Capítulo 41 – Recuperação no Quarto Secreto
A casa de Shen Yanzhi surpreendeu Ning Chen; ao contrário do que ele imaginava, não era fria ou monótona, mas sim delicada e acolhedora, condizendo perfeitamente com a personalidade dela: limpa, organizada, sem qualquer sinal de desordem.
— Vou tomar um banho primeiro — disse Shen Yanzhi, servindo um copo de água para Ning Chen antes de se dirigir ao banheiro.
Dez minutos depois, ela reapareceu usando uma camisola leve e fina, e perguntou:
— O que fazemos agora?
— Vamos para o seu quarto — respondeu Ning Chen, levantando-se.
Shen Yanzhi franziu levemente a testa. Percebendo sua hesitação, Ning Chen acrescentou:
— Se preferir, pode deitar no sofá.
Desde que atingira a maioridade, Shen Yanzhi nunca permitira que um homem entrasse em seu quarto, nem mesmo crianças, tampouco seu próprio pai. Ainda assim, soltou um leve suspiro e disse:
— No sofá não seria tão prático, melhor irmos para o quarto.
Tratar seus ferimentos era uma questão vital, não podia haver margem para erro. Abriu a porta do quarto e entrou primeiro. Ning Chen não se incomodou e a seguiu.
— Tire a roupa e deite-se na cama — pediu Ning Chen.
Shen Yanzhi assentiu. Já estava preparada para isso, por isso vestira uma camisola solta e fácil de tirar após o banho. Com decisão, tirou a peça na frente dele, sem o constrangimento típico de outras mulheres.
A camisola escorregou por seu corpo alvo, e logo ela estava apenas com lingerie preta de renda, de costas para Ning Chen. Embora já não fosse mais uma praticante das artes marciais, sua percepção ainda era extraordinária. Sentiu-se um pouco desconfortável, como se um olhar ardente deslizasse por sua cintura e quadris — sabia que era o olhar de Ning Chen.
Mesmo preparada, não conseguiu evitar um leve rubor nas faces. Ainda assim, sem hesitar, respirou fundo e desabotoou o sutiã. Seus seios, exuberantes, pareceram se libertar, mas ela os cobriu habilmente com os braços. O sutiã não foi completamente retirado, apenas ficou pendurado nos ombros, revelando as costas alvas e suaves.
— A calcinha não precisa tirar, certo? — perguntou, deitando-se de bruços na cama, o rosto começando a esquentar.
— Na verdade, nem o sutiã seria preciso você tirar — disse Ning Chen.
O rosto de Shen Yanzhi congelou por um instante, e ela se esforçou para manter a calma:
— Então por que tirou meu sutiã ontem à noite?
Ao conhecer Ning Chen, ela descartou a possibilidade de ele ser um pervertido ou alguém que tiraria fotos para chantageá-la. Era boa em julgar pessoas e supôs que ele só tivera esse gesto para tratar seus ferimentos.
Mas, afinal, não foi isso?
Ning Chen franziu levemente os lábios:
— Quando foi que eu tirei seu sutiã?
— Não tirou? — o rosto de Shen Yanzhi mudou de expressão.
— Só tirei suas roupas sujas, jamais tiraria seu sutiã. Deve ter havido algum mal-entendido. Não quero ser confundido com um tarado.
— Se não foi você, então quem foi? — perguntou Shen Yanzhi, inquieta, sentando-se de supetão e olhando para Ning Chen. Só então percebeu que estava prestes a se expor, deitou-se novamente rapidamente.
Sentia-se abalada: como poderia ter tirado o sutiã estando inconsciente? Se não fora Ning Chen, teria sido outra pessoa?
— Já pensou que talvez você mesma tenha tirado, sem perceber, porque estava desconfortável dormindo? — sugeriu Ning Chen.
Shen Yanzhi ficou em silêncio, imóvel. Era, sem dúvida, a verdade.
Tinha um corpo exuberante, curvas generosas, especialmente o busto, quase pesado demais, mas firme, desenhando uma silhueta perfeita que despertava inveja em muitas mulheres — até mesmo numa amiga considerada uma verdadeira sedutora.
