Capítulo 0026: Eu sou um lobo

Grupo de Conversa dos Monstros Navegando sobre as águas, componho versos 2493 palavras 2026-02-08 05:49:40

O ofício de Beppotti era domadora de feras, pertencendo ao mesmo ramo de caçadores que Su Mo, sendo assim ela tinha mais chance de conseguir equipamentos excepcionais dessa linha. Quem quer que desencadeasse a missão, receberia a recompensa, não havia prêmio de equipamento para os demais; na quantia de três mil moedas que deram a Su Mo, não estava incluso nenhum equipamento, e até mesmo o saque do chefe ficava todo para ele, que era o líder.

“Obrigada por tudo o que fez por mim. Não tenho como retribuir, então lhe darei uma calça que usei antes,” disse Beppotti, tirando um equipamento e entregando-o a Su Mo como prêmio pela missão secreta.

Os cinco olharam silenciosamente para o objeto que a bela NPC oferecia, sem saber o que dizer.

Alguns, sem conseguir se conter, engoliram em seco.

A calça era um presente de uma bela mulher e, além disso, dizia-se que ela já a tinha usado antes. Aceitar ou não aceitar, eis a questão.

Ora, Su Mo a pegou sem hesitar.

Pelo menos o modelo não era um daqueles shorts curtos que Beppotti usava no momento; caso contrário, por mais despudorado que fosse, não teria coragem de sair usando, afinal, já fora um soldado do povo e não podia envergonhar o grupo por sua falta de vergonha.

No “Novo Mundo”, havia equipamentos masculinos, femininos e outros sem distinção. Pelo menos as recompensas de missão eram sempre usáveis pelo jogador, então o item de Beppotti era unissex.

Caçador da Floresta (Prata): Armadura 90, Agilidade +7, Vigor +12, Esquiva +12, Efeito especial: Rolamento. Ao usar, executa um rolamento rápido para frente ou para trás; falha ao colidir com obstáculos. Tempo de recarga: 2 horas. Requisito de nível: 25. Durabilidade: 6/38.

Excelente, não é à toa que era uma calça usada por Beppotti.

O rolamento, embora não muito elegante e com o risco de esfregar o rosto no chão, era um dos melhores efeitos de mobilidade no momento. Uma calça com efeito especial, e ainda por cima um dos melhores. Esse equipamento valia pelo menos três mil moedas.

Equipamentos azuis raramente vinham com efeitos especiais, e mesmo os prateados só alguns tinham. Os outros só podiam cobiçar, pois, embora todos tivessem algumas peças prateadas, ninguém reclamava de ter demais.

De qualquer forma, todos ficaram satisfeitos com a ação. Ao se despedirem, adicionaram-se como amigos, até mesmo Su Mo.

Depois de se separar, Su Mo começou a pensar na Torre dos Demônios Celestiais que visitaria no dia seguinte.

Se queria entrar para dar uma olhada, o mais urgente era aprender a lutar com o corpo de um lobo.

Analisando os mapas oficiais abertos até então, Su Mo escolheu o Porto de Pescadores de Corni.

A rigor, ali era um porto, onde se podia pescar, admirar o mar e treinar, devendo ser um local muito movimentado. No entanto, por algum capricho dos desenvolvedores, o local vivia coberto por uma névoa densa, em certos momentos tão fechada que não se enxergava nem a própria mão diante do rosto. Só um louco ficaria ali.

Su Mo gastou algumas moedas de ouro como taxa de teletransporte e foi direto ao local.

“Senhora, quero um quarto. Aqui está o pagamento. Não permita que ninguém me incomode,” disse Su Mo, entregando uma moeda de ouro — o suficiente para ficar pelo menos dez dias, pois o movimento econômico do porto era baixo e a hospedaria, baratíssima.

“Pode ficar tranquilo, rapaz, garanto que ninguém irá perturbá-lo,” garantiu a dona, gorda como um barril, recebendo sorridente a moeda.

“Louvado seja o Deus dos Mares,” murmurou Su Mo, pegando a chave do quarto e subindo pelos rangentes degraus de madeira.

