Capítulo 0059: Missão Principal

Grupo de Conversa dos Monstros Navegando sobre as águas, componho versos 2459 palavras 2026-02-08 05:53:15

Su Mo refletiu longamente, e parecia que tudo apontava para um resultado que ele jamais ousara imaginar.

Missão principal!

E não era uma missão principal qualquer, mas sim uma que estava realmente ligada à expansão do jogo, talvez ainda mais grandiosa do que todas aquelas criadas por Dez Direções Brilhantes.

Mas por que uma missão de tal importância surgiria neste lugar? Qual a relação com um simples barão?

Missões principais não podem ser fáceis demais de ativar, do contrário qualquer um poderia cumpri-las — se a cada etapa já oferecessem 17% de progresso, a empresa criadora do jogo teria perdido o sentido. Por outro lado, não podem ser difíceis em demasia, senão ninguém as ativaria em três ou cinco anos, e o jogo acabaria morrendo.

Normalmente, uma expansão dura no máximo um ano, e às vezes apenas um ou dois meses.

Portanto, desenhar a missão principal é uma das maiores prioridades no desenvolvimento de um jogo.

Dentro do universo do jogo, existem várias missões principais: algumas são paralelas e todas impulsionam a narrativa; outras são ramificadas, partindo de caminhos diferentes para, ao final, convergirem no núcleo da trama.

A que Su Mo encontrou, afinal, pertencia a qual dessas?

Apesar de ser um homem perspicaz, Su Mo não conseguia descobrir. Apenas sentia que o jogo tornava-se cada vez mais interessante.

De qualquer forma, precisava continuar avançando, sem cometer erros, pois se a missão tivesse mais de uma dezena de etapas, ele acreditava que poderia chegar facilmente ao nível trinta.

Fez algumas perguntas e logo encontrou a mãe de Greta.

Nem todos os NPCs da vila tinham alguma função; a empresa queria transformar aquele local num mundo de verdade, por isso, criara muitos personagens, cada um com sua própria história e identidade.

A mãe de Greta era uma senhora de cerca de cinquenta ou sessenta anos. Seu marido fora soldado do Barão Barry e morrera na fronteira; em retribuição, o barão cuidara da família e arranjara para Greta um emprego muito bem pago.

Su Mo conversou um pouco com a velha senhora e percebeu que ela era só gratidão e admiração pela família do Barão Barry.

“Será que a senhora sabe que sua filha morreu? Que foi usada pelo barão como alimento para sua filha corrompida pelo sangue demoníaco?” Su Mo não teve coragem de dizer aquilo — seria crueldade demais.

Por fim, através da mãe de Greta, Su Mo confirmou que a senhorita Barry realmente tinha ido para a mansão da família em Pulmo.

Aquela era o dote que a mãe de Barry trouxera ao casar-se com o barão, e a jovem Barry costumava passar temporadas ali, às vezes longas, às vezes curtas. A mãe de Greta não suspeitava de nada.

Mais uma vez, Su Mo chegou à mansão Barry, na vila de Pulmo.

O massacre cometido por ele ali já era passado; tudo estava recuperado. O velho porteiro olhava-o com desconfiança à medida que ele se aproximava.

“Gostaria de falar com a senhorita Cathy Barry. Trago notícias do Barão Barry”, disse Su Mo ao velho porteiro. Mas, antes mesmo que o homem pudesse reagir, Su Mo cravou-lhe uma adaga na garganta.

Seus gestos e palavras não diferiam em nada da última vez que estivera ali.

Pobre porteiro, após ser regenerado, já não se recordava de como morrera da última vez.

Com seus equipamentos agora em nível superior, Su Mo eliminou facilmente a senhorita Barry, saiu do salão e foi até o jardim. Por todo lado havia cadáveres — eram os criados da filha do barão, e como ela morrera, não havia mais razão para que se mantivessem de pé.

Mortos não falam. Mas como saber quem era Ferro, afinal?

Su Mo coçou a cabeça diante do dilema: havia pelo menos dez cadáveres ali, e só o sistema saberia identificar qual era Ferro.

