Capítulo 0074 - Nem Galinha, Nem Cão Restarão

Grupo de Conversa dos Monstros Navegando sobre as águas, componho versos 2526 palavras 2026-02-08 05:54:59

Depois de imobilizar Fu Jiafeng no chão pela enésima vez, Su Mo já estava ofegante de tanto esforço; afinal, ele já havia testado vários aparelhos de ginástica.

— Mais... mais uma vez! Hoje, se eu não te deixar procurando os dentes pelo chão, eu nem me chamo Fu Jiafeng — o jovem, suando em bicas, mal conseguia se manter em pé.

— E se não se chamar Fu Jiafeng, vai se chamar o quê?

— Vou te chamar de papai! — Fu Jiafeng respondeu com uma risadinha.

Su Mo ficou sem saber se estava saindo no prejuízo ou levando vantagem, mas no fundo não fazia diferença: o importante era continuar batendo.

Foi então que, de repente, um grupo de jovens coloridos invadiu o local e começou a chutar e socar Fu Jiafeng, que acabara de ser novamente nocauteado, arrancando-lhe gritos de dor.

A surra deles era diferente da de Su Mo: embora os golpes de Su Mo doessem um pouco, ele nunca machucava de verdade, caso contrário Fu Jiafeng viveria com hematomas. Já aqueles de cabelos amarelo, verde, roxo e branco batiam para valer.

Enquanto batiam, ainda gritavam: — Seu traidor! Juramos juntos que dividiríamos a boa e a má sorte, mas você nos traiu e saiu da organização! Hoje vamos fazer justiça!

Que confusão era aquela? Su Mo correu para apartar a briga.

Eram quatro jovens e, sem querer machucar ninguém gravemente, a solução de Su Mo foi simplesmente obrigá-los a deitar no chão. Quem tentasse levantar, apanhava de novo. Depois de algumas tentativas frustradas, os jovens aceitaram conversar com Su Mo deitados.

— De onde vocês saíram? — Su Mo perguntou, intrigado.

— Esses são meus irmãos de juramento. Pode me bater à vontade, mas se tocar em um fio de cabelo deles, Su, eu juro que você vai passar o resto da vida aleijado! — Fu Jiafeng, já todo roxo, esforçou-se para se levantar.

— Você também deita aí. Se são irmãos, que fiquem todos juntinhos — disse Su Mo, dando-lhe um leve tapa, e Fu Jiafeng imediatamente encostou o rosto no chão.

— Fu, quem é esse cara? — um dos jovens perguntou, quase chorando.

O estranho era que, apesar dos golpes de Su Mo parecerem leves, todo o corpo deles doía, e o pior: mesmo juntos, quatro contra um, não tinham chance.

— Esse aí é Su Mo, conhecido como o Velho Demônio Su. Não se deixem enganar pela cara feia dele; já teve até uma namorada que era a mais bonita do colégio. Ainda bem que terminaram, senão seria mesmo um desperdício de flor em esterco — disse Fu Jiafeng, animando-se deitado no chão.

Su Mo lhe deu um chute no traseiro, arrancando novo gemido.

Com aquela confusão, os frequentadores da academia logo se reuniram, curiosos.

— Não é aquele o instrutor? Como pode sair batendo nos outros assim? — Alguém que não conhecia Su Mo comparou o próprio porte físico com o dele. Embora fosse um pouco inferior, ainda achava que talvez pudesse fazer justiça.

— Deixa pra lá, só assiste — aconselhou outro.

— O instrutor sabe o que faz. Fu Jiafeng apanha dele todo dia e nunca aconteceu nada sério — avisou um conhecedor àquele novato.

— Meu Deus, apanhando desse jeito e ainda provocando... Tem certeza de que aquele rapaz não levou um golpe na cabeça?

— Bem...

— Ei, olhinho pequeno, tá dizendo que quem tem problema na cabeça? Olha direito, será que não enxerga direito por causa dos olhos pequenos?

Um potencial aliado se perdeu ali mesmo.