No lado mais próximo ao mar havia uma pequena varanda. Su Mo deitou o personagem na cama da hospedaria e, mais uma vez, alternou para a visão de seu mascote.

Com as patas, cutucou o corpo do personagem deitado, mas este não reagiu, como se estivesse morto.

Também não adiantava dar ordens ao corpo do personagem.

Pensou em levar um mascote humanoide enquanto estivesse na pele de lobo, mas não seria possível.

O feroz filhote de lobo — Laifu — saltou da cama, correu até a varanda e pulou lá de cima.

Pluft! Ai…!

Mais uma vez caiu de cara no chão. Esse corpo realmente era difícil de controlar. Su Mo soltou um ganido, aguentou a dor e saiu mancando.

Graças à neblina, ninguém percebeu um lobo morto correndo pelas ruas desertas.

Fora do porto, já era possível encontrar muitos soldados-camarão e capitães-caranguejo.

Os soldados-camarão eram monstros de nível quinze, os capitães-caranguejo de nível vinte, e havia outros monstros de níveis variados entre dez e trinta e poucos. Mais longe, devia haver criaturas ainda mais poderosas.

Su Mo escolheu um monstro de nível quinze e, com cautela, o atraiu para uma área sem respawn.

Levantou a pata e desferiu um golpe.

-147!

Dano alto, mas acabou achando normal; Laifu estava no mesmo nível que Su Mo, vinte e cinco, enfrentando um monstro de nível quinze — o dano tinha que ser exagerado.

O pequeno monstro de nível quinze tinha uns quatrocentos a quinhentos pontos de vida e foi derrotado em poucos ataques.

Su Mo levou dois golpes, mas perdeu pouca vida.

O monstro largou três moedas de cobre. Su Mo as pegou com dificuldade usando a pata, mas logo ficou pensativo — o que faria com os itens que caíssem? Talvez devesse ter trazido uma mochila.

Já que estava ali, não valia a pena voltar só para isso. Monstros de níveis dez ou vinte raramente deixavam muito dinheiro.

Deixou as três moedas de cobre de lado e foi atacar outro soldado-camarão.

Não estava ali por dinheiro ou experiência, mas para se acostumar com o corpo de Laifu, para estar pronto para os possíveis combates na Torre dos Demônios Celestiais do dia seguinte.

Dentro da torre, certamente haveria lutas.

Monstros e jogadores eram todos parecidos — para conseguir algo melhor, era preciso se esforçar mais.

Depois de matar alguns soldados-camarão, Su Mo passou a desafiar os capitães-caranguejo.

A diferença entre eles era que os capitães tinham uma habilidade de flecha de gelo, que ao acertar diminuía a velocidade de Laifu, dificultando ainda mais sua movimentação.

Já não era fácil, ficou pior.

O lobo de nível vinte e cinco às vezes nem conseguia vencer um capitão-caranguejo de nível vinte, o que frustrou Su Mo, que se considerava ágil.

Mas sabia que não podia ser diferente.

Para alguém acostumado a andar sobre duas pernas, mover-se de repente com quatro e ainda lutar era complicado; exigia adaptação.

Esperava só não adquirir o hábito de andar de quatro após sair do jogo, pois se alguém visse, não teria mais cara de aparecer em público.

Depois de mais de uma hora de combates, Su Mo finalmente dominou as técnicas básicas e aprendeu a usar bem as três habilidades de Laifu: Golpe de Garra, um ataque único que causa dano e pode provocar sangramento; Pele Grossa, que aumenta temporariamente a defesa; e Varredura, uma versão de ataque em área do Golpe de Garra, atingindo inimigos num arco de 180 graus à frente.

As duas primeiras habilidades estavam sob controle; já a terceira ainda era complicada, pois girar 180 graus deixava Su Mo tonto.

Ele tentava reduzir o alcance da varredura ou até girar 360 graus, atingindo todos ao redor, mas a vertigem era algo que só o tempo ajudaria a superar.