Capítulo 0038: Aquele que Espera pela Laranja
“Deixa a gente tocar um pouquinho, vai. Te dou dinheiro, não serve? Só tenho uma moeda de ouro, deixa eu tocar por dez minutos, por favor, irmão, meu querido...” Meu Deus, que poder devastador. Su Mo quase desmaiou.
Meu pet, que capturei com tanto esforço, é meu amigo, meu irmão, como poderia permitir que vocês o toquem assim, sem mais nem menos?
“Formem uma fila aí! Um minuto, uma moeda de ouro. Ele gosta de comer rato de bambu assado, ou brotos de bambu frescos. Podem trazer para ele! Ei, você aí, já tocou, não pode entrar na fila de novo. Só temos uma hora hoje, se você tocar duas vezes, como os outros vão tocar? Supervisionem uns aos outros!”
“Vocês podem abraçar, mas não apertem muito, ele ainda é um bebê.”
“Ei, moça, não empurra ele contra o peito, vai sufocar o bichinho!”
O vilarejo de Hagens estava especialmente movimentado hoje, e muita gente veio ao ouvir a notícia. A maioria eram moças, cada uma agindo como se tivesse encontrado um ídolo, incapazes de conter o entusiasmo.
“Uau, que fofinho! Então é essa a sensação de abraçar um panda! Eu sou de Sichuan e nunca abracei um, que emoção!”
“Ele me lambeu, vocês viram? Ele me lambeu! Fui lambida por um panda! Ele gosta de mim.”
“Queria tanto dormir abraçada com ele... Esse jogo é maravilhoso.”
Quando a hora terminou, Su Mo encerrou a exposição do panda imediatamente. Chamou de volta seus dois pets para casa: o filhote de panda, que estava muito feliz com os carinhos das moças, e o Lai Fu, que ninguém sequer olhou.
Mesmo assim, uma multidão de moças o seguia.
Algumas perguntavam como ele conseguiu capturar o filhote de panda, e ele respondia pacientemente, repetindo a história várias vezes.
Outras queriam saber quando haveria outra exposição, se poderiam reservar ingresso; Su Mo dizia que não tinha como garantir, era questão de sorte. Se fossem moças muito bonitas, podiam adicionar como amigas, e logo uma enxurrada de pedidos de amizade chegou.
Também lhe perguntaram o nome do filhote de panda.
Su Mo respondeu que ainda não tinha pensado nisso, então as moças começaram uma animada discussão, cada uma defendendo seu nome preferido. Por fim, pediram que ele esperasse para decidir, pois fariam uma enquete no fórum para escolher o nome da pequena criatura.
Su Mo não se importava muito; era só um nome, afinal.
Inicialmente, ele pensou em chamar o panda de Chang Wei, mas achou injusto com Lai Fu, então hesitou até agora.
Ele planejava, de vez em quando, alugar o filhote de panda para moças bonitas tocarem. O pequeno gostava disso, e as moças eram generosas ao alimentar.
Su Mo até pensou em cobrar mais caro.
Mas seria exploração demais. No jogo, os custos são altos; uma moeda de ouro não é pouca coisa, ainda mais cobrando das moças adoráveis.
Ele não era do tipo que se rendia só por ver moças, mas também não queria acabar sozinho.
Ganhar dinheiro com o panda só renderia trocados, então fazia isso por no máximo uma hora por dia para um extra, afinal os pets precisam de cuidados, e ele era um dono dedicado.
Na verdade, nem precisava cuidar tanto assim.
As moças que o acompanharam até o depósito trouxeram todo tipo de alimentos. A mochila de Su Mo era pequena demais para guardar tudo, e como as moças insistiam em presentear, ele teve que deixar no depósito.
O espaço do depósito pessoal não era grande, mas Su Mo era pobre e não guardava muita coisa, então servia perfeitamente para armazenar comida dos pets.
