Capítulo 0113 — De catar sucata a mendigar por comida (segunda atualização; peço votos mensais)
A pequena cidade de Dort possuía um portal de teletransporte, cujo custo ficava em torno de dois moedas de ouro, não era muito barato, mas também não era exorbitante. Grande parte dos ganhos dos jogadores era consumida por essas taxas de teletransporte e pelos custos de reparo, por isso muitos preferiam permanecer em uma área fixa para jogar. Jogadores como Su Mo, que circulavam incansavelmente por todos os lugares, geralmente eram ou da segunda geração ou comerciantes.
Hoje, um número maior de pessoas estava disposto a gastar para visitar Dort, e todas as pousadas estavam lotadas, com placas de “lotado” penduradas do lado de fora.
Quando Su Mo passou pela taverna, parou para ouvir e percebeu que quase todos ali falavam sobre o caldeirão ou reclamavam dos cães, o ambiente era bastante barulhento. Como não precisava buscar informações, não entrou.
Nos estágios iniciais, a prioridade era explorar o terreno, um hábito adquirido na vida real: ao chegar a um novo lugar, sempre buscava instintivamente o ponto mais alto e a melhor rota de retirada.
Depois de dar uma volta, voltou ao local da missão, a casa do xerife Solin.
A residência do xerife ficava na melhor área da cidade, parecendo uma propriedade rural.
Diziam que antigamente só um criado vigiava o portão, mas agora havia dois soldados, provavelmente porque o xerife, cansado de tantos incômodos, havia mobilizado os soldados da cidade para seu uso particular.
Se havia guardas na porta, certamente não faltavam dentro da propriedade.
Um jogador se aproximou do portão.
— Irmão soldado, ainda estão precisando de criados na casa do senhor Solin? Tenho dezesseis anos de experiência servindo chá, limpando vidros e afins!
— Cai fora!
Outro jogador tentou.
— Ouvi dizer que o senhor Solin tem um cachorro; sou um experiente “cata-cacas” e estou disposto a servi-lo fielmente!
— Cai fora!
— Tenho uma missão e preciso falar com o senhor Solin.
— Cai fora!
— Tenho informações militares urgentes para relatar ao xerife.
— Cai fora!
Jogador após jogador se chocavam contra a barreira, e os dois soldados não davam nenhuma chance para que alguém entrasse.
Muitos ficavam rondando, próximos ou distantes, mas Su Mo não viu ninguém tentando escalar os muros para invadir a propriedade, sem saber o motivo.
— O rei cão está patrulhando, a chance chegou! — alguém ao lado exclamou baixinho.
Su Mo então viu um imponente cachorro sair da casa do xerife, pleno de majestade e altivez.
Os jogadores que estavam perto do portão recuaram rapidamente.
O cachorro olhou em volta com soberba, caminhando lentamente para a frente. Todos, jogadores e NPCs, davam passagem, como se temessem ser atacados caso não se afastassem a tempo.
Isso não era um cachorro, era um comandante canino.
Logo, Su Mo viu dois jogadores correrem em direção ao muro e, não se sabe com que artifício, escalaram rapidamente para dentro da propriedade.
Contudo, logo se ouviram dois gritos agônicos vindos de dentro, fazendo com que ninguém mais ousasse agir precipitadamente.
Su Mo afastou-se da entrada e não tentou escalar o muro, embora, mesmo sem ferramentas, conseguisse fazê-lo com facilidade.
Ele seguiu o grande cachorro por um tempo, contornando até um local pouco movimentado na frente, então invocou Lai Fu.
Um patrulheiro com seu animal de estimação passou ao lado do cachorro, que continuou sua ronda majestosa, sem notar nada estranho.
Su Mo virou e entrou numa viela escura ao lado, onde encontrou um mendigo que havia descoberto antes, adormecido sobre um monte de lixo. Com dez moedas de cobre, comprou o velho tapete de palha e a tigela quebrada do mendigo.
