Capítulo 9: O Desespero da Irmã

O Retorno do Deus da Morte Caminhando pela noite eterna 2247 palavras 2026-03-04 19:30:55

— Você tem que pedir desculpas à minha esposa.

Ao ouvir essas palavras, Jacó ficou tomado de fúria. Ele rapidamente colocou Nívea atrás de si, protegendo-a, e fitou Adriana com olhos cheios de ódio.

No entanto, Adriana ignorou completamente suas palavras. Pelo contrário, seus olhos percorreram Jacó de cima a baixo, e ela comentou com desprezo:

— Você tem um gosto bem exótico, não? Casar com uma mulher tão feia...

Ela riu, zombeteira:

— Bem, pelo menos o corpo dela é aceitável. À noite, com as luzes apagadas, talvez você até se divirta, não é?

Jacó não conseguiu mais se controlar ao ouvir isso.

— Você passou dos limites!

Ele ergueu a mão e tentou desferir um tapa no rosto de Adriana, o único recurso que lhe restava para defender a honra da esposa, já que não tinha poder nem influência.

Mas antes que sua mão chegasse ao destino, um dos seguranças ao lado de Adriana interveio rapidamente, segurando o pulso de Jacó.

— Atacar nossa senhora? Quer morrer?

O olhar do segurança era letal.

— Amor, não faça isso! — Nívea segurou Jacó com desespero, temendo que ele se machucasse ou acabasse preso de novo, dessa vez por anos. Temia também que ele saísse em desvantagem.

— Prendam-no. E controlem aquela mulher também — ordenou Adriana. — Arranquem a máscara e a bandagem dela, quero ver aquela cara horrenda. Quero ver o quanto ela está repugnante agora.

Os seguranças imediatamente começaram a agir.

— Não toquem na minha esposa! Eu vou acabar com vocês! — Jacó lutava desesperadamente.

Mas ele era apenas um homem comum, enquanto os seguranças de Adriana eram ex-mercenários, e facilmente o imobilizaram no chão. Até a mãe de Jacó foi contida.

— Não... Por favor, não machuquem elas. Se querem me humilhar, tudo bem, mas não toquem nela... — Nívea, com voz trêmula e lágrimas nos olhos, ergueu as mãos trêmulas e começou a tirar a máscara, seguida da bandagem que lhe cobria o rosto.

Ela cerrava os dentes, suportando toda a humilhação, mesmo sabendo que seria motivo de riso e escárnio. Nada disso importava, desde que sua família permanecesse a salvo. Ela já tinha perdido tudo uma vez, não suportaria uma segunda tragédia.

— Muito bem, mostre esse rosto horrendo para todos e eu deixo eles em paz — disse Adriana, satisfeita.

Ela queria apenas humilhar Nívea, divertir-se um pouco. Se conseguisse isso, não se importava em deixar Jacó e a mãe dele irem embora.

— Não faça isso, amor! Não a escute! — Jacó gritava, as veias saltando do pescoço, mas por mais que tentasse, não conseguia se libertar. O desespero o consumia.

Nívea mordeu os lábios, fechou os olhos e duas lágrimas silenciosas deslizaram por seu rosto. Com movimentos decididos, ela retirou a bandagem.

Silêncio.

Naquele instante, todos ficaram mudos, encarando Nívea, estupefatos com sua beleza.

Nívea manteve os olhos fechados, segurando a bandagem nas mãos, como se caminhasse para a morte. Mas, ao contrário do que temia, não ouviu risos, nem zombarias, nem insultos.

O que ouviu foi o grito surpreso de Adriana:

— Não é possível!

— Você não está desfigurada?

Adriana rangeu os dentes de raiva.

Não desfigurada?

Nívea sentiu o corpo estremecer. Abriu os olhos e viu Adriana tomada de inveja e fúria.

— Nívea, seu rosto... Como está curado? — até a mãe de Jacó mal podia acreditar no que via.

Jacó, por sua vez, parou de lutar. Olhava para Nívea chocado.

Então Nívea se lembrou do que Nicanor lhe dissera: que ao amanhecer, seu rosto estaria normal outra vez. Mas, naquela manhã, mal haviam acordado e já tinham recebido a ligação do hospital, vindo às pressas sem tempo nem para se olhar no espelho.

Tremendo e ansiosa, Nívea tocou o próprio rosto.

Macio.

Suave.

Nenhum sinal das cicatrizes grotescas e rugosas de antes.

Ela ficou atônita.

— É real?

— Meu rosto... está mesmo curado?

Murmurou entre lágrimas, mordendo os lábios, as lágrimas transbordando de seus olhos.

Durante sete anos, ela aprendera a aceitar sua feiura, mas sempre foi bela, uma mulher, e não podia deixar de se importar com sua aparência. Nunca imaginou que um dia voltaria a ser como antes...

Adriana sempre acreditou que Nívea estava desfigurada, condenada a viver à margem da sociedade, pior que um cão. Descobrir agora que ela continuava tão linda quanto antes era insuportável.

Furiosa, ordenou:

— Peguem-na! Usem a faca, destruam o rosto dela!

Um dos seguranças hesitou:

— Senhora, estamos num hospital, em público... Tem certeza?

Adriana bradou:

— E daí? Existe alguma coisa nesta cidade que a família Andrade não possa resolver? Não importa as consequências, eu assumo!

— Sim, senhora! — respondeu o segurança, sem mais hesitar.

Um deles sacou uma faca militar da cintura e avançou em direção a Nívea.

— Não! — gritou Jacó. — Se encostar nela, eu acabo com você!

De repente, uma força descomunal pareceu explodir dentro de Jacó. Ele se libertou da imobilização e correu com tudo contra o segurança armado.

Mas Jacó não tinha treinamento; o segurança, experiente, girou o corpo e desferiu um chute que poderia inutilizá-lo para sempre.

Porém, nesse exato momento, uma figura surgiu como um raio. Antes que o segurança pudesse reagir, foi atingido como por um trem em alta velocidade; ouviu-se o estalo seco de ossos partindo e ele foi lançado longe.

Ainda no ar, o segurança cuspiu sangue, e, ao cair no chão, já estava morto.

Nicanor estendeu a mão e, com um gesto, a faca militar voou diretamente para sua palma.

Antes que alguém pudesse reagir, Nicanor deslizou a lâmina pelo rosto de Adriana.