Capítulo 0018 – Transmissão ao Vivo: Castigando a Irmã

Grupo de Conversa dos Monstros Navegando sobre as águas, componho versos 3279 palavras 2026-02-08 05:48:45

"Ousam levantar a mão contra mim?! Irmãos, pra cima deles!"
"Acha que tenho medo de vocês? Já que aquele moleque não aparece, vamos descontar a raiva nesses covardes mesmo. Quem ganhar, leva uma recompensa, paga por cabeça..."

De cada lado havia dezenas de pessoas, os dois grupos igualmente fortes, e logo se lançaram numa briga generalizada.

Su Mo guardou a besta, afastou-se um pouco e encontrou um bom ângulo para que a gravação contínua do seu dispositivo pudesse registrar perfeitamente a morte do temível Polvo Mortal.

Quando o Polvo Mortal estava com metade da vida, não se sabe de onde veio mais uma flecha, que cravou-se em sua testa. Su Mo conquistou sua terceira vitória.

Sem intenção de se aproximar para recolher equipamentos, Su Mo virou-se e foi embora, parecendo-se com os outros que deixavam o Cânion Estilhaçado para receber sua recompensa.

No caminho, encontrou alguns membros da guilda Templo dos Magos, reconhecidos pelo emblema que portavam. Eles eram responsáveis por pagar os prêmios na entrada do cânion, mas, ao ouvirem falar da briga, voltaram correndo para ajudar e ainda avisaram outros membros da guilda.

Pelo visto, não seria possível conseguir as vinte moedas de prata naquele dia, nem vender os fios de aranha. Su Mo esfregou os dedos, lamentando.

O arroz frito... foi embora!

Ele não foi a outro lugar para treinar, preferindo sair do jogo.

Ao sair, acendeu mais um cigarro de má qualidade, como de costume. Desde que voltara do exército, sentia-se inquieto, cercado de fumantes, e acabou adquirindo o hábito. Porém, sempre se controlava: nunca mais de três cigarros por dia.

"O que você tá olhando?"

A voz rouca típica da adolescência o trouxe de volta à realidade. À sua frente estava Fu Jiafeng, o garoto encrenqueiro de sempre, provavelmente recém-chegado do jantar, com um cigarro pendurado na boca e um brilho oleoso nos lábios.

"O que eu quiser," respondeu Su Mo, girando o pescoço.

"Me espera, um dia ainda vou te fazer engolir..."

"O que você quer?"

"Me larga!"

"Não me bate, te aviso, não sou fácil de intimidar..."

O restante foi só soluços. Homem não chora à toa, a não ser quando está realmente magoado. Quem poderia entender o sofrimento de Fu Jiafeng? No fim das contas, era só um garoto, só queria usar a internet em paz.

"Já viu a hora? Ainda não vai pra casa? Fica matando aula pra jogar, que injustiça a sua."

Depois da briga, Su Mo finalmente arranjou uma desculpa legítima. Satisfeito, pagou pela hora no computador e saiu da lan house.

Os pais estavam fora nesses dias, tentando conseguir algum dinheiro emprestado para pagar dívidas, mas Su Mo não tinha muita esperança nisso e tampouco motivos para impedir.

Assim, sobraram só ele e sua irmã mais nova, Su Xiaojiu, em casa.

Apesar da insistência da irmã de que não precisava de companhia, o bairro em que moravam agora era perigoso, então Su Mo fazia questão de voltar para cumprir seu papel de irmão mais velho.

Desde a falência da família Su, saíram de um condomínio de luxo para uma casa velha prestes a ser demolida, um contraste difícil de engolir. No início, a irmã não aceitava a nova realidade, mas, pouco a pouco, foi se adaptando e agora vivia perguntando como ganhar dinheiro.

Uma adolescente sem nem ter terminado o ensino médio... que soluções poderia ter?

Pensando nisso, Su Mo suspirou, mas não conseguiu deixar de sorrir, indulgente.

Por isso, enquanto os pais estavam fora, Su Mo voltava da escola para dormir na sala.

Eles alugavam um apartamento simples, de um quarto e sala. A irmã ficava no quarto, os pais dormiam num sofá-cama na sala, e Su Mo, normalmente, nem voltava, pois o dormitório da escola era mais barato do que qualquer quitinete.

Ao abrir a porta, viu que as luzes da sala estavam apagadas. Apenas uma fresta da porta do quarto deixava passar alguma luz.

"Tão cedo dormindo? Não parece coisa dela," pensou Su Mo, intrigado. Fechou a porta devagar e foi até o quarto.

Nesse instante, ouviu vozes lá dentro.

Alguém no quarto da irmã?

Os pelos de Su Mo se arrepiaram. Ele se lançou contra a porta, colando o ouvido para escutar melhor.

"Já sou maior de idade, senão como ia assinar o contrato? Obrigada pelo presente, tio Carol, beijinho..."

Raiva era pouco para definir o que Su Mo sentia. Chutou a porta escancarada, entrou e agarrou a orelha de Su Xiaojiu:

"Su Xiaojiu, o que você está fazendo? Com quem está falando?"

"Ah, irmão, solta, solta, dói, dói..."

"Namorico online? Aprendeu a fazer namoro virtual agora? Vou te mostrar!" Su Mo olhou o quarto arrumado, mas não viu ninguém suspeito. O notebook sobre a mesinha estava ligado, mostrando o que parecia ser uma transmissão de vídeo.