Espalhou o tapete no chão, colocou a tigela e trocou para o conjunto de roupas de mendigo, então se encostou na parede para dormir.
Pouco tempo depois, um cachorro imponente saiu da viela, cabeça erguida, caminhando vagarosamente. Seguiu sua ronda pela cidade, e todos, transeuntes e NPCs, evitavam seu caminho. Quem observasse atentamente perceberia que o cachorro estava se movendo mais rápido que o normal.
Diferente das rondas anteriores, ele não seguiu as rotas habituais, pulando várias ruas, e finalmente retornou à propriedade do xerife sob olhares reverentes dos jogadores.
Nenhum soldado ousou impedir o cachorro, o animal de estimação do xerife — quem teria coragem?
O cachorro circulou um pouco pelo terreno e se aproximou silenciosamente da cozinha da casa do xerife.
O xerife era um abastado; a cozinha era enorme. Lai Fu — sim, o verdadeiro cachorro talvez ainda estivesse patrulhando, mas o que entrou na propriedade era Lai Fu, possuído por Su Mo.
Ele começou buscando informações úteis nos fóruns, rapidamente identificando pontos de entrada a partir de casos fracassados.
Achou que usar o instinto selvagem de Lai Fu para se disfarçar como o cachorro era uma boa ideia.
Assim, começou a pesquisar sobre o cachorro nos fóruns.
Primeiro, o cachorro entrava e saía sem impedimentos, os guardas não ousavam detê-lo; segundo, ele patrulhava as ruas em intervalos regulares; por fim, existiam algumas rotas para a patrulha, todas com duração semelhante.
Os jogadores, ansiosos para roubar o caldeirão durante as saídas do cachorro, tinham informações completas a esse respeito.
Ao chegar a Dort, Su Mo explorou o terreno e rapidamente planejou várias estratégias; o excesso de hóspedes na pousada foi imprevisto, mas ele tinha o conjunto de mendigo, resolvendo o problema perfeitamente.
Se necessário, ele planejava até esconder Lai Fu no lixo.
Para ele, esse nível de sujeira era irrelevante.
Mudar a rota para entrar rapidamente na propriedade, ganhando uma vantagem de tempo antes do retorno do cachorro, era a parte mais crucial da missão.
Chegando perto da cozinha, o cozinheiro na porta nem o percebeu.
A missão parecia quase garantida.
No entanto, ao avistar o homem sentado no canto escuro da cozinha, Lai Fu quase teve um arrepio instintivo, levantando os pelos do corpo.
Felizmente, a firmeza mental de Su Mo manteve tudo sob controle, por dentro ele estava agitado, mas externamente permaneceu calmo como um cão velho.
O cachorro caminhou lentamente até perto do homem, deitou-se e bocejou preguiçosamente.
— Você chegou na hora certa. Cuide da cozinha para mim. Se alguém entrar, morda até matar. Aquele mercador Hanmo, o canalha, ousou me insultar. Dessa vez ele escapou, na próxima vai direto para a prisão — o homem levantou-se, acariciou a cabeça de Lai Fu e saiu confiante.
O som das botas de aço ecoou nas pedras do chão, afastando-se até quase desaparecer.
Lai Fu pulou de repente, correu até o icônico caldeirão, confirmou que era aquele, guardou-o na mochila, trocou a visão de volta para o corpo e convocou novamente o pet.
Só então Su Mo soltou um suspiro de alívio.
Na tigela quebrada no chão havia três moedas de cobre.
— Comprei tudo isso por dez moedas de cobre, pelo menos recuperei parte do investimento — disse, guardando cuidadosamente o tapete e a tigela, depois deixou a cidade de Dort.
Ele não pretendia entregar a missão pessoalmente a Hanmo; ficar mais um segundo ali era extremamente perigoso.
O Salão dos Mercenários não apenas distribuía missões, mas também podia receber entregas por ele. As recompensas — trezentas moedas de ouro e uma mochila de dezesseis espaços — estavam todas guardadas lá.