Capítulo 0049: Para se tornar mais forte, é preciso investir
De volta ao grande coelho, Su Xiaojou estava cheia de determinação, acompanhada por um panda chamado Bolinha, que lutava ao seu lado.
Rugido do dragão maligno!
"Au!"
O grande coelho disparou em direção ao panda Bolinha. Embora conseguisse nocautear Su Xiaojou com poucas investidas, não tinha a menor chance contra Bolinha. O panda já estava no nível treze, era um escudo de carne profissional, e quando a vida diminuía, Su Mo estava por perto para curá-lo. Se as coisas apertassem, bastava ativar a Proteção do Dragão Verde, e o grande coelho, por mais que se esforçasse, não conseguia matá-lo.
Além disso, Bolinha mantinha o ódio do inimigo de forma impecável; seu Rugido do Dragão Maligno era lançado sempre que o tempo de recarga acabava, e o grande coelho não conseguia sequer chegar perto de atacar Su Xiaojou uma vez sequer.
A responsabilidade de atacar era de Su Xiaojou. Ela pulava de um lado para o outro, girando sua colher com energia feroz, enquanto gritava e berrava.
Su Mo não intervinha, limitando-se a curar Bolinha de vez em quando. Ele era muito cuidadoso com a irmã, mas, já que ela decidira se aventurar no jogo, ao menos precisava desenvolver habilidades para resolver problemas sozinha.
Quando o grande coelho caiu, Bolinha e Su Xiaojou dividiram a experiência e ambos subiram de nível. Não caiu nenhum equipamento raro, apenas uma veste verde de mago, que era uma recompensa normal de um pequeno chefe. Por isso, Su Mo não podia ganhar rios de dinheiro derrotando chefes, a menos que descobrisse por meio de conversas quem estava carregando bons equipamentos.
Duas ou três vezes ainda passava, mas, se fizesse isso o tempo todo, acabaria sendo expulso do grupo por trair a confiança deles.
“Você já está acima do nível dez, não fique mais na vila dos novatos. Venha comigo até a cidade”, disse Su Mo, afagando a cabeça da irmã e planejando levá-la até a pequena cidade de Hakins.
Hakins tinha uma localização estratégica: ao redor havia vários mapas onde os jogadores costumavam se reunir.
“Não posso. Hoje combinei de jantar com dona Carolina, e ainda faltam várias receitas que ela vai me ensinar”, Su Xiaojou recusou.
Diante disso, Su Mo não teve escolha senão deixá-la sozinha. Ele precisava subir de nível rapidamente, fosse para aceitar missões ou para proteger Su Xiaojou; pelo menos, devia alcançar o pelotão de frente dos jogadores.
Su Xiaojou não fez birra nem pediu para o irmão ficar; na maior parte do tempo, ela era bastante sensata.
No que dizia respeito ao treinamento, além do método tradicional de matar monstros para ganhar experiência, havia outras formas alternativas, como missões secretas e coleta de materiais. Se as missões secretas eram encontros de sorte para jogadores comuns, a coleta de materiais era um privilégio dos que gastavam dinheiro no jogo.
Todo jogo tem como objetivo o lucro, pelo menos nesta fase de desenvolvimento. “Novo Mundo” foi desenvolvido ao longo de anos sem retorno financeiro, mas atualmente a equipe de desenvolvimento e manutenção já conta com mais de dez mil funcionários. Todos assinaram rigorosos contratos de confidencialidade e recebem salários altíssimos; só a folha de pagamento já representa uma fortuna.
Não há como manter isso sem lucro, seja por meio de investimentos ou apoio de organizações oficiais.
E foi assim que “Novo Mundo” se tornou o jogo mais rentável do momento. Só o sorteio diário movimenta mais de cem milhões em moeda corrente, sem contar outras formas de monetização.
No sorteio não era possível obter itens como esferas ou cartas de experiência. Então, será que os jogadores que gastam dinheiro realmente não têm como subir de nível rapidamente? Claro que não; se fosse assim, só um tolo gastaria dinheiro.
