Capítulo 0094 Não importa se você se comove, de qualquer forma eu não ouso me mover

Grupo de Conversa dos Monstros Navegando sobre as águas, componho versos 2411 palavras 2026-02-08 05:57:10

Não subestime esta etapa. Entre os inúmeros monstros que entram na Torre Celestial das Feras, apenas uma pequena parte consegue, com muito esforço, passar de fase.

Imitar o latido de cachorro, para um lobo, é relativamente simples, afinal, compartilham um ancestral comum. Mas imagine um tigre tentando miar como um gato, ou um javali tentando cacarejar como uma galinha. Se o azar bater à porta, qualquer coisa pode acontecer.

O comandante dos javalis, Sam, teve sorte. O relincho de burro era uma das poucas línguas estrangeiras que dominava.

Como a pronúncia não era lá muito precisa, a torre lhe concedeu apenas sessenta e cinco pontos. Felizmente, essa pontuação já era suficiente para avançar.

O grande momento após a aprovação era a recompensa.

Laifu olhava ansioso para a bandeja ao lado do aparelho de perguntas, onde havia surgido uma bolinha.

Uma pílula de atributos!

Laifu já não era o mesmo de antes, ignorante e desinformado. Agora, conhecia o mundo. Ao lado de Leon, o leão de juba surrada, já havia saqueado pílulas dessas.

Aumenta todos os atributos em dez!

Que dádiva, pensou Laifu, sentindo-se mais próximo do título de Rei dos Cem Sofrimentos.

Que venha uma segunda etapa ainda mais feroz.

Contendo o impulso de uivar para o céu, Laifu viu tudo escurecer diante de seus olhos e foi lançado à segunda prova.

Adivinhar enigmas!

Que infantilidade, pensou ao ler a questão, sentindo-se insultado em sua inteligência.

“Orelhas longas, brancas como a neve, pula e salta, é encantador!”

Coelhinho branco!

Parabéns, você acertou!

Flores e aplausos!

Sem dificuldade alguma. Era como se assumir o corpo de Laifu o tornasse imediatamente mais esperto.

Recompensa: subir cinco níveis.

Mas nada mudou, nem um avanço sequer. Su Mo, por que não morre? Ele impede minha evolução. Às vezes, parece que jogar como lobo é melhor do que jogar como humano.

Tomara que a terceira etapa não seja tão frustrante.

Frustrante?

Para outros monstros, ninguém consideraria frustrante.

Por exemplo, o chefe dos cães selvagens, Cardo, se chegasse ao nível cinco e ganhasse alguns aumentos de cinco níveis cada, logo se tornaria um chefe de nível trinta. Depois, um direito de promoção, ou quem sabe uma evolução por batalhas, e poderia subir para grupos de conversa de patamar mais elevado.

Para os monstros, ganhar equipamentos ou um novo talento não era a melhor das recompensas. O melhor prêmio era o direito de promoção, o objetivo final; depois, o aumento de cinco níveis, algo que nem derrotando centenas de jogadores se conseguiria em experiência.

A terceira etapa apareceu!

Ao ver o conteúdo, Laifu quase soltou um grunhido de javali.

Diante dele, surgiu um lobo idêntico a si, uma cópia exata, uma imitação descarada do desafio “Enfrente-se” da Torre Celestial.

Monstros também passavam por esse tipo de teste, afinal, se pensar bem, não era assim tão estranho.

A sombra e o original tinham vida e defesa praticamente iguais, mas a cópia sempre possuía um leve reforço e, além disso, conhecia todos os hábitos de combate do original. Se entrassem numa disputa de ataques e trocas, no fim, a sombra sempre sairia vitoriosa.

A Torre Celestial das Feras criou essa fase para estimular o despertar da inteligência nos monstros, testando suas capacidades mentais.

Os que conseguem passar são reconhecidos como monstros dotados de certa inteligência, do desconhecimento à aurora da consciência. Su Mo sentia como se estivesse dentro de um laboratório científico.

Em sua forma humana, sempre derrotava facilmente sua própria sombra, quanto mais na forma de monstro.

