Capítulo 4: A Senhora Sai do Banho

O Retorno do Deus da Morte Caminhando pela noite eterna 3371 palavras 2026-03-04 19:30:51

Jiang Li e Lin Luoxuan arregalaram os olhos, surpresos. A reação de Ning Qingxue, a expressão dela... já não tinha mais nada de insana. Seria possível que, como Ning Chen havia dito, ela realmente recobrara a lucidez?

— Qingxue, como você está se sentindo? — perguntou Lin Luoxuan, sem conter a emoção, após o reencontro dos irmãos.

— Estou ótima. — Ning Qingxue soltou Ning Chen, as lágrimas ainda marcando seu rosto, mas já esboçando um sorriso. Rapidamente, porém, virou o rosto, escondendo-o com as mãos, desviando o olhar. — Maninho, não olhe para mim agora. Estou tão feia, não quero destruir a imagem bonita que você tem de mim.

Ning Chen sentiu um nó na garganta.

— Mana, você não está feia. Você era a musa da Universidade de Chu, sempre foi a irmã mais linda do meu coração — respondeu ele com delicadeza, mostrando um lado gentil jamais visto.

Lin Luoxuan, aflita, puxou a manga de Ning Chen, lançando-lhe um olhar de repreensão, como se dissesse para não tocar nesse assunto. Justo agora, mencionar que Ning Qingxue já fora a musa da universidade seria mexer em feridas do passado.

O cunhado também sinalizou para Ning Chen mudar de assunto.

Mas Ning Chen insistiu:

— Eu sei como fazer para que a aparência da mana volte a ser como antes.

O quê?

Assim que disse isso, todos os olhares se voltaram para ele.

— Você tem mesmo um jeito? — Lin Luoxuan perguntou, ansiosa.

— Tenho. Só preciso usar a cozinha por dez minutos — respondeu Ning Chen, saindo imediatamente e indo em direção ao cômodo.

— Jiang Li, cuide de Qingxue. Eu vou com ele — disse Lin Luoxuan, apressando-se atrás de Ning Chen.

A cozinha estava limpa e organizada, mas transparecia que não era usada com frequência. Era apenas um adorno, pois Lin Luoxuan raramente cozinhava, mas para Ning Chen, era perfeito.

— Tem panela de barro? — perguntou ele.

— Acho que sim — respondeu Lin Luoxuan, incerta, já começando a procurar nos armários.

Ning Chen, com sua percepção aguçada, logo encontrou a panela e a retirou do armário.

— Como você sabia onde estava? — perguntou Lin Luoxuan, surpresa em seu rosto elegante.

— Chutei — respondeu ele, sorrindo. — Irmã Luoxuan, pode me deixar sozinho? Feche a porta, por favor.

Ela olhou desconfiada, curiosa sobre o que Ning Chen pretendia, mas não insistiu e voltou para cuidar de Ning Qingxue.

Ning Chen retirou ingredientes medicinais de seu anel de armazenamento. Antes de retornar, ele havia passado em uma farmácia justamente para comprar o necessário para preparar um unguento especial que ajudaria a irmã a recuperar sua beleza.

Oito minutos depois, Ning Chen voltou ao quarto, trazendo a panela.

— O que é isso? — perguntou Lin Luoxuan, ao ver a pasta escura e viscosa, de odor estranho, embora não exatamente desagradável.

— É um unguento que preparei. Basta aplicar no rosto da mana e, até amanhã de manhã, sua aparência voltará ao normal — explicou Ning Chen, já começando a espalhar a substância no rosto da irmã.

Ning Qingxue não protestou. Logo, seu rosto estava como se tivesse recebido uma máscara de lama vulcânica. Ning Chen ainda envolveu-a com uma gaze.

— Ning Chen, será que isso realmente funciona? — perguntou Jiang Li, que raramente se manifestava. Tinha receio de que Ning Chen desse falsas esperanças a Ning Qingxue, só para depois frustrá-la.

— Amanhã saberemos — respondeu Ning Chen com um sorriso.

Vendo que ainda restava unguento na panela, ofereceu a Lin Luoxuan:

— Irmã Luoxuan, sobrou um pouco. Quer testar também?

Ela recusou veementemente, balançando a cabeça e afastando-se.

— Cuidado para não vir me pedir depois para fazer mais — brincou Ning Chen, agora de bom humor por ter reencontrado a irmã.

— Nunca! — disse Lin Luoxuan, convicta, não gostando nem um pouco do cheiro.

— Então não se arrependa depois — retrucou ele, jogando fora o restante do unguento.

— Não vou me arrepender! Se algum dia eu pedir, pode me chamar de papai! — provocou Lin Luoxuan, rindo.

— Combinado — respondeu Ning Chen, com um sorriso enigmático.

— Luoxuan, pare de brincar com meu irmão — interrompeu Ning Qingxue. — Maninho, você não pode permanecer em Chu. Agora que ninguém notou sua presença, vá embora de uma vez e nunca mais volte.

Era o mesmo conselho de Lin Luoxuan.

— Mana, eu não vou embora. Preciso descobrir o que realmente aconteceu no passado — insistiu Ning Chen.