Brotos de bambu recém colhidos, rato de bambu assado preparado por chefes, petiscos variados, tudo repleto de carinho.
“Bem, belas e bondosas damas, tenho coisas a fazer, nos vemos na próxima,” Su Mo acenou feliz, pronto para treinar com seu filhote de panda.
“O que você tem pra fazer? Deixa a gente tocar mais uma vez!”
As moças não desistiam, algumas confiantes na beleza, usavam charme e olhares provocantes, deixando Su Mo atordoado. Felizmente, era profissional, treinado, e não se deixou vencer por essas tentações.
“Eu juro, tenho mesmo coisas pra fazer... Caramba, é sério! O rapaz lá está esperando eu comprar laranjas pra ele.” Sem perder tempo, Su Mo correu para o ponto de teletransporte.
As moças não conseguiram detê-lo, e só puderam ver seu panda desaparecer.
Su Mo não hesitou em gastar moedas para se teletransportar, depois galopou com seu cavalo e chegou o mais rápido possível à margem do lago, onde ele e Ye Qing enfrentaram a cobra rainha Martha. Como esperado, encontrou o homem montado no cavalo negro esperando no mesmo lugar.
Ele suspeitava que, durante todo esse tempo, o outro nem tinha se movido.
Um homem imóvel, um cavalo imóvel.
“Você chegou. Podemos começar?” A voz do outro era calma, sem traço de irritação, nada parecido com alguém que esperou horas.
Ficar horas para entregar uma missão, ninguém acreditaria.
“Desculpe a demora, esqueci do nosso acordo,” Su Mo, diante daquele homem, não conseguia brincar, e ficou sério: “Como quer competir?”
“Não tem problema, o importante é ter vindo. Se quiser, proponho duas disputas: uma luta normal, outra sem armas nem equipamentos, só no braço. O que acha?” O homem falava devagar, sempre passando uma sensação de lentidão.
Su Mo franziu levemente o cenho, mas aceitou: “Está bem, meu nome é Cavalo de Ferro e Gelo. E o seu?”
Dessa vez, o silêncio foi mais longo, até que o outro respondeu, lentamente: “Cavalo de Ferro e Gelo nos sonhos... Belo nome. Eu sou Deitado Embriagado no Campo de Batalha.”
Su Mo também ficou em silêncio. Precisa mesmo ser tão brega? Quase parece nome de casal, mas o outro não estava mascarado nem disfarçado, era só um homem comum. Dois homens, e dão nomes de casal.
Depois de um momento, Su Mo perguntou, decidido: “Você é militar?”
“Sim, servi alguns anos, detalhes prefiro não comentar. Imagino que você também.” Deitado Embriagado no Campo de Batalha finalmente desceu de seu precioso cavalo negro, guardou o animal e sacou duas adagas curtas.
“Assassino?” Su Mo também guardou seu cavalo e convocou Lai Fu.
“Sim. E você, qual tipo de caçador?” A classe de assassino guerreiro é bem distinta dos guerreiros normais, mas a de caçador é mais vaga, difícil de identificar.
“Descubra você mesmo.” Su Mo não respondeu, apenas levantou o arco e disparou uma flecha.
Era a flecha envenenada, uma técnica comum dos caçadores, não guiada. Ao acertar, além do dano inicial, o veneno no dardo causa dano contínuo, dificultando que o assassino entre em modo furtivo.
No sistema atual, caçadores não temem assassinos, mas o contrário também é verdadeiro.
Deitado Embriagado no Campo de Batalha desviou calmamente, entrou em modo furtivo. Oportunidade dele era no combate corpo a corpo; se chegasse a menos de cinco metros de Su Mo, este estaria em apuros.
Caçadores têm um ponto cego a menos de cinco metros; o arco longo vira arma de combate próximo, perde a função de disparar.
Bestas de mão e armas de fogo curtas podem ser usadas, mas perdem muito poder.
Ou afasta-se, ou luta corpo a corpo; não há muitas opções para caçadores.