Capítulo 0062 – O Abraço Mortal (Peço votos de recomendação)

Grupo de Conversa dos Monstros Navegando sobre as águas, componho versos 2500 palavras 2026-02-08 05:53:38

Su Mo entrou facilmente na mesma caverna azul da última vez. O local continuava intocado por outros jogadores, pois o precipício restringia o acesso para a maioria. Na verdade, o “Novo Mundo” incentivava os jogadores a explorarem usando a imaginação: era possível subir montanhas, mergulhar nos mares ou cavar túneis.

Su Mo estava distraído, ainda refletindo sobre a missão principal. Ganhar quarenta por cento de experiência em uma única tarefa era algo chocante. Em tese, deveria estar satisfeito — e de fato estava, mesmo tendo perdido um equipamento de raridade lendária.

O que mais o incomodava era a estranheza da morte do Barão Barry. Se aquela era mesmo uma missão principal, onde estaria o verdadeiro fio condutor?

Tudo começara com o desaparecimento de um servo, levando à descoberta de que a filha do barão havia sido corrompida por sangue demoníaco, tornando-se um monstro devorador de homens. A partir daí, investigou-se a responsabilidade do barão, que acabou se suicidando. Um acontecimento deste tipo dificilmente teria impacto sobre o destino do continente; talvez, além dos envolvidos, ninguém se importasse.

O extraordinário sempre esconde algo de anormal.

Então, onde estaria o erro?

O mordomo Santo, com seu ar decrépito, não parecia poder ser o chefe final. O Conde Drácula era o típico nobre covarde. O feiticeiro Diel mostrava desprezo pelos nobres selvagens como Drácula, mas fora isso, não havia mais nada.

As missões de “Novo Mundo” eram conhecidas por sua complexidade. Às vezes, não se podia analisá-las apenas sob a ótica do jogo, mas em outros momentos isso era necessário.

Se pensasse com lógica do mundo real, quem se importaria com a morte do Barão Barry? O mordomo Santo era seu servo, o Conde Drácula seu superior, ambos deveriam se importar, mas Su Mo não sabia até que ponto, o que poderia afetar o enredo.

O velho Santo, mesmo que quisesse, não teria forças. Já o Barão Drácula, que era um dos oito grandes mestres da Federação Livre, talvez fizesse algo extremo por Barry.

Mas até que ponto um ato extremo seria considerado enredo principal?

Su Mo já tinha algumas suspeitas, mas jamais imaginaria que o Barão Barry não estava morto, nem que Drácula e os demais eram, na verdade, membros do lendário clã dos vampiros.

Após um tempo extraindo minérios, Panda Bolinha subiu para o nível quinze. Su Mo, ansioso, foi conferir a nova habilidade e ficou pasmo.

“Agarra-Perna”: nível um, ativa, recarga de trinta segundos; agarra a perna do alvo, causando atordoamento por três segundos ou lentidão por cinco. Ignora imunidades — basta que o alvo tenha pernas.

Sem dúvida, era uma habilidade de controle. Com duas habilidades defensivas, uma de provocação e agora uma de controle, Panda Bolinha tornava-se o tanque dos sonhos. Faltava apenas uma habilidade de dano alto ou de geração de ameaça.

Mas o detalhe “basta que tenha pernas” era estranho.

Será que isso significava que Panda Bolinha podia controlar até chefes?

Pensando assim, mesmo que a habilidade parecesse pouco digna de uma besta divina, passava a ser aceitável.

Su Mo mandou a Panda usar Agarra-Perna num escorpião. O escorpião gigantesco foi imediatamente imobilizado, perdendo toda sua ferocidade. Su Mo disparou duas vezes e viu que o escorpião não despertou mesmo sob ataque.

Excelente!

A habilidade era incrível. Não à toa Panda Bolinha era descendente de uma besta divina, muito superior aos monstros de elite comuns.

