Capítulo 0020: A Torre Demoníaca Celestial
“É fácil subir de nível, mas difícil avançar de classe. É preciso entrar na Torre das Feras Celestiais. A próxima torre não aparecerá nas Planícies de Lancelot, então Pierce ainda terá que esperar.” Quem falava era Rug, o javali de crina vermelha; era a primeira vez que Su Mo o via falar.
“A Torre das Feras Celestiais vai abrir? Onde será dessa vez?” Angus, o Rei Tigre, interrompeu animado.
“Grande Tigre, por que tanta animação? Você acabou de chegar ao nível trinta, ainda está longe de avançar,” comentou Cadô, o líder dos cães selvagens, com um toque de sarcasmo.
Su Mo analisava enquanto observava e sua conclusão tornava-se cada vez mais clara: os monstros realmente podiam subir de nível e também avançar de classe; eram coisas distintas, e apenas monstros que chegassem ao nível trinta e acumulassem experiência suficiente podiam avançar.
Quanto à Torre das Feras Celestiais, parecia ser um local específico para o avanço dos monstros, embora ele não soubesse ainda se era o mesmo lugar que a Torre Celestial.
A Torre Celestial era uma espécie de instância do Novo Mundo, renovada semanalmente, com mapas aleatórios. O canal do mapa atualizava as coordenadas e os jogadores tinham cinco minutos para chegar até lá; depois disso, a torre desaparecia.
Ao entrar na Torre Celestial, os jogadores eram teletransportados para um dos andares, de modo aleatório.
Podiam encontrar monstros, ervas, cenários de enredo; não havia limites para a criatividade da produtora do jogo.
Su Mo decidiu comprar uma montaria de Dez Direções Brilhantes, não porque estivesse se achando devido ao grupo de chat dos monstros, mas porque a montaria era útil tanto para locomoção quanto para não perder a Torre Celestial caso ela surgisse no mapa em que estivesse.
Uma das dores do jogo era correr desesperadamente até as coordenadas e, ao chegar, ver a Torre Celestial desaparecer.
Enquanto Su Mo estava imerso em seus pensamentos, Rug, o javali de crina vermelha, revelou o segredo: “Exato, amanhã às três da tarde fui designado para guardar o vigésimo primeiro andar da torre, então essa semana a Torre das Feras Celestiais será mesmo nas Alturas de Avinam.”
“Ah, inveja dos amigos das Alturas de Avinam,” lamentou Angus, o Rei Tigre.
“Grande Tigre, não fique triste; você já entrou na Torre Celestial antes. Não é tão lucrativo quanto na Torre das Feras Celestiais, mas toda sua experiência do vinte e cinco ao trinta veio de lá, não é? Quem sabe quantos jogadores você matou,” continuou Cadô, ainda sarcástico.
Su Mo lembrou de algo: recentemente, Angus, o Rei Tigre, realmente havia sido o chefe guardião em um andar da Torre Celestial, e os jogadores que entraram ali foram massacrados. Depois, inexplicavelmente, o chefe passou do nível vinte e cinco para o trinta.
Torre Celestial, Torre das Feras Celestiais: uma parecia destinada aos jogadores, a outra, aos monstros.
Mas seria possível, com sua identidade de Laifu, entrar na Torre das Feras Celestiais? Se pets pudessem avançar, sua qualidade aumentaria?
Laifu era apenas um monstro comum do lado de fora da vila dos novatos, nem sequer considerado um pet verde.
Por isso, quando Fumaça & Romance viu Laifu, concluiu imediatamente que Su Mo era um fracassado; se Laifu pudesse avançar, deixaria de ser inútil.
Su Mo não ousava perguntar diretamente; preferia pesquisar mais sobre o assunto. Como a Torre das Feras Celestiais apareceria nas Alturas de Avinam amanhã às três, ele poderia simplesmente ficar de prontidão por lá.
Mas primeiro, era preciso cuidar dos assuntos urgentes!
Consultou sobre os quatro tipos de materiais e conseguiu informações sobre dois deles; os outros dois, nem mesmo aqueles monstros conheciam.