— Todo mundo pro seu canto! Nunca viram adulto batendo em criança? — Su Mo lançou um olhar e os fortões voltaram rapidinho para seus exercícios.

— Su, é melhor nos soltar. Vou avisando, minha irmã...

— Sua irmã mandou eu bater em você à vontade!

— O quê? Ela disse isso mesmo? Não pode ser! Ela sempre dizia que se orgulhava de ter um irmão como eu!

— Quando foi isso?

— Acho que faz uns sete, oito anos... foi na quarta série, acho — Fu Jiafeng tentou lembrar, mas não conseguiu.

— Aposto que sua irmã se arrependeu amargamente dessa frase. E vocês, não são irmãos de juramento? Por que bateram tão forte? Olha só essas olheiras de panda, está até bonitinho!

— Também não sei, talvez tenham apanhado na rua e vieram descontar em mim. Mas somos irmãos, então aceito levar a culpa. Irmão é pra essas coisas!

— Fu, para de fingir. Você escreveu aquela carta prometendo não andar mais conosco, postou no fórum da escola e nos fez virar motivo de piada. Até a professora respondeu, elogiando seu arrependimento!

— Foi o Su Mo que me obrigou a escrever, eu só fiquei com pena...

— Chega, calem a boca! — Su Mo finalmente entendeu a história. Naquela vez, Fu Jiafeng tinha intimidado o monitor do laboratório e, flagrado por Su Mo, acabou apanhando e sendo forçado a escrever a tal carta, que Su Mo postou anonimamente no fórum da escola. Os irmãos de juramento se sentiram traídos e agora tinham aproveitado a chance para cobrar.

— Isso é problema entre irmãos...

— Fiquem deitados! Quem falar, apanha. Quando eu estiver falando, ninguém interrompe. Caprichem na postura! Ei, você aí, por que está empinando tanto o bumbum?

— Su!

Tapas e mais tapas. Dor de cabeça. Todos sentiram dor de cabeça.

— Droga!

Mais tapas.

— Eu...

— Fu, cala a boca! Quer nos matar? Esse senhor está falando, não ouviu? — um dos jovens, quase chorando, conteve o mais inconsequente.

— Irmão, você entende das coisas! — Su Mo elogiou.

— Senhor, prazer, meu nome é... — o jovem, emocionado, tentou se apresentar.

Tapas novamente.

— Eu deixei você falar?

Por fim, o silêncio reinou. Os cinco deitados no chão, como pequenos codornas peludas.

— Quando vocês chegaram, eu estava batendo em Fu Jiafeng. Perguntaram se eu permitia? Como ousam se meter, hein? Por que não respondem?

— Senhor, você não deixa a gente falar!

— Ah, é mesmo... Então vou continuar. A partir de hoje, Fu Jiafeng não é mais irmão de vocês. De agora em diante, amizade cortada...

— Su, não tente nos separar!

Tapas.

— Não dizem que são todos por um? Se um dia eu matar Fu Jiafeng de tanto bater, tenho que procurar vocês também e acabar com todos, é isso?

Enquanto falava, Su Mo deu um chute no saco de pancadas, que voou alto.

Fora Fu Jiafeng, os outros quatro jovens ficaram apavorados, agarrados à cabeça, tremendo de medo.

— Senhor, nunca mais vamos procurar Fu Jiafeng. Se a gente cruzar com ele, muda de calçada. Se descumprirmos, pode nos furar, acabar com tudo!

Que absurdo! Mas ao menos estavam intimidados. Su Mo ergueu o queixo:

— Podem ir. Vão esperar eu convidar vocês para jantar?

— Vamos, vamos, estamos indo!

— Irmão, terceiro, quarto, quinto... — Fu Jiafeng, arrasado, viu seus quatro irmãos de juramento fugirem sem olhar para trás.

— Você é mesmo tonto. Eles bateram em você para valer, olha só como já está inchado. Eu já bati em você tantas vezes e nunca ficou assim. Esses adolescentes problemáticos merecem apanhar mesmo!