— Aqui, coma isto! Não role no chão, meu bebê, está sujo. Vamos, coma mais um, coma outro — dizia Su Mo, tirando um a um os diamantes azuis que antes relutava em dar ao panda. No fim, pegou um punhado de uma vez. Afinal, cada diamante consumido dava experiência à Panda, e Su Mo queria que ela chegasse logo ao nível vinte.

Infelizmente, a digestão ainda precisava de tempo.

Su Mo decidiu deixar o jogo em modo automático e ir ao banheiro. Jogadores podiam fazer isso, mas seus personagens ficavam imóveis e vulneráveis a ataques de inimigos, morrendo perdiam experiência. Por isso, normalmente os jogadores confiavam essa tarefa a companheiros. Su Mo não tinha aliados, mas tinha sua mascote, que já era capaz de vencer monstros de nível vinte sozinha, apesar de estar apenas no quinze.

Ao sair da cápsula de jogo, a primeira coisa que viu foi Fu Jiafeng, sentado com as pernas cruzadas, fumando.

— Me dá um cigarro! — pediu Su Mo, estendendo a mão.

— Pega você mesmo — respondeu Fu Jiafeng, levantando o queixo. Gente das ruas, normalmente, não era mesquinha.

— Olha só, cigarro da melhor marca! Você come arroz frito com ovo, mas fuma coisa cara — comentou Su Mo.

— Hehe, eu não sou como você, não sou pobre. E você, que já não era bonito, era um filhinho de papai, agora… — Fu Jiafeng demonstrou certa pena.

Su Mo olhou para ele por um instante, mas resolveu perdoá-lo, afinal, por causa do cigarro.

— Ei, volta aqui! Não vai conversar?

— Vou ao banheiro!

— Aliás, notei que você demora para ir ao banheiro. Não sente vontade?

— Meus rins são bons!

— São mesmo? Então por que sua namorada te largou?

— Ora, Fu Jiafeng, você está querendo apanhar, não é?

Depois de alguns tapas, Su Mo, com o cigarro nos lábios, foi ao banheiro relaxado.

De volta ao jogo, continuou minerando. Não havia pressa em subir de nível; poderia procurar os Elfos da Madeira Caídos no dia seguinte. Com um nível a mais, seria ainda mais fácil derrotá-los.

Após algum tempo, sua mochila já estava cheia de diamantes azuis, o suficiente para alimentar Panda Bolinha por pelo menos dois dias.

— Irmão! Irmão!

Su Mo achava a irmã, Su Xiaojiu, um pouco irritante às vezes, mas como já pretendia voltar, não se incomodou tanto.

— Está transmitindo ao vivo de novo?

— Sim, irmão, estou em Tallinn agora. Tem muita, mas muita gente aqui!

— O que você quer comigo?

— Vai ter um torneio de mascotes. Traga logo o Bolinha! Uau, tem tantos mascotes fofinhos!

— Irmã, estou ocupado!

— Tem prêmios, muitos prêmios!

— Espere um pouco, já estou indo.

Su Mo arrumou as coisas e partiu para Tallinn. Antes de sair, ainda deu um banho em Bolinha.

Tallinn era a capital da Federação Livre de Longdao e sede do parlamento. Antes da fundação de Longdao, fora a cidade real do Império Sater. Naquela época, parte da família real aliou-se a magos e traiu o clero.

Quando magos e clero se destruíram mutuamente, a nobreza declarou independência e formou a Federação Livre de Longdao, sem domínio de magos nem do clero.

Tallinn não passara por muitas guerras, mas estava em constante reconstrução. Agora, era inegavelmente a maior cidade do continente oriental.

No local combinado, a praça central, um torneio de mascotes realmente acontecia.

— Vejam, aquele que está chegando é o meu irmão. Não é bonito?

— Hm, será? Nem parece um catador. Meu irmão deve ter bons equipamentos, talvez só não esteja usando uma skin…