Sem dúvidas, o grupo de chat ao qual tinha acesso era composto por monstros que ainda não avançaram; após o avanço, provavelmente haveria outro canal. Os materiais restantes só seriam conhecidos por monstros avançados ou ainda não era hora de aparecerem.
Depois, Su Mo perguntou sobre o pergaminho de domar e o espaço para pets.
O espaço para pets era, de fato, um item “VIP”; aparentemente, só disponível na roleta de prêmios. Su Mo olhou no mercado e viu que os espaços para pets custavam entre trezentos e trezentos e oitenta moedas de ouro cada, um preço exorbitante.
Já o pergaminho de domar tinha pistas.
Um domador do Acampamento Pátrice perdeu um pet: ao conquistar a liberdade, o pet fugiu para o deserto e se escondeu. Durante a fuga, levou alguns tesouros do domador, entre eles um pergaminho de domar.
Dos materiais com pistas, um era o Chifre Gélido, outro o Coração Fortificado.
O Chifre Gélido era obtido caçando Unicórnios Gélidos nos Altiplanos Nevados; o contratante já havia tentado por dois dias sem sucesso, por isso pediu ajuda.
Buscar Unicórnios Gélidos era o caminho certo, mas o segredo estava no local: cada região tinha drops distintos. No coração da Floresta Pábol nos Altiplanos Nevados, havia uma caverna sem nome, escondida sob uma espessa camada de neve; ali era o cemitério dos Unicórnios Gélidos. Os mais velhos iam para lá esperar pela morte, e era destes que se conseguia o Chifre Gélido.
Su Mo viajou por longas distâncias, até usando moedas para o portal de teletransporte, e levou quase uma hora para chegar.
Os Altiplanos Nevados, na extremidade norte do continente Gaia, eram um lugar de paisagens deslumbrantes.
Explorar belas paisagens sem sair de casa era um dos slogans de “Novo Mundo”; se quisesse ver neve de polos, ali era o lugar certo, com estrelas magníficas e criaturas nevadas.
As coordenadas indicavam aquela região; Su Mo alternava entre liberar e recolher o pet, avançando cautelosamente, desviando das áreas de respawn, com o pobre filhote de lobo Laifu servindo de escudo e sendo morto duas vezes pelos monstros da neve.
A caverna sem nome era bem escondida; se não soubesse as coordenadas, Su Mo teria dificuldades para encontrá-la.
Com cuidado, entrou na caverna e olhou preocupado para as paredes — que não eram rochosas, mas formadas de cristais de gelo, endurecidos ao longo dos anos, tão sólidos quanto pedra.
Adentrando um pouco mais, logo avistou um Unicórnio Gélido solitário.
Su Mo disparou uma flecha sem hesitar, causando cento e dez pontos de dano ao Unicórnio Gélido de nível trinta, provando que era apenas um monstro comum.
Com o auxílio do lobo, Su Mo, em nível vinte e cinco, não tinha dificuldade para matar um monstro de nível trinta.
Essa era a maior vantagem das classes de caçador: com pets, conseguiam derrotar quase qualquer monstro, desde que o pet aguentasse os ataques.
O problema era que o lobo era frágil, só servia para monstros comuns ou chefes de baixo nível; diante de uma criatura realmente poderosa, seria eliminado imediatamente.
Após matar o monstro e saquear o corpo, não conseguiu o Chifre Gélido, apenas oito moedas de cobre.
O drop era lamentável: um monstro de nível trinta nem compensava o custo das flechas. Su Mo suspirou e começou a coletar materiais do Unicórnio: basicamente pele e carne, pois os itens valiosos só vinham como drop.
A pele comum não valia muito, mas a carne podia ser assada para alimentar o pet, restaurando sua energia e aumentando a lealdade; o próprio jogador podia comer para recuperar energia e vida.
Laifu, o filhote de lobo, já havia morrido duas vezes, e a lealdade caiu mais de dez pontos, mostrando claramente sinais de desânimo.
Su Mo esperava não precisar avançar muito na caverna; seria ideal conseguir o item logo no exterior, pois se alarmasse o Rei dos Unicórnios Gélidos nas profundezas, sua morte seria certa.