Capítulo 0028: O Capitão Pirata
A correspondência chegou rapidamente ao Porto de Pescadores de Coney. Su Mo pagou uma taxa de dois moedas de prata para retirar os itens; independentemente do conteúdo, a taxa era sempre a mesma: uma moeda de prata por moeda de ouro, outra pelo pacote, totalizando duas moedas de prata.
Havia vinte moedas de ouro—dezoito foram entregues ao jovem ferreiro, e as duas restantes serviriam para reabastecer itens de combate.
Apesar de parecer uma boa quantia, duas moedas de ouro, convertidas, representavam pouco mais de cem reais; na prática, não davam para muita coisa. Su Mo já tinha desistido das flechas mais baratas e agora precisava das flechas de dente de lobo, que custavam cinco moedas de prata o feixe—comprando dez feixes de uma vez, lá se ia metade de uma moeda de ouro.
Ainda precisava comprar munições, caso contrário, a pistola perderia toda serventia.
Para os patrulheiros, poções e afins costumam ser mais econômicos, mas Su Mo, com o grupo de conversas entre monstros, tinha mais chance de enfrentar adversários de nível superior.
Se não se preparasse com mais poções para estes embates, seria como desprezar a própria vida.
Ainda era necessário guardar dinheiro para reparar equipamentos—pelo menos dez moedas de prata por dia. Não é de se espantar que o fórum estivesse repleto de reclamações de jogadores sobre a falta de dinheiro.
Mas o ser humano é assim. Desde o lançamento, “Novo Mundo” colecionava críticas, mas o número de jogadores online só aumentava, ultrapassando o milhão, tornando-se o jogo de realidade virtual mais popular do momento.
—Finalmente terminei. Essa é minha obra mais satisfatória... uma das melhores —exclamou o pequeno Sony, admirando os novos punhais de garra que acabara de forjar.
—Deixe-me ver —Su Mo olhava ansioso para o objeto delicado e engenhoso nas mãos do jovem ferreiro.
—Vinte moedas de ouro, foi um prejuízo enorme —lamentou o ferreiro, acariciando as afiadas garras com relutância, mas por fim as entregou a Su Mo, sem desviar o olhar delas nem por um instante.
Garras Duplas Selvagens (equipamento azul): dano 18-32, agilidade +2, força +4, velocidade de ataque +3, requisito de nível 20, durabilidade 26/26.
Só isso?
Su Mo ergueu o olhar, incrédulo. Não conseguia entender como aquilo valia vinte, quiçá cinquenta, moedas de ouro, nem por que o jovem ferreiro se orgulhava tanto da obra.
—Hmpf, sabia que não enxergaria o valor real. Acha que é só um equipamento comum? —retrucou o ferreiro com desdém. —Se não me engano, você quer equipar isso nas garras desse lobo, certo?
—Sim, mas as propriedades não parecem tão impressionantes.
—Você já viu algum animal de estimação usando equipamento antes?
Su Mo bateu na própria testa, finalmente entendendo o que estava errado. Por poder controlar o corpo de Lai Fu, inconscientemente o tratava como algo diferente dos mascotes comuns. Mas os outros não sabiam disso, tampouco o ferreiro, então por que ele se dispôs a criar essas garras sob medida para o lobo?
—Tecnicamente, não é um equipamento para mascotes. Pelas regras, mascotes não podem usar equipamentos —explicou o ferreiro, pegando as garras de Su Mo e colocando-as nas patas de Lai Fu agachado ao chão.
—Aperte aqui e as lâminas se retraem, não atrapalhando a corrida ou o combate do animal —demonstrou o ferreiro, segurando as patas dianteiras do lobo para mostrar a Su Mo.
—Basta um leve choque aqui que as lâminas saltam para fora.
—O mais importante é que este é um bloco de ferro que forjei durante dez anos; sua maleabilidade supera a maioria dos metais preciosos. Não importa como o corpo do seu mascote mude, este equipamento se ajustará perfeitamente. Ainda acha que vinte moedas de ouro é caro?
—Não, não, está perfeito —respondeu Su Mo, convencido.
