Capítulo 47 — Assustado até perder a coragem
O cano escuro da arma apontava para si, o perigo iminente da morte pairava, e toda a fúria de Liu Wen desapareceu instantaneamente, dando lugar ao medo absoluto.
— Ning Chen, eu... eu sou seu tio Liu, fui irmão de seu pai por muitos anos... — Liu Wen apressou-se a falar, os lábios tremendo.
Um disparo ecoou.
A bala cortou o ar.
— Aaaaah! — Liu Wen gritou de terror, perdendo o controle de si mesmo.
Demorou alguns instantes até perceber.
— Não morri? — Apalpou o corpo, buscando ferimentos, mas não havia dor, nem sangue. Aliviado, sentiu-se afortunado por ter escapado da morte.
Logo, percebeu que a região da virilha estava molhada, acompanhada por um odor pungente de urina.
O rosto de Liu Wen ficou lívido.
Diante de todos os convidados, urinara de medo. A vergonha o fez desejar sumir dali.
Mas a sensação logo foi substituída por uma raiva ardente.
— Está zombando de mim? — fitou Ning Chen com ódio.
— E se eu estiver? — Ning Chen sorriu friamente.
Liu Wen cerrou os punhos, frustrado ao extremo.
Sim, e se Ning Chen o estivesse humilhando? Diante daquele cano escuro, teria coragem de reagir? Jamais!
E quanto aos seguranças do hotel? Uma vergonha! Com mortos no local e o adversário armado, todos se esconderam, incapazes de agir.
Liu Wen não podia contar com eles.
Só lhe restava esperar que alguém das quatro grandes famílias viesse em seu socorro.
Foi então que, finalmente, uma voz soou em seu comunicador:
— Entre os convidados, há uma equipe de mercenários, veteranos de inúmeras batalhas. O comando está sob seu controle; basta um gesto e eles atacarão Ning Chen. Agora, tente atrair a atenção de Ning Chen.
Ao ouvir isso, Liu Wen esboçou um sorriso de esperança, logo substituído por um olhar de rancor.
"Ning Chen, quero que você morra junto com meu filho!"
Em pensamento, Liu Wen rugia.
Fitou Ning Chen, rangendo os dentes:
— Ning Chen, quer saber como seus pais morreram?
Enquanto falava, levantou lentamente a mão. Bastava Ning Chen responder, e ele daria a ordem para que os mercenários das quatro famílias atacassem.
Mais disparos ecoaram.
Surpreendendo Liu Wen, Ning Chen não respondeu, apenas o observou, sem mover a cabeça. Mas apertou o gatilho várias vezes.
Em poucos segundos, sete pessoas caíram mortas no salão, todas atingidas na testa.
Ning Chen disparou contra a multidão, matando pessoas, o que fez muitos convidados gritarem e correrem em pânico.
O carregador estava vazio.
Ye Qinglong imediatamente recarregou.
Mais três disparos.
Os três mercenários restantes, que haviam acabado de sacar suas armas, foram abatidos.
Ao mesmo tempo, um som abafado ressoou, oculto pela confusão.
Era um rifle de precisão com silenciador.
No entanto, Ning Chen ergueu a arma e disparou.
Algo digno de um filme aconteceu: a bala da pistola colidiu com a do rifle no ar, explodindo ambas.
— Como é possível? — O atirador escondido, surpreso, não teve tempo para um segundo disparo, pois uma bala voou em direção à sua testa, matando-o instantaneamente.
— Como é possível? — pensou, perplexo, antes de morrer. Não conseguia entender como Ning Chen, com uma simples pistola austríaca Glock 18, de alcance limitado, conseguira um disparo tão preciso e distante, algo impossível até para o melhor atirador do mundo.
Não era questão de habilidade, mas de conhecimento profundo sobre armas. Ele sabia que, teoricamente, era impossível acertar um alvo a duzentos metros com aquela arma; mas nunca descobriria a resposta. Morreu com os olhos abertos.
O salão estava em tumulto.
Ye Qinglong então bradou:
— Silêncio!
A voz, como um trovão, atordoou os convidados, provocando dor nos ouvidos e impondo respeito. O caos cessou instantaneamente.
O olhar de Ning Chen permaneceu fixo em Liu Wen.
— Os mercenários estão mortos. E agora, qual será sua próxima jogada? — Ning Chen falou friamente.
Um demônio! Um verdadeiro demônio!
Liu Wen estava à beira do colapso.
Mercenários?
Só então os convidados perceberam que Ning Chen não matara inocentes, mas sim mercenários.
Notaram que todos os mortos carregavam armas e outros equipamentos, ficando aliviados ao compreender.
O tempo passou.
Um segundo.
Dois segundos.
Três segundos.
Dez segundos se foram.
Ning Chen voltou a falar:
— Se não tem mais recursos, é hora de partir.
Ergueu a arma, apontando para Liu Wen.
— Não, não me mate! — Liu Wen, aterrorizado, caiu de joelhos diante de Ning Chen, implorando por misericórdia.
— Se não quer morrer, vá até os representantes das famílias Chen, Zhao, Yuan e Yang na sala ao lado, mate-os e eu pouparei sua vida por ora. — Ning Chen lançou a pistola aos pés de Liu Wen.
O rosto de Liu Wen mudou novamente.
Ning Chen sabia que os líderes das quatro famílias estavam ali? E queria que Liu Wen os matasse?
Cheio de rancor, Liu Wen pegou a pistola e apontou para Ning Chen, com um sorriso cruel:
— Ning Chen, agora a arma está comigo...
Antes que terminasse a frase, uma força tremenda o lançou para trás.
No ar, cuspiu sangue.
— E daí que está contigo? — Ning Chen olhou para Liu Wen.
Não o matou, mas o aterrorizou profundamente.
Liu Wen, trêmulo, fitava Ning Chen com medo absoluto.
Ning Chen chutou a pistola novamente para perto de Liu Wen:
— Dou-lhe mais uma chance: morra ou mate-os.
Liu Wen, como um louco, pegou a arma e correu para a sala das quatro famílias.
Ye Qinglong já havia removido todos os obstáculos.
Liu Wen avançou sem resistência.
— Liu Wen, você ousa? — gritaram.
— Se disparar, a família Yuan fará você desaparecer! — ameaçaram.
— Você enlouqueceu! — vociferaram.
Entre insultos e ameaças, tiros ressoaram.
Liu Wen esvaziou o carregador.
Os líderes das quatro famílias caíram em meio ao sangue.
Instantes depois, Liu Wen retornou, desolado, repetindo:
— Eu os matei, eu os matei, eu os matei...
Os convidados prenderam a respiração.
Já tinham ouvido Ning Chen mencionar que, na sala ao lado, estavam os representantes das quatro famílias, com status elevado.
Liu Wen os matou? Enlouqueceu!
Tudo aquilo era inacreditável, aterrorizante.
Não importava o que fariam com Ning Chen, Liu Wen, por ter matado os grandes líderes, jamais seria perdoado pelas famílias.
Liu Wen e a família Liu estavam condenados ao esquecimento.
Cumpria-se a profecia de Ning Chen: depois de hoje, não haverá mais família Liu.
— Esta urna ficará para seu filho recolher os restos.
— E boa sorte!
Ning Chen lançou um olhar a Liu Wen, saiu acompanhado de Ye Qinglong.
Logo, o episódio do Hotel Coroa espalhou-se por toda Chu Zhou, deixando a cidade em choque.