Capítulo 0064: O Cowboy do Oeste
Vestido como um catador de sucata, mas levando consigo um filhote de panda. Seria isso uma fofura contrastante? Não, nem um pouco fofo; as moças já começaram a sentir pena do bebê panda. Com um dono tão pobre, que tipo de vida miserável nosso panda deve levar?
— Faz uma graça, faz uma graça — incentivou Su Mo, cutucando a bundinha redonda do panda.
— Você já cresceu, já é um panda adulto, precisa aprender a ganhar dinheiro sozinho.
O panda rolou no chão, abriu a boca e soltou um rugido de dragão feroz, fazendo as garotas gritarem ainda mais alto. Eram tantas que o barulho era ensurdecedor. O panda abraçou a perna de Su Mo, escondendo-se atrás dele, mostrando apenas metade da cabeça e espiando seus fãs com os olhos rodeados de negro.
Se a fofura tivesse poder letal como nos jogos, Su Mo provavelmente veria as garotas sangrando sem parar diante dele.
A competição funcionava por votação do público presente, cada pessoa só podia votar uma vez e precisava assistir a pelo menos um terço do evento para poder votar. Assim que terminava, abriam a votação e, em dez minutos, contavam os votos.
As atividades do jogo eram mais simples e fáceis de fiscalizar do que na vida real. Para ganhar popularidade, o Clube dos Animais Fofos promovia esse tipo de evento quase toda semana, já era a quinta edição.
Durante a votação, um painel eletrônico exibia o número de votos de cada mascote. Normalmente, todos os competidores recebiam alguns votos; se trouxessem amigos, estes os apoiavam, e mesmo que não trouxessem, ao menos a mãe não deixaria de votar no filho — então, pelo menos um voto teriam.
Hoje, porém, tudo mudou.
Primeira cena:
— Não combinamos que você votaria no meu Bebê?
— Ai, não posso ir contra minha consciência, isso me faria sofrer, você teria coragem de me ver morrer de dor?
— Você... Sabia que amigas não são confiáveis.
Segunda cena:
— Paguei vocês para votarem no meu mascote, para quem deram o voto afinal?
— Ah? Desculpa, esqueci... Toma, devolvo o dinheiro.
Terceira cena:
— Ué, filha, só tem um voto pra você, onde está o seu?
— Hahaha, amor, votei no panda, ele é tão fofo, queria um pra mim também!
— Hmph, mulheres...
Quarta cena:
— Obrigada, obrigada a todos por votarem no nosso panda! Mas finjam que não me conhecem, senão meu irmão não vai deixar eu transmitir ao vivo. Da próxima vez, podemos nos encontrar por acaso e treinar juntos...
— Pequena Jiu, você é tão fofa, com essas duas orelhinhas apontadas pra cima!
Depois de toda essa disputa (será que foi mesmo?), o panda ficou na frente de todos os mascotes, conquistando o primeiro lugar com mil trezentos e cinquenta e oito votos de um total de mil e quatrocentos válidos.
Infelizmente, um mascote campeão só pode participar da competição uma vez.
Su Mo até achou que seria melhor ficar em segundo lugar, assim poderia voltar na semana seguinte e fazer dessa competição um negócio permanente.
— Esse dinheiro o papai guarda pra você, quando crescer te devolvo.
O panda, acariciado pela garota que entregava o prêmio, nem sabia que tinha faturado mil moedas de ouro só por ser fofo.
Ao preço atual do ouro, isso equivale a pelo menos cinquenta mil na moeda do mundo real.
Antes, ele já tinha trinta mil, depois ganhou mais trinta mil vendendo o núcleo de árvore laranja, agora mais cinquenta mil, além de ainda ter umas cem ou duzentas moedas na mochila. Su Mo agora exibia um ar de rico ostentador.
O objetivo de juntar cem mil para o mês já estava cumprido.
— Irmão!
— Mana, o que você quer agora?
— Divide um pouco do dinheiro comigo!
— Quanto você quer?
Por mais que fosse pobre, Su Mo nunca negou nada à irmã e tirou logo um punhado de moedas de ouro.
— Cem moedas de ouro!
Dez moedas ele nem sentia, mas cem já doíam no coração. Cem moedas de ouro eram uns cinco ou seis mil reais. Nem todo negócio que Su Mo fazia rendia tanto.
Porém, agora ele não era mais um qualquer; o grupo de bate-papo dos monstros lhe dava segurança. E como sua irmã estava transmitindo ao vivo para milhares de fãs, mesmo se fosse só para manter as aparências, tinha que bancar o generoso.
— Toma! Fique à vontade para gastar!
— Obrigada, irmão! — agradeceu Su Jiu, toda animada, correndo para algum lugar com as moedas.
Su Mo ficou curioso para saber o que ela ia comprar e foi atrás.
Logo viu Su Jiu entregar as cem moedas para uma moça muito bonita.
Mana, será que você está sendo enganada?
A moça pegou as moedas, olhou para Su Mo com desdém e então fez uma transação com Su Jiu.
Su Jiu voltou e entregou algo para Su Mo.
Uma roupa?
Uma skin!
Esse é o sinal máximo de um jogador que gasta dinheiro: roupas e skins no jogo.
Su Mo finalmente entendeu porque a irmã queria dinheiro e imediatamente se arrependeu de ter pensado em abandoná-la algum dia.
Era uma skin de caçador.
Claro, outros personagens também podiam usar, mas só para caçadores o efeito completo aparecia.
Cowboy do Oeste!
Vestindo essa skin, Su Mo ficou com a aparência de um típico cowboy: chapéu, camisa e colete, sobretudo, poncho, cinto, calças, botas e até um charuto no canto da boca.
O visual geral lembrava uma versão de alto nível do protagonista de Red Dead Redemption.
Apesar de não ser nada fashion, Su Mo exalava um charme decadente de homem maduro.
O arco longo foi transformado pela skin em uma espingarda de cano longo; ao atacar, o efeito era de uma espingarda, embora continuasse atirando flechas — o dano, velocidade de ataque e outros parâmetros não mudavam.
O cinto tinha coldre e porta-munição.
Normalmente, uma skin dessas não seria tão barata. Cem moedas de ouro só comprariam uma skin bem comum; esse cowboy já chegou a valer cento e oitenta moedas.
Só que no Clube dos Animais Fofos só havia moças, e nenhuma delas queria uma skin dessas.
Além disso, Su Jiu era tão fofa e prometeu participar de todos os eventos do clube, então a transação foi feita.
— Uau, irmão! Agora você está muito bonito! Olhem, meu irmão não está muito estiloso agora? Ainda parece um catador de lixo?
O chat ao vivo finalmente começou a valorizar a aparência de Su Mo, mas como ele proibia a irmã de interagir com os fãs, ainda havia quem resmungasse, criticando-o. Logo, Su Jiu silenciava todos eles.
Seu irmão, afinal, não era alguém que essas pessoas de fora pudessem criticar à vontade.
— Mana, o que você quiser, eu compro pra você! — Su Mo, tocado, decidiu agradar ainda mais a irmã. Afinal, ainda tinha muitos dias no mês e ele praticamente ganhava dinheiro todo dia. Não precisava economizar.
— Não preciso de nada, irmão. Guarda o dinheiro. Ainda me sobraram dez moedas, toma, te dou dez, fico só com algumas de prata para consertar meus equipamentos.
Ao ver a mãozinha branca lhe entregando as moedas, Su Mo sentiu o nariz arder de emoção.