Capítulo 47: O Coelhinho Branco e Alvo

Grupo de Conversa dos Monstros Navegando sobre as águas, componho versos 2609 palavras 2026-02-08 05:51:51

Mais uma vez online, Su Mo primeiro alternou para a perspectiva de Laifu e ficou um tempo no canal de bate-papo dos monstros, sondando informações de forma indireta, antes de sair com o filhote de panda. Ao colocar o pé para fora, logo se viu cercado por uma multidão; hoje, a pequena cidade de Hajins estava tomada de gente.

— É mesmo um panda, meu Deus, e ainda por cima é um filhote... — exclamou uma garota, quase sem conter a baba.

Moça, acalme-se, você está praticamente babando.

— Podemos tocá-lo? Posso fazer um carinho nele?

Poder, podem, mas com tanta gente assim hoje, se deixarmos todos passarem a mão, o pobre filhote vai acabar sem um tufo sequer do pelo preto e branco.

— O que ele come? Trouxe várias guloseimas.

Isso é fácil, posso guardar para ele, prometo que não vou comer escondido.

— Ele costuma dormir bastante? O que você deixa ele fazer?

Nada, basicamente. Enquanto eu caço monstros, ele só observa, nunca deixei um monstro sequer encostar nele. Afinal, estamos protegendo um animal.

— Mentira, olha só, o filhote está até mostrando a língua para você, com certeza está mentindo.

Ele está é com fome, rápido, deem alguma coisa para ele comer.

Pronto, comecem a formar fila, temos apenas uma hora, sessenta vagas, um ouro por pessoa. Ah, linda senhorita, quer fazer um carinho?

Após escolher a dedo sessenta garotas bonitas e simpáticas, o filhote de panda se entregou aos braços calorosos delas.

Sessenta ouros em uma hora, com o preço do ouro hoje a cinquenta e cinco... Mais de três mil reais, e o melhor é que não exige esforço, nem envolve risco algum. Sem contar as comidas que as garotas trazem para alimentar o panda, que depois podem ser vendidas — na verdade, nem o panda nem Laifu dariam conta de comer tudo.

Pena que não é algo duradouro; se fosse, só de vender essa experiência diariamente já daria um bom dinheiro.

Se não fosse pelo pai batalhando para sustentar a família, ou pelo sonho grandioso e quase absurdo que trazia consigo, talvez Su Mo se contentasse com essa vida tranquila e acolhedora.

Quando completou a hora, Su Mo já planejava fugir com o filhote de panda.

Nos primeiros minutos, com uma ou duas garotas acariciando, o filhote ficou bem contente, mas depois foi ficando cada vez mais incomodado — e não era por causa da beleza das garotas, mas por algumas que, sem muita educação, tentaram inspecionar seu sexo.

— Como ele se chama? — perguntou uma garota, barrando o caminho de Su Mo.

— Ainda não tem nome. Alguma sugestão? Se não, estava pensando em chamá-lo de Changwei. Não é um nome imponente?

As garotas ao redor o encararam como se ele fosse louco.

E olharam para o panda com pena. Um animal tão fofo, e acabou com um dono tão esquisito.

— Discutimos bastante no fórum, e gostaríamos que ele se chamasse “Rolinho”, pode ser?

— Tudo bem, então vai ser Rolinho. Pena de Laifu, achei que tinha arrumado um companheiro para ele — respondeu Su Mo, indiferente, pois detestava dar nomes.

Para ele, nomes não passavam de códigos, nada importantes.

Após fugir do cerco, Su Mo decidiu ir treinar e aumentar de nível. Missões secretas não aparecem assim tão facilmente, nem mesmo com um grupo de monstros para conversar.

E não dava para ficar só aceitando missões, pois no fim das contas, o nível era fundamental.

A manhã passou toda nesse ritmo. Só à tarde lembrou que precisava dar uma olhada na irmã, que também havia entrado no jogo — afinal, os pais haviam pedido isso várias vezes.

Ele não sabia o ID dela, nem onde ela estava.

Mas encontrar Su Xiaojiu era fácil. No jogo, Su Mo abriu a plataforma de transmissão ao vivo — tecnologia bem comum em jogos virtuais, a ponto de permitir até assistir filmes no quarto de uma hospedaria.

Assim, enquanto treinava matando monstros, podia ver transmissões ao vivo, desde que não se distraísse e acabasse morto por um monstro.

Caso contrário, a monotonia do treino mataria a maioria dos jogadores de tédio.

A transmissão de Su Xiaojiu apareceu diante dos olhos de Su Mo. A cena era tão forte que mal dava para assistir.

— Vejam, pessoal, um coelhinho! Que fofura, parece até saboroso... Vamos testar a habilidade de pancada... — dizia ela