Capítulo 46: Um Soberano da Região

Grupo de Conversa dos Monstros Navegando sobre as águas, componho versos 2474 palavras 2026-02-08 05:51:41

— Seu moleque, nós ficamos fora dois dias e você já está aprontando com sua irmã. Olhe só o estado em que ela ficou por sua causa, e ainda tem coragem de rir! — O homem de meia-idade, de aparência elegante, agarrou imediatamente a orelha de Su Mo assim que ele entrou.

— Pai, eu não estava rindo! — Su Mo protestou, sentindo-se injustiçado.

— Ah, não estava? Então mostra para sua mãe esse seu rosto, isso é cara de quem não está rindo? Do que está rindo, hein? Está achando engraçado bater na sua irmã? Sabe que fez errado? — Quanto mais o pai de Su Mo olhava, mais irritado ficava.

— Não sei, não fiz nada de errado. — Su Mo respondeu, tentando se justificar. Na verdade, foi Su Xiaojiu quem errou, ele só estava educando a irmã.

— Nem percebe que errou? Está se fazendo de desentendido? Sabe ou não sabe?

— Sei, sei, para de puxar, se arrancar minha orelha vai ficar feio. — Su Mo teve que se render.

— E mesmo assim faz de novo? — O pai de Su Mo, que já fora militar e ainda mantinha boa forma física, não perdeu a força com a idade.

— Pai, você é muito parcial. Nem quer saber o motivo de eu ter batido nela. Su Xiaojiu, está pedindo para apanhar, não é? — Su Mo, sentindo-se abandonado, pensava que só podia ter sido adotado.

Afinal, enquanto um apanhava, o outro estava ali, tranquilo, tomando sopa.

E ainda Su Xiaojiu, escondendo o rosto atrás de uma tigela enorme, pensando que ninguém percebia que ela estava rindo. Denunciantezinha, um dia você vai conhecer o verdadeiro poder do Grande Demônio Su.

Su Mo ainda remoía sua mágoa quando, sem querer, cutucou mais um vespeiro.

Ousando ameaçar a filha querida diante dele, o pai de Su Mo perdeu a paciência.

Depois de dar uma boa surra, sentiu-se renovado e, mexendo o pulso satisfeito, anunciou:

— Pronto, vamos jantar!

Essa era a rotina da família Su: todos alegres, brincalhões, mesmo com as dívidas pairando sobre eles, nunca deixavam de aproveitar.

O pai de Su fracassou nos negócios, mas ninguém o culpava por isso.

— E daí que faz transmissões ao vivo? Melhor do que sair e ser enganada por alguém. Daqui pra frente, fique de olho na Jiu’er, não deixe que ela sofra. Se acontecer algo com ela, é você quem vai apanhar. — O pai dizia enquanto comia.

Su Mo engoliu em silêncio o pedaço amargo de carne de porco, pensando se o pai não poderia ser ainda mais parcial.

— Pai, fica tranquilo. Já decidi que serei streamer de jogos. — Su Xiaojiu respondeu, batendo no peito com graça. — Vou ganhar muito, muito dinheiro!

— Ora, você não precisa se preocupar com dinheiro, tem seus pais e seu irmão. O importante é que seja feliz. — O pai puxou a filha para um abraço apertado, quase chorando de tanto carinho.

— Mo, você também está jogando, ajude sua irmã, não deixe que os outros a tratem mal. — A mãe, com os olhos marejados, completou.

A princesinha da família, sempre mimada, desde quando ficou tão responsável?

— Pai, mãe, fiquem tranquilos, eu vou cuidar da Xiaojiu. Se ela não se comportar, eu... eu conto pra vocês, cof, cof. — Su Mo se conteve a tempo, ou apanharia de novo.

Depois do jantar, Su Mo voltou para a escola. A casa não era grande, o dormitório era mais confortável.

Não voltou ao jogo. O dia tinha sido cheio e estava exausto. No Novo Mundo, a energia é fundamental; sem ela, quase nada pode ser feito. Para recuperar tudo para o dia seguinte, é preciso descansar bem.

Cai a noite, em um apartamento da capital imperial.

— Ah! — O jovem pulou da cama assustado, rolou para o chão, mas não ligou para a dor. Com os olhos vermelhos, procurava algo pelo quarto.

Correu descalço até a sala e só relaxou ao ver três pessoas sentadas ali.

Uma mulher mais velha e uma jovem correram para confortá-lo.

— Outro pesadelo? Xiao Bo, você já é grande, não pode se assustar tão fácil assim — disse o pai, suspirando. — Você está com febre, volte para a cama.

— Song Zhibo, pra quê esse drama? Só porque morreu no jogo, não precisa mais jogar esse troço. — Disse a irmã, enxugando as lágrimas.

— Eu vi vocês, vi vocês sendo mortos... e não consegui fazer nada. — O jovem Song Zhibo murmurou, chorando.

Naquele dia, durante o jogo, como sempre, estavam felizes enfrentando um chefe juntos. Mas, de repente, um grupo apareceu e os matou sem dizer palavra.

Matar para roubar chefes é comum nos jogos, mas para Song Zhibo, que jogava um jogo de realidade virtual pela primeira vez e nunca brigara com ninguém, aquilo foi demais. Ainda por cima, estava gripado e febril; ver pais e irmã sendo mortos o fez desmoronar.

A febre piorou, e ele ficou como que possuído, os pais e a irmã já nem conseguiam dormir, preocupados com os pesadelos recorrentes.

— Eu devia proteger vocês, devia expulsar todos como um cavaleiro de ferro. Eu sou um inútil, meus colegas tinham razão, sou mesmo um fracassado.

Ninguém nasce sonhando ser um herói. É o bullying na escola que faz o jovem se refugiar em fantasias de força.

Além disso, depois de ver Su Mo afastar inimigos com tanta naturalidade, sentiu-se ainda mais incapaz.

— Filho, aconteceu alguma coisa na escola? Fala com o papai, eu vou conversar com os professores. — O pai de Song Zhibo, sentindo o coração apertado, percebeu que nunca compreendeu realmente o filho.

— Não, pai, não vá. Eu já sou adulto, resolvo meus problemas sozinho. — Song Zhibo respondeu, nervoso.

Se o pai fosse chamado na escola por brigas, como ele ia viver depois?

— Vai pra cama descansar direito. E nada de jogos. Ninguém mais vai jogar aqui. — O pai anunciou.

Naquela família, a mãe era mangaká, o pai, romancista, a irmã, designer — todos trabalhavam por conta própria e, no tempo livre, jogavam, inclusive Novo Mundo.

Serem mortos no jogo não os abalava tanto, mas não imaginavam que o filho ficaria tão afetado.

— Pai, não! Eu quero jogar. Sempre me disse que onde caímos, devemos levantar. Eu, Song Zhibo, — o jovem declarou com determinação — vou me tornar um grande soberano no Novo Mundo!

— Vai dormir! — gritou o pai.

[Pequeno Teatro 001]

— Olá, meu nome é Song Zhibo.
— Olá, eu sou Fu Jiafeng.
— No jogo, sou o Imperador dos Céus.
— No jogo, sou o Soberano Eterno.
— Eu tenho uma irmã.
— Eu também tenho uma irmã.
— Quero proteger minha irmã.
— Eu também quero proteger minha irmã.
— Quero ser forte, quero ser um grande soberano.
— Que coincidência, eu também quero ser um grande soberano.
— Conheço alguém chamado Cavaleiro de Ferro e Gelo. Quero ser como ele, não, quero superá-lo.
— Eu também conheço alguém, chama-se Su Mo. Quero vê-lo de joelhos cantando “Conquista”.