As formas rápidas de subir de nível para esses jogadores eram: contratar missões no salão dos mercenários para aproveitar missões secretas; formar equipes com jogadores de alto dano para farmar experiência; e entregar materiais diários aos intendentes militares das cidades.
Quase todo intendente oferecia esse tipo de missão. Mas poucos estavam dispostos a entregar materiais, porque eram difíceis de coletar, custavam caro para comprar, e alguns nem sequer estavam à venda.
Su Mo sabia onde encontrar muitos desses materiais, pois anotava secretamente as conversas dos monstros quando ativava a visão de Lafu.
Agora, finalmente, podia usar esse conhecimento para ganhar dinheiro e subir de nível.
O nível vinte e cinco era bem insignificante; os melhores já estavam no vinte e sete ou vinte e oito.
O Coração de Árvore Alaranjado era um dos principais materiais para entregar nas missões diárias de experiência. Bastava um coração de árvore, algumas pedras, ervas e peles para completar uma missão.
Todos sabiam que o Coração de Árvore Alaranjado era um drop dos elfos da madeira nas Montanhas Koels. Em teoria, havia milhões desses elfos ali, e a chance de cair o item não era tão baixa a ponto de ser raríssimo, então não fazia sentido ser o material mais caro para jogadores que gastam dinheiro.
Mas a realidade era outra.
Um Coração de Árvore Alaranjado custava quarenta moedas de ouro, cerca de dois mil reais por unidade. Para completar cinco dessas missões por dia, seriam necessários dez mil reais; nem todos os jogadores ricos estavam dispostos a tanto.
O detalhe mais importante era que, mesmo pagando caro, nem sempre era possível comprar. Os elfos da madeira dominavam as Montanhas Koels, liderados pelo rei deles, Alfredo, um verdadeiro mestre. As forças humanas não tinham acesso àquela região.
Os jogadores que se arriscavam nas Montanhas Koels estavam sempre sob ameaça do exército dos elfos da madeira.
Na última vez, Su Mo e Shifang Mingliang mataram o comandante Ackman dos elfos da madeira e fugiram imediatamente, sem ousar ficar nem um segundo, pois, desde o início do combate, sabiam que o exército dos elfos poderia cercá-los a qualquer momento.
Em geral, depois de meia hora enfrentando os elfos, se o jogador não saísse das Montanhas Koels, era como desistir de fugir com vida.
A maioria dos jogadores matava elfos da madeira por meia hora e voltava imediatamente para a cidade.
Só alguns suicidas não se importavam em morrer, ficavam matando elfos o dia todo, eram mortos, ressuscitavam e voltavam. Para lidar com esse tipo de jogador, o exército dos elfos criou as gaiolas suspensas.
Capturavam o jogador, amarravam e penduravam numa árvore que gotejava veneno o tempo todo.
O veneno não era letal, mas corroía lentamente a vida do jogador, matando-o em cerca de meia hora. Isso significava meia hora de sofrimento e nenhuma recompensa, além de passar o tempo preso numa cela escura.
Dois mil reais é caro? Não? Se acha caro, vá buscar você mesmo.
Su Mo também não tinha coragem de caçar elfos nas Montanhas Koels, mas sabia onde encontrar elfos da madeira que não estavam sob a proteção de Alfredo.
Esses elfos estavam em um pântano a sudoeste das Montanhas Koels, chamado Pântano de Pavô. Eram conhecidos como Elfos da Madeira Sombria, monstros que os jogadores ainda não tinham enfrentado.
O Pântano de Pavô se formou a partir dos afluentes do Rio Massai, que nasce nas Montanhas Koels e deságua no mar, mas parte de suas águas se acumulam nesse pântano.
O ambiente do Pântano de Pavô era hostil, com monstros de grande resistência, alto poder de ataque e movimentos imprevisíveis. Os jogadores não conseguiam lutar em seu potencial máximo naquele ambiente.
A razão era simples: “Novo Mundo” era um jogo de realidade virtual, e o ambiente influenciava fortemente as batalhas.