Capítulo 0004: O Dedo do Pé em Decomposição
Ao sair da taverna e chegar à área de comércio de Haskins, ele retirou alguns itens de sua mochila e os colocou para venda sob sistema de gerenciamento. Embora tivesse acabado de ganhar algum dinheiro, isso fora em moeda real; precisava mesmo era de algumas moedas de ouro.
Ganhar dinheiro no Novo Mundo era uma tarefa árdua, principalmente devido aos altos custos. Havia taxas de reparo de equipamentos, poções, flechas e, às vezes, era necessário comprar pergaminhos para enfrentar chefes. O dinheiro que os monstros deixavam raramente bastava para cobrir os gastos.
Saindo e alternando para a visão de seu mascote, mais uma vez testemunhou um grupo de monstros conversando entre si.
Era como se fizesse parte de um grupo de bate-papo repleto de monstros, e Sumó agora era um deles, chamado de Laifu, um nome auspicioso e cheio de sorte, embora ninguém soubesse ao certo por que era frequentemente espancado por Chang Wei.
Rei Tigre Angus: “Aqueles jogadores não são tão difíceis de lidar, basta derrotar primeiro os curandeiros deles.”
Líder dos Javalis Selvagens, Sam: “Não concordo com você, irmão tigre. Nem todos ignoram o atributo de ódio. Melhor ir descansar, velho amigo.”
Rei Tigre Angus: “Você é mesmo um porco.”
Líder dos Javalis Selvagens, Sam: “De fato, eu sou um porco.”
Chefe Urso Negro, Dabbson: “Vou pedir ao sistema para me conceder dois capangas. Quero ver quem terá coragem de me enfrentar depois disso.”
Líder dos Javalis Selvagens, Sam: “Isso não resolve o problema. Quanto maior a força, maior a responsabilidade. Conheço um camarada, o capataz Vipp, um gnoll com oito capangas. Ele é fortíssimo, mas sempre deixa cair ótimos itens. Diariamente, muitos jogadores fazem fila para derrotá-lo. Ele está em situação pior que a minha.”
Lobo Selvagem Cruel, Laifu: “Malditos jogadores!”
Líder dos Javalis Selvagens, Sam: “Você tem razão, Laifu, jogadores são mesmo insuportáveis. Acabei de ser morto de novo. Duas equipes quase começaram a lutar, achei que ia lucrar, mas um velho experiente liderou sua equipe e aniquilou a outra em poucos movimentos.”
Chefe Urso Negro, Dabbson: “Na verdade, isso tem seu lado bom. Quando não estamos em serviço, podemos conversar e fofocar entre amigos.”
Lobo Selvagem Cruel, Laifu: “Verdade, conversar é ótimo. Irmãos, alguém sabe…”
Sumó desempenhou perfeitamente o papel de um monstro e logo obteve informações sobre três tipos de materiais, além de outros dados valiosos.
O primeiro material, o Crânio Pálido, era encontrado com o Necromante Lindberg, cuja localização era extremamente secreta. Se não fosse pela informação precisa, Sumó jamais suspeitaria que ali havia um mini-chefe de nível quinze. Não era de se estranhar que clientes com muitos recursos recorram a ele para o serviço. A aparição desse monstro, porém, ocorria em um horário específico: apenas após o anoitecer.
O segundo material, o Dedo Apodrecido, era ainda mais repugnante que o anterior, provavelmente relacionado a alguma missão de feiticeiro—profissão que, por tradição, lidava com itens nojentos, sempre ocultando o rosto sob o capuz. A Senhora Cathy Barry, de nível quinze, poderia fornecer esse item; era também um chefe bem escondido, ou melhor, parte de uma missão.
Por fim, a Vinha Sangrenta Letal, segundo as informações coletadas por Laifu, só era encontrada na Cordilheira de Kols, uma área de monstros avançados. O chefe que a deixava cair, o Guardião dos Elfos de Madeira, Ackman, era nível vinte e cinco, razão pela qual esse material ainda não circulava no mercado.