—Mas tenho uma dúvida: se o seu nível de forja é tão alto e pode criar equipamentos para mascotes, por que não ganha dinheiro com isso? Assim poderia restaurar a oficina da família...
—E depois?
—Receberia mais encomendas, lucraria mais.
—E então?
—Com dinheiro, poderia abandonar a neblina eterna do Porto de Coney e ir viver numa praia ensolarada, levando uma vida tranquila e feliz.
—Difícil... Enquanto o pirata Jack do Estreito Sombrio viver, não serei feliz. Ele matou meu pai. Tenho sonhado com o tempo em que meu pai, ainda vivo, andava comigo pela névoa do porto. Eu não sentia medo, pois sabia que ele sempre estaria à minha espera lá na frente.
—Que pena...
—Resolvi seu problema e só cobrei vinte moedas de ouro. Não acha que poderia me ajudar agora?
—Bem... que tal eu te pagar cinquenta moedas de ouro?
—Nem cinquenta seriam suficientes!
—Então devolvo as garras, pode ser?
—Você não tem vergonha?
—Se for para vestir roupa de mulher, não vejo problema.
—Ai, vejo que não vai me ajudar mesmo. As garras você já pagou, leve-as —resignou-se o ferreiro, derrotado após a discussão. —Amanhã partirei ao mar para me vingar de Jack. É uma pena que minha técnica única de criar equipamentos para mascotes será perdida; nunca mais encontrará alguém que faça garras como estas. E minha habilidade ancestral de fabricar arcos, transmitida há trezentos anos...
—Você sabe fazer arcos? —Su Mo, que até então se sentia irritado com o lamento, animou-se ao ouvir isso.
Caçadores podem usar bestas e armas de fogo, mas o arco e flecha continua sendo a arma principal.
No “Novo Mundo”, arcos são raros, e bons arcos, mais ainda. Su Mo chegou a perguntar discretamente no grupo dos monstros e descobriu que nenhum chefe abaixo do nível trinta dropava um arco de prata sequer.
Atualmente, Su Mo usava um arco longo azul de nível vinte, de dano e atributos medianos, sem nenhum efeito especial.
—A técnica da família Sony de fabricar arcos é famosa por todo o continente leste. Meu bisavô forjou uma arma lendária, mas morreu fulminado por um raio assim que terminou. O arco desapareceu sem deixar vestígios —disse o ferreiro, com o olhar perdido, mas a lembrança da glória ancestral só aumentava sua dor.
—Se você me ajudar a matar o pirata Jack, prometo forjar um arco longo lendário para você.
Deixe de enrolar, pensou Su Mo. Se até seu bisavô foi fulminado ao criar um artefato desses, você ainda pensa nisso? Armas lendárias não surgem assim tão fácil... Su Mo não dava muito crédito às palavras do ferreiro.
Mas era preciso admitir: o ferreiro era um NPC extraordinário.
Mesmo que não criasse um item lendário, um equipamento de alto nível, dourado ou roxo, estava garantido. Su Mo, em pensamento, pediu desculpas ao pirata com o mesmo nome do famoso Capitão Jack.
“Missão dada, missão cumprida. Só posso usar sua cabeça agora.”
—Falamos do artefato depois. Se você me adiantar um arco longo com bons atributos, mato o capitão pirata Jack para você —propôs Su Mo, aceitando o desafio.
Sim, irresistível.
—Tenho um arco longo que pertenceu ao meu pai; pode ser o adiantamento, mas precisa matar sessenta piratas do Estreito Sombrio para provar seu valor.
—Piratas do Estreito Sombrio —Su Mo aceitou a missão sem hesitar.
O sistema imediatamente notificou que ele havia ativado uma missão de grande porte: A Vingança da Família Sony. O objetivo final era o capitão pirata Jack Sparrow, do Estreito Sombrio.
A primeira etapa era eliminar sessenta piratas daquele lugar.
Infelizmente, o jovem ferreiro pouco sabia sobre os piratas do Estreito Sombrio. Antes da tragédia do pai, nunca saíra de casa, concentrado apenas na forja.