Capítulo 21

Cotidiano Agrícola em Tempos Turbulentos Xiao Qiao e o caminho do meio 2191 palavras 2026-07-31 03:23:55

A-Shi ponderou um pouco e disse:
— Naquelas rochas sob o Penhasco das Cinco Bifurcações, os animais não costumam ir lamber o sal? Quando a neve derreter, subiremos a montanha para carregar um pouco, fervê-la na água e fazer nossa própria salmoura.

Gu Xiaowan e Ma Huan se entreolharam.
— É verdade! Agora que as autoridades e os tribunais não existem mais, não só podemos fazer isso às escondidas, como, se quisermos usar aquelas pedras para fazer salmoura abertamente, ninguém terá poder para nos impedir.

No passado, alguém no vilarejo já tinha feito isso, mas, não se sabe como, o boato se espalhou, funcionários do tribunal distrital apareceram alegando que se tratava de produção ilegal de sal e, no fim, o homem foi preso.

Contudo, aquelas rochas não produziam sal refinado, apenas uma água salgada que servia bem para curar carne e peixe.

Por outro lado, embora as pedras da montanha não custassem nada, chegar ao Penhasco das Cinco Bifurcações exigia entrar fundo na mata, onde havia lobos e chacais devoradores de homens. E eles não tinham mão de obra forte por ali. Na verdade, apenas Ma Hu e seu cunhado. Mas eles jamais poderiam ter interesses em comum com Ma Hu; se ele quisesse pegar algo da montanha ou do rio, era mérito dele. Quanto ao cunhado, com a perna manca, se encontrasse uma fera na floresta, não teria como escapar.

Portanto, a mão de obra pesada teria que vir deles mesmos. Gu Xiaowan estava muito preocupada:
— Ir à montanha buscar pedras não parece ser algo simples. Não temos armas adequadas e, se algo der errado, nossas vidas estarão em jogo. Precisamos planejar isso com cuidado.

A-Shi suspirou:
— Se eu fosse um pouco mais velho, seria melhor.
Assim, ele poderia ir sozinho.

O grupo transportava o trenó com peixes; os dois rapazes puxavam na frente, enquanto as moças empurravam atrás. A pescaria não exigira muito esforço, mas a volta do Poço do Dragão, no curso inferior do rio, até o vilarejo, levou mais de uma hora. Estavam todos suados e com tanta fome que sentiam o estômago grudar nas costas.

Felizmente, a colheita foi farta. Para evitar o trabalho de levar tudo ao Templo Puxian — que, afinal, era um lugar de oferendas ao Buda —, decidiram processar os peixes na casa de Gu Xiaowan, já que lá havia mais gente para ajudar. Depois de limpos e abertos, os peixes foram empilhados no quintal, intercalados com camadas de neve limpa. Gu Xiaowan fez questão de guardar as bexigas natatórias.

Antigamente, as pessoas jogavam essa parte fora, mas Gu Xiaowan sabia que era algo valioso; diziam que a gelatina feita com elas embelezava e nutria a pele. Se era verdade ou não, ela não sabia, mas como era comestível e não tinha gosto ruim, valia a pena conservar.

O grupo jantou na casa dela e, ao partirem, A-Shi e Ma Huan levaram uma porção para os idosos de suas famílias. Combinaram de se reunir no dia seguinte na casa de Gu Xiaowan para preparar lanças de madeira e treinar um pouco para defesa pessoal antes de subir a montanha. Afinal, os peixes estavam na neve esperando a salmoura das rochas para serem curados. A urgência era tanta que, assim que a neve derretesse, eles teriam que partir.

Após um dia exaustivo, Gu Xiaowan dormiu profundamente. Mal o dia clareava, ouviu-se a voz de Ma Hu, furioso, no quintal:
— Foi a Ma Huan quem disse algo para vocês?