Essa amiga, uma vez, dissera que se fosse homem, morreria feliz entre os seios de Shen Yanzhi; depois, disse até que, mesmo sendo mulher, morreria feliz por eles.
Mas Shen Yanzhi não gostava tanto assim: para ela, seios grandes eram um incômodo, atrapalhavam seus movimentos, principalmente quando era uma exímia artista marcial e precisava de máxima agilidade.
O que para outros era um atributo sedutor, para ela era um empecilho. Além disso, em outros ambientes, frequentemente atraía olhares de estranhos para seu peito, o que a deixava desconfortável.
Por isso, costumava usar sutiãs menores, para comprimir um pouco, e preferia roupas mais conservadoras, que não marcassem o corpo. Nessas condições, dormir de sutiã não era confortável; ela sempre se habituara a dormir meio despida. Se Ning Chen não havia tirado, era bem provável que, dormindo, ela mesma o tivesse removido inconscientemente.
— Provavelmente foi isso — murmurou.
Deitou-se de bruços, a raiva se dissipando. Apesar de um leve embaraço, manteve uma expressão serena, sem demonstrar maiores alterações. E, sem abotoar o sutiã, declarou:
— Estou pronta.
Preferia enfrentar a situação de frente do que se esconder atrás de falsas reservas.
— Certo.
Ning Chen respirou fundo, reprimindo qualquer pensamento impróprio. Não era sua culpa: Shen Yanzhi possuía um corpo de tirar o fôlego, e naquela situação, meio descoberta, seria quase impossível não se sentir tentado. Só sendo um santo totalmente indiferente para não se abalar.
Além disso, desta vez, ela estava plenamente consciente, diferente da noite anterior, quando estava desmaiada. O estímulo psicológico era outro.
Mas, felizmente, Ning Chen não tinha segundas intenções. Praticou uma técnica de concentração para acalmar a mente e logo recuperou a compostura.
Pegou as agulhas de prata.
Usando a técnica da Agulha Sagrada do Céu Misterioso, inseriu trinta e seis agulhas nos pontos vitais de Shen Yanzhi. A energia vital fluía como fios de seda, percorrendo o corpo dela.
Shen Yanzhi sentiu imediatamente uma força diferente surgir em seu interior: misteriosa, poderosa, distinta da energia que costumava cultivar.
— Vai doer um pouco, aguente firme — avisou Ning Chen.
— Está bem — respondeu ela, com um leve aceno de cabeça.
Nos dez minutos seguintes, Ning Chen dedicou-se a reparar todos os meridianos danificados de Shen Yanzhi, eliminando com cuidado, sem causar danos, a força misteriosa que destruía seu corpo.
O processo exigia grande concentração de Ning Chen, consumindo-lhe energia. Para Shen Yanzhi, a dor era intensa — comparável à de uma cirurgia sem anestesia —, mesmo com a energia vital de Ning Chen reparando e protegendo seus meridianos, aliviando parte do sofrimento.
Ainda assim, não era algo que uma pessoa comum suportaria facilmente.
Do início ao fim, Shen Yanzhi não soltou um gemido sequer, demonstrando a impressionante força de vontade que possuía.
Dez minutos depois, Ning Chen recolheu as agulhas. O esforço era ainda maior do que na noite anterior; sentia o suor brotar na testa.
Shen Yanzhi estava em condições semelhantes. Embora não reclamasse, seu corpo reagia: a pele alva estava úmida, exalando um leve perfume, com gotas de suor na testa e nas faces. O rosto corado, alguns fios de cabelo grudados na pele, transmitia uma beleza peculiar.
Parecia, de certo modo, uma mulher exausta depois do amor.
Se alguém entrasse de repente, vendo Shen Yanzhi daquele jeito e Ning Chen suado, certamente teria ideias impróprias.
— Vou tomar um banho — disse Shen Yanzhi, fechando o sutiã e levantando-se apressada em direção ao banheiro.
Ning Chen pensou que, se acendesse um cigarro naquele momento, a cena teria mesmo o sabor de um “cigarro pós-amor”.