O mais acessível seria o Dedo Apodrecido, e Sumó precisava ir até a aldeia de Pulmó.
Essa aldeia ficava relativamente próxima da vila de Haskins, sendo, tecnicamente, subordinada ao distrito urbano de Haskins, situada na mesma direção da Vila dos Lobos Selvagens, onde Sumó nascera.
Coincidentemente, a primeira vez que entrou no grupo de bate-papo dos monstros, ouviu falar de uma missão secreta que também se desencadeava ali, relacionada ao Chefe Urso Negro, Dabbson. O mercador gnomo Claude havia posto uma recompensa por sua bílis de urso.
Para ativar a missão, era necessário algum esforço. A Flor de Subsolo era um dos ingredientes principais das poções de cura iniciais, e ninguém em sã consciência a venderia para um NPC. No entanto, para Sumó, tal obstáculo não era nada.
Por segurança, ele preparou dez flores de uma vez, avaliadas no mercado por quatro moedas de prata, enquanto Claude recompensava apenas com oito moedas de cobre. Não era à toa que os gnomos mercadores tinham fama de gananciosos.
Só um tolo venderia flores de subsolo para ele!
“Excelente, meu generoso amigo! Finalmente juntei os ingredientes para uma sopa de patas de urso. Agora só falta mesmo a pata. Você me ajudaria?” Claude acrescentou: “Mas tem de ser a pata do Chefe Urso Negro, Dabbson; não aceito de ursos comuns.”
“Você realmente tem um paladar refinado, deixe tudo comigo,” respondeu Sumó, aceitando a missão secreta sem hesitar.
Na verdade, em “Novo Mundo” não existiam missões secretas oficialmente; porém, tarefas que exigiam procedimentos tortuosos para serem ativadas e ofereciam recompensas generosas eram assim chamadas. Até os monstros do grupo de bate-papo adotaram essa definição.
Não havia pressa em concluir essa missão; o objetivo principal de Sumó era conseguir o nojento Dedo Apodrecido.
Segundo os monstros, esse item vinha da filha do Barão Barry.
A Senhora Cathy Barry havia retornado da cidade para o campo há meio ano, vivendo de forma reclusa, quase nunca aparecendo diante dos jogadores. Muitos que tentaram ativar a missão secreta voltaram de mãos vazias.
Muitos se perguntavam por que ela existia, já que não havia missão aparente.
“Gostaria de ver a Senhora Cathy Barry. Trago notícias do Barão Barry,” disse Sumó ao velho porteiro, mas antes que este pudesse reagir, ele cravou uma adaga em sua garganta.
Ao ver Sumó se aproximar, o porteiro ficou vigilante, mas ao saber o motivo da visita, relaxou. Aproveitando essa brecha, Sumó o matou sem alarde, sem alertar os demais.
No modo história, era possível eliminar NPCs desse modo.
Isso confirmava a suspeita de Sumó: o Solar dos Barry era, na verdade, uma masmorra.
A Senhora Cathy Barry estava infectada por um vírus necrótico havia tempo. Ela precisava de sangue para manter o corpo íntegro. O Barão, incapaz de matar a filha, enviou-a para o campo, junto de vários criados que desconheciam a verdade.
Esses pobres criados haviam sido transformados em alimento para a filha do barão.
Apenas o porteiro sabia da situação, servindo para afastar jogadores que se aproximavam em busca da missão secreta.
De fato, ao entrar, Sumó encontrou o solar completamente vazio.
Lá, só havia lápides espalhadas, todas postas pelo porteiro; bastava que a Senhora Cathy Barry chamasse e os criados mortos emergiriam como monstros para atacar invasores.
Agora, com o porteiro morto silenciosamente, ninguém mais os incomodava, e assim os criados continuavam adormecidos em seus túmulos.