— Não! Chu é perigosa demais para você! Eu só sobrevivi porque, depois de enlouquecer e me desfigurar, virei quase uma mendiga, vivendo de forma miserável, e como sou mulher, os poderosos não se importaram comigo. Mas com você será diferente. Se descobrirem que está vivo e voltou para Chu, não vão te perdoar — exclamou Ning Qingxue, aflita.

Diante da preocupação da irmã, Ning Chen cedeu:

— Está bem, ficarei em Chu por apenas quinze dias. Depois disso, será o sétimo aniversário da morte dos nossos pais e tios. Após prestar minhas homenagens, irei embora.

Naquele momento, ele planejava fazer todos os inimigos ajoelharem diante do túmulo dos pais.

Ning Qingxue hesitou, mas acabou aceitando. Sete anos sem ver o irmão, e agora, reencontrando-o crescido, mais bonito e maduro, sentia até uma certa estranheza. Se pudesse, gostaria de passar mais alguns dias com ele.

E, acima de tudo... o sétimo aniversário de morte dos pais estava próximo!

Se Ning Chen queria homenagear os pais, como ela poderia impedi-lo?

— Então, durante esses dias, fique em casa e não saia — recomendou Ning Qingxue, temendo que fosse reconhecido na rua.

— Está bem — concordou Ning Chen, sorrindo para tranquilizá-la.

Aproveitou para pedir em particular a Lin Luoxuan que não contasse nada do que havia acontecido na antiga casa, para não preocupar ainda mais a irmã.

Dessa vez, Lin Luoxuan não discutiu.

O reencontro dos irmãos trouxe alegria ao ambiente.

— Vou preparar o jantar para celebrarmos — disse o cunhado Jiang Li, levantando-se.

...

O apartamento de Lin Luoxuan tinha dois quartos e uma sala.

Alta madrugada.

Ning Qingxue e Jiang Li dormiam no quarto de hóspedes.

Ning Chen acomodou-se no sofá da sala. Lin Luoxuan havia sugerido dormir com a irmã no quarto principal, deixando o quarto de hóspedes para ele e Jiang Li. Mas Ning Chen não gostava de dividir cama com outros homens, então preferiu o sofá.

Naquele momento, Lin Luoxuan estava no banho. O som da água no banheiro ecoava pela sala e Ning Chen se perdeu em pensamentos.

Não era por desejo ou fantasias sobre Lin Luoxuan. O que o inquietava era a dúvida: por que, anos atrás, sua família foi exterminada?

A família Ning vivia há gerações em Chu, não era uma grande potência, mas havia acumulado algum patrimônio. Quando o pai de Ning Chen assumiu os negócios, a família prosperou e chegou a possuir uma empresa avaliada em bilhões.

Por isso, Ning Chen era considerado um jovem rico na cidade.

No entanto, por mais que pensasse, não conseguia entender por que sua família, que pouco se envolvia em disputas a não ser no comércio, teria sido alvo de tamanha tragédia. O que teria motivado tamanho massacre?

Nesse momento, o som do chuveiro cessou.

Pouco depois, a porta do banheiro se abriu e, envolta numa nuvem de vapor, Lin Luoxuan saiu apressada.

Ning Chen voltou a si e olhou na direção do barulho.

Para sua surpresa, Lin Luoxuan não estava completamente vestida, mas enrolada apenas numa toalha de banho, expondo os ombros, os braços e as longas pernas nuas.

Sua pele alva e macia, ainda ruborizada pelo calor do banho, brilhava sob as luzes, salpicada de pequenas gotas d’água.

“Uma visão divina!”, pensou Ning Chen, sentindo-se momentaneamente abalado por um pensamento proibido.

— Irmãozinho atrevido, não olhe! — disse Lin Luoxuan, percebendo o olhar dele, apressando o passo em direção ao quarto.

Suas faces também estavam coradas.

Ela sempre morou sozinha, acostumada a sair do banho nua até o quarto e só se vestir depois de secar completamente o corpo.

Naquela noite, por saber que Ning Chen e outros estavam hospedados, havia separado as roupas para levar ao banheiro, mas acabou esquecendo.

Já estava ensaboada quando percebeu que não tinha levado a camisola e a lingerie.

Por sorte, encontrou uma toalha de banho no banheiro.

Assim, pretendia voltar discretamente ao quarto enrolada na toalha, mas deu de cara com Ning Chen.

— Está bem, não vou olhar. Mas vá devagar, cuidado para não escorregar — disse ele, desviando o olhar.

No entanto, mal terminara de falar, ouviu um grito.

Olhou rapidamente e viu Lin Luoxuan escorregar diante da porta do quarto principal e cair.

— Luoxuan, você está bem? — Ning Chen, ágil como um raio, correu para ajudá-la, mas acabou presenciando uma cena de tirar o fôlego.

Ao cair, a toalha se soltou. Lin Luoxuan conseguiu segurar a parte de cima, mantendo-se coberta, mas, na parte de baixo, Ning Chen teve uma visão inesperada e arrebatadora.