Felizmente, o sistema não foi tão cruel. Ao passar por um dos corpos, uma notificação apareceu: ele havia completado a sequência da missão “O Desaparecimento de Ferro” e recebido uma quantia de experiência.

3%!

Apenas 3%, que miséria. Era muito pouco.

Depois de ter recebido 17% na etapa anterior, Su Mo sentiu que 3% era quase um insulto.

Que vergonha!

Na verdade, aquela era apenas uma parte da missão; desde que Su Mo descobrira a localização da mansão Barry em Pulmo, a missão já podia ser considerada concluída.

Olhou o cadáver com certa inquietação — não poderia carregá-lo para todo lado, ainda mais em tão péssimo estado: putrefato, malcheiroso, cheio de vermes. Jogadores comuns já teriam ficado enojados.

Reuniu lenha, fez uma fogueira e queimou o corpo.

Não se tratava de assar, mas de incinerar.

Depois de tudo reduzido a cinzas, recolheu os restos num barril de vinho encontrado na mansão, e deixou o local abandonado.

Salvo imprevistos, após concluir a missão, ali não voltariam a aparecer nem a senhorita Barry, nem o porteiro que morrera tão facilmente por sua mão.

Essas pessoas e aquele lugar existiam apenas por causa da missão principal.

Foi até a aldeia, encontrou o velho agricultor que lhe dera a missão e depositou o barril diante dele.

“Seu filho… já se foi.”

O velho encarou perplexo o barril de aparência refinada, olhou para Su Mo, depois para o barril, repetidas vezes, até repousar o olhar sobre o recipiente.

Não queria acreditar, mas sentiu que era verdade.

Suas mãos tremiam, seus lábios tremiam, o corpo inteiro parecia tomado pelo frio, como se o inverno já tivesse chegado a Pulmo.

O velho não perguntou por que o filho morrera, nem pelas mãos de quem.

Também não implorou a Su Mo por vingança.

Su Mo permaneceu ali por algum tempo, depois se levantou e deixou a cabana arruinada, abandonando a aldeia cujo nome jamais memorizara.

Aquilo era apenas um jogo, afinal.

Mais uma vez, Su Mo apareceu à porta do castelo Barry, onde dois guardas armados lhe barraram o caminho com suas lanças.

“Quero falar com o mordomo Santo. Se ele não quiser me receber, diga-lhe que venho de Pulmo.”

Os guardas se entreolharam e, por fim, trouxeram o senhor Santo.

“Ferro…”

“Que Ferro? Procuro o Barão Barry. Acredito que ele queira me ver.”

“Jovem, há muitas coisas que não são como imagina. Você não tem ideia do que está fazendo.” O mordomo Santo falou com voz baixa. Era um homem idoso, cabelos e barba alvos, muito bem aparados, expressão bondosa.

“Ou talvez eu deva falar diretamente com o Conde Drácula?” Su Mo já tinha descoberto quem era o superior do barão.

O Conde Drácula era um dos oito grandes líderes da Confederação Livre da Ilha Long, um homem que começara como assassino e mercenário errante, e após anos de guerra, tornara-se grão-conde de um vasto território.

Para a maioria, Drácula era cruel e sanguinário.

Seu domínio fazia fronteira com Coro e não ficava longe do Reino de Norsa, sendo a principal linha de defesa da Confederação Livre contra magia e o clero.

O mordomo Santo pareceu engasgar, lançou um olhar furioso a Su Mo e entrou para avisar o barão.

Era um assunto de nível muito alto para que um simples mordomo pudesse decidir.

O Barão Barry recebeu Su Mo em sua sala de jantar.

De acordo com a etiqueta do Continente Oriental, receber alguém no refeitório era demonstração de grande proximidade. Mas o barão não o convidou para almoçar junto.

Su Mo não se importou, apenas refletiu.

Na última vez que estivera ali para matar a senhorita Barry, aquela jovem talvez outrora bela também estava se alimentando — de um braço de um criado.