Acontece que, na noite anterior, ele achou que tinha se atrasado e perdido a caçada, então chegou cedo. Mas, ao chegar, foi barrado por Gu Sixiang:
— Hu-zi, não precisa vir mais. O que há neste vilarejo, se você conseguir pegar, é mérito seu. Mas Lao Liu e os outros decidiram que não haverá mais ninguém no grupo. Tente resolver por conta própria.

Gu Xiaowan e A-Shi não tinham provas concretas de que Lin Wanxiu cometera um assassinato, mas, por segurança, Gu Xiaowan alertou sua quarta irmã e o cunhado sobre o ocorrido. Assim, quando ela não estivesse em casa, eles poderiam se precaver e não se deixar enganar pela aparência frágil e inofensiva de Lin Wanxiu.

Foi graças ao aviso de Gu Xiaowan que Gu Sixiang percebeu que havia julgado mal a filha mais nova e sentiu que Lin Wanxiu claramente queria matá-los para roubar a comida. Ela apenas comentou que as aparências enganam, suspeitando até que tudo pudesse ter sido ideia de Ma Hu. Foi por isso que ela barrou Ma Hu de forma tão direta.

Ma Hu, sem saber das maquinações de Lin Wanxiu, agiu por impulso, acreditando que Ma Huan estava sabotando seus planos, e ficou vermelho de raiva.

He Jingyuan, que rachava lenha perto da cozinha, ouviu o barulho e, temendo que Ma Hu ferisse Gu Sixiang, aproximou-se com o machado na mão:
— Ninguém disse nada. Eles apenas decidiram assim. Minha saúde e a da sua quarta tia não são boas, não podemos sair de casa, então dependemos dos jovens e, naturalmente, seguimos o que eles decidem.

Dito isso, sinalizou para que Gu Sixiang entrasse. Depois, com um ar de quem queria o bem de Ma Hu, abaixou a voz e aconselhou:
— Você é forte e robusto, mais velho que eles, vale por vários. Se entrar no grupo deles, vai acabar saindo no prejuízo. Se eles não te chamam, é melhor. Com seu jeito honesto, se eles te chamassem, você não conseguiria recusar e acabaria fazendo todo o trabalho pesado. Além disso, soube que você cuida da senhorita Xiu. Ela é uma moça delicada da cidade, como poderia ficar sozinha sem que você cuidasse da casa?

Ma Hu não deu ouvidos à primeira parte, mas, quando He Jingyuan mencionou Lin Wanxiu, ele reagiu imediatamente. Era verdade! Se saísse cedo e voltasse tarde com o grupo de Gu Xiaowan, o que seria da senhorita Xiu? Ela, com suas mãos delicadas que nunca tocaram o fogo, como faria para cozinhar?

Ele assentiu, pensativo:
— O senhor tem toda a razão, tio.

Ainda assim, sentindo-se injustiçado por ter sido excluído, ele soltou uma risada sarcástica:
— Humpf, eles ainda vão se arrepender. Quando pedirem para eu voltar, nem que queiram, eu não aceitarei.

Dito isso, saiu bufando de raiva.

Gu Xiaowan, observando pelas frestas da porta até ele desaparecer, saiu para perguntar ao cunhado o que ele havia dito para deixar Ma Hu tão irritado. He Jingyuan repetiu o que usara para acalmá-lo.

Gu Xiaowan suspirou:
— Realmente, ele precisa ler mais. É um desperdício ter aquele porte físico e uma mente tão ingênua. Não é à toa que foi enganado por essa tal de Lin.

Ele era arrogante e desprezava o grupo por serem jovens, sem saber que "três sapateiros com seus remendos valem um Zhuge Liang". Às vezes, apenas força não basta; é preciso ter inteligência.

He Jingyuan riu:
— Pois é. — Mas, observando a direção em que Ma Hu sumira, lamentou: — Uma pena, um homem tão forte e capaz de tanto trabalho braçal, mas com a cabeça vazia.