"Irmão, não é namoro online, é live, não me bate, por favor," respondeu ela, quase chorando.

Nesse momento, cerca de quatro mil pessoas assistiam à transmissão, presenciando ao vivo a cena da jovem streamer levando uma bronca do homem que entrou de repente e a agarrou pela orelha. Muitos dos espectadores imediatamente viraram fãs, sentindo que a visita valeu a pena. Até presentes virtuais começaram a aparecer.

A streamer apanhou.

Ao ver a irmã chorar, Su Mo amoleceu. Deu-lhe uns tapas simbólicos e a soltou.

Nunca teve coragem de bater nela quando pequena, e agora, crescida, precisava ainda mais preservar sua dignidade. Só estava tão bravo que não se conteve.

"Eu estava fazendo live, você saiu de uma caverna, é?" Su Xiaojiu chorava alto, sentindo-se injustiçada e humilhada. Antes queria ser famosa e ter milhões de seguidores; agora, só desejava que ninguém mais assistisse.

Com os olhos embaçados pelas lágrimas, olhou para o chat e chorou ainda mais.

"666~"

"Nunca vi uma live onde a streamer apanha ao vivo."

"Nossa Xiaojiu vai bombar."

"Tem certeza que não é ator contratado?"

"Bate nela, bate com vontade!"

"Até apanhando é bonita."

"Esse que bateu é nosso pai? Sogro, aceite minha reverência!"

"Tá surdo? Ela chamou ele de irmão, é o cunhado! Cunhado, sou seu futuro cunhado perdido!"

"Genética forte, família toda bonita."

"Xiaojiu, vira a câmera, quero ver o galã..."

Su Mo rapidamente entendeu o que estava acontecendo.

Mas pedir desculpas? Jamais, preferia morrer a pedir desculpas.

"Mesmo que seja live, quem te deu permissão pra fazer isso? Pai e mãe sabem?" Fechou o notebook com um estalo e arrancou os equipamentos da câmera, ao menos consciente de que ninguém mais deveria ver como disciplinava a irmã.

"Não é da sua conta, buááá..." Su Xiaojiu limpava as lágrimas, indecisa se revidava ou não.

Pela experiência, se Su Mo não estivesse realmente bravo, podia fazer o que quisesse, já que depois do exército ele ficou ainda mais resistente. Mas, quando ficava furioso, era melhor obedecer, senão apanhava de novo.

Irritado, Su Mo era temido. O apelido de "Grande Demônio da Família Su" não era à toa.

Desde pequena, Su Xiaojiu era mimada, não temia ninguém, exceto o Grande Demônio da Família Su.

"Você nem é maior de idade, como registrou a conta na plataforma?" perguntou Su Mo.

"Não vou te contar," disse a garota, com os cílios longos tremendo, lágrimas escorrendo pelo rosto, em um espetáculo de pura inocência e sofrimento. Só alguém de coração de pedra como Su Mo resistiria.

"Ah é? Não vai me contar?" Su Mo prolongou a última sílaba.

"Foi a prima Manman," ela se entregou, rendida ao poder. Um segundo antes, jurava que morreria sem entregar a prima.

"Xu Manman? Ela tá pedindo, é? Já não basta ela mesma fazer live, ainda incentiva minha irmã? Olha só como você está vestida, toda esquisita. Se pegasse uma cenoura iam te confundir com um coelho."

"Irmão, não vai bater na prima Manman, não é certo bater em menina," Su Xiaojiu ficou aflita.

Esse irmão, ela não queria mais. Não podia trocar por outro?

Os irmãos dos outros eram todos protetores, verdadeiros fãs das irmãs. O dela só sabia bater, enquanto seus pais nunca lhe deram um tapa.

"Quer apanhar de novo, é?" Su Mo fechou a cara.

"Não, não!" Su Xiaojiu se encolheu no canto da cama rosa, tremendo, mas ainda assim reuniu coragem para explicar: "A prima Manman ganhou bastante dinheiro com as lives e emprestou tudo pra nossa família. Você não pode julgar todas as streamers por causa da Guo Yuyao..."

"Que Guo Yuyao? Quem te contou essa bobagem?" Ele a puxou para perto e deu mais uns tapas.

"Eu sei, e daí? Você não manda em mim. Se bater de novo, vou gritar e dizer que foi assédio!" Su Xiaojiu gritou.

"De onde tirou isso? Foi a Xu Manman que te ensinou, né?" Su Mo ficou tão furioso que quase desmaiou. Nunca acreditaria que sua irmãzinha teria uma ideia dessas sozinha; só podia ser influência da prima.

"Irmão, me desculpa, me desculpa," Su Xiaojiu, com os olhos cheios de lágrimas, finalmente se rendeu.

Os dois sempre interagiram assim; Su Mo nunca seria capaz de machucar de verdade a irmã. No fim, era mais ameaça do que qualquer outra coisa.

Só que, à medida que ela crescia, os métodos que sempre funcionaram pareciam cada vez menos eficazes.

Ela sabia até sobre Guo Yuyao; será que os pais também sabiam agora?

Ao pensar em Guo Yuyao, Su Mo logo lembrou daquele rosto delicado e belo. Realmente, ela era linda; não à toa, alguns a chamavam de "Rainha do Colégio", e em certas plataformas de transmissão ao vivo, ela ainda ganhava o título de "Deusa".