã
— Você tem que pedir desculpas à minha esposa.
Ao ouvir essas palavras, Jacó ficou tomado de fúria. Ele rapidamente colocou Nívea atrás de si, protegendo-a, e fitou Adriana com olhos cheios de ódio.
No entanto, Adriana ignorou completamente suas palavras. Pelo contrário, seus olhos percorreram Jacó de cima a baixo, e ela comentou com desprezo:
— Você tem um gosto bem exótico, não? Casar com uma mulher tão feia...
Ela riu, zombeteira:
— Bem, pelo menos o corpo dela é aceitável. À noite, com as luzes apagadas, talvez você até se divirta, não é?
Jacó não conseguiu mais se controlar ao ouvir isso.
— Você passou dos limites!
Ele ergueu a mão e tentou desferir um tapa no rosto de Adriana, o único recurso que lhe restava para defender a honra da esposa, já que não tinha poder nem influência.
Mas antes que sua mão chegasse ao destino, um dos seguranças ao lado de Adriana interveio rapidamente, segurando o pulso de Jacó.
— Atacar nossa senhora? Quer morrer?
O olhar do segurança era letal.
— Amor, não faça isso! — Nívea segurou Jacó com desespero, temendo que ele se machucasse ou acabasse preso de novo, dessa vez por anos. Temia também que ele saísse em desvantagem.
— Prendam-no. E controlem aquela mulher também — ordenou Adriana. — Arranquem a máscara e a bandagem dela, quero ver aquela cara horrenda. Quero ver o quanto ela está repugnante agora.
Os seguranças imediatamente começaram a agir.
— Não toquem na minha esposa! Eu vou acabar com vocês! — Jacó lutava desesperadamente.
Mas ele era apenas um homem comum, enquanto os seguranças de Adriana eram ex-mercenários, e facilmente o imobilizaram no chão. Até a mãe de Jacó foi contida.
— Não... Por favor, não machuquem elas. Se querem me humilhar, tudo bem, mas não toquem nela... — Nívea, com voz trêmula e lágrimas nos olhos, ergueu as mãos trêmulas e começou a tirar a máscara, seguida da bandagem que lhe cobria o rosto.
Ela cerrava os dentes, suportando toda a humilhação, mesmo sabendo que seria motivo de riso e escárnio. Nada disso importava, desde que sua família permanecesse a salvo. Ela já tinha perdido tudo uma vez, não suportaria uma segunda tragédia.
— Muito bem, mostre esse rosto horrendo para todos e eu deixo eles em paz — disse Adriana, satisfeita.
Ela queria apenas humilhar Nívea, divertir-se um pouco. Se conseguisse isso, não se importava em deixar Jacó e a mãe dele irem embora.
— Não faça isso, amor! Não a escute! — Jacó gritava, as veias saltando do pescoço, mas por mais que tentasse, não conseguia se libertar. O desespero o consumia.
Nívea mordeu os lábios, fechou os olhos e duas lágrimas silenciosas deslizaram por seu rosto. Com movimentos decididos, ela retirou a bandagem.
Silêncio.
Naquele instante, todos ficaram mudos, encarando Nívea, estupefatos com sua beleza.
Nívea manteve os olhos fechados, segurando a bandagem nas mãos, como se caminhasse para a morte. Mas, ao contrário do que temia, não ouviu risos, nem zombarias, nem insultos.
O que ouviu foi o grito surpreso de Adriana:
— Não é possível!
— Você não está desfigurada?
Adriana rangeu os dentes de raiva.
Não desfigurada?
Nívea sentiu o corpo estremecer. Abriu os olhos e viu Adriana tomada de inveja e fúria.
— Nívea, seu rosto... Como está curado? — até a mãe de Jacó mal podia acreditar no que via.
Jacó, por sua vez, parou de lutar. Olhava para Nívea chocado.
Então Nívea se lembrou do que Nicanor lhe dissera: que ao amanhecer, seu rosto estaria normal outra vez. Mas, naquela manhã, mal haviam acordado e já tinham recebido a ligação do hospital, vindo às pressas sem tempo nem para se olhar no espelho.
Tremendo e ansiosa, Nívea tocou o próprio rosto.
Macio.
Suave.
Nenhum sinal das cicatrizes grotescas e rugosas de antes.
Ela ficou atônita.
— É real?
— Meu rosto... está mesmo curado?
Murmurou entre lágrimas, mordendo os lábios, as lágrimas transbordando de seus olhos.
Durante sete anos, ela aprendera a aceitar sua feiura, mas sempre foi bela, uma mulher, e não podia deixar de se importar com sua aparência. Nunca imaginou que um dia voltaria a ser como antes...
Adriana sempre acreditou que Nívea estava desfigurada, condenada a viver à margem da sociedade, pior que um cão. Descobrir agora que ela continuava tão linda quanto antes era insuportável.
Furiosa, ordenou:
— Peguem-na! Usem a faca, destruam o rosto dela!
Um dos seguranças hesitou:
— Senhora, estamos num hospital, em público... Tem certeza?
Adriana bradou:
— E daí? Existe alguma coisa nesta cidade que a família Andrade não possa resolver? Não importa as consequências, eu assumo!
— Sim, senhora! — respondeu o segurança, sem mais hesitar.
Um deles sacou uma faca militar da cintura e avançou em direção a Nívea.
— Não! — gritou Jacó. — Se encostar nela, eu acabo com você!
De repente, uma força descomunal pareceu explodir dentro de Jacó. Ele se libertou da imobilização e correu com tudo contra o segurança armado.
Mas Jacó não tinha treinamento; o segurança, experiente, girou o corpo e desferiu um chute que poderia inutilizá-lo para sempre.
Porém, nesse exato momento, uma figura surgiu como um raio. Antes que o segurança pudesse reagir, foi atingido como por um trem em alta velocidade; ouviu-se o estalo seco de ossos partindo e ele foi lançado longe.
Ainda no ar, o segurança cuspiu sangue, e, ao cair no chão, já estava morto.
Nicanor estendeu a mão e, com um gesto, a faca militar voou diretamente para sua palma.
Antes que alguém pudesse reagir, Nicanor deslizou a lâmina pelo rosto de Adriana.