Se na Torre Celestial para humanos essa fase tinha dificuldade cem, aqui não passava de cinco.

Em poucos movimentos, Laifu derrotou sua sombra e o sistema anunciou sua vitória na terceira fase. Mais uma vez, diante dele, surgiu a conhecida roleta.

Pílula de atributos, vazio, nível +5, vazio, talento, vazio, Coração Selvagem, vazio, direito de promoção, inteligência +1.

Nove recompensas no total, quatro delas em branco, as outras cinco pareciam ótimas.

Aumento de cinco níveis e direito de promoção dispensam comentários. Laifu não gostava, mas outros monstros certamente apreciariam. Pílulas de atributos nunca são demais; cada uma trazia um acréscimo notável nas capacidades de ataque e defesa. Talentos eram investimentos a longo prazo: se viesse um talento poderoso, a força cresceria exponencialmente. Coração Selvagem não se sabia ao certo o que era, mas soava como um talento. Inteligência +1 era bizarro, mas essa característica parecia ser a chave para se tornar um Apóstolo das Feras, determinando até onde um monstro poderia chegar nesse sistema.

Resumindo, para Laifu, só interessavam de verdade a pílula de atributos e o talento, talvez também o tal Coração Selvagem, cuja utilidade era desconhecida.

Inteligência +1? Não precisava disso, nem um pouco.

Laifu controlou a respiração, então bateu com força no botão de ativação.

Logo em seguida, virou-se, deitou abraçando a cabeça, sem querer mais olhar para o ponteiro da roleta. Aquela ansiedade era demais para suportar.

O tempo passava devagar, e a única maneira de se distrair era relembrando acontecimentos passados.

A vida de Laifu, o lobo, era breve e ainda virgem, sem grandes recordações.

Já a curta vida de Su Mo, em pouco mais de vinte anos, fora repleta de acontecimentos: nasceu em família rica, era hedonista, até que, contrariando todos, decidiu alistar-se no exército, e foi às escondidas para o campo de batalha...

Ding!

Um som agudo interrompeu seus pensamentos. O tempo pareceu longo e curto ao mesmo tempo, afinal, nem chegou a recordar das ex-namoradas.

Laifu se aproximou da roleta e viu que o ponteiro parara em uma das opções.

Ainda bem que não caiu em branco, nem em algo inútil como o aumento de cinco níveis. Mas afinal, para que servia aquilo? Su Mo apertou o botão de receber recompensa e uma esfera de luz verde apareceu em sua pata.

Por que verde?

Será que agora a cor do perdão está na moda?

Coração Selvagem!

Ao conferir seus atributos, Laifu finalmente leu uma breve descrição.

Coração Selvagem: ao consumir, receberá uma herança fragmentada perdida nas correntes do tempo antigo.

Após pensar um pouco, Laifu decidiu engolir a esfera verde. Era grande, mas, felizmente, sua boca de lobo também era, permitindo engolir sem maiores dificuldades.

Se fosse uma arara a receber o Coração Selvagem, certamente ficaria confusa.

Depois de consumir, a jornada de Laifu pela Torre Celestial das Feras entrou em contagem regressiva. Agora estava à beira de um rio, entre um grupo de animais bebendo água.

Droga, um bando de leões!

Leões são animais sociais, sim, mas tantos juntos assim não é natural.

Os leões das planícies de Harrington eram todos monstros avançados, o mais fraco passava do nível trinta. Um grupo desses, se qualquer um resolvesse atacar, poderia acabar com ele facilmente.

Por ora, nenhum leão percebera o intruso em seu meio. Estavam preguiçosamente lambendo os pelos, bebendo água, ou deitados ao sol sobre as pedras quentes.

Laifu não ousava se mexer.

Não queria morrer, pois perderia experiência, e talvez até algum equipamento.

Um animal de estimação comum não perde equipamento ao morrer, porque nem tem equipamento. Mas Laifu era diferente: em sua mochila carregava seus preciosos protetores de garra, forjados pelo velho Sonny em vinte anos de marteladas. Se os perdesse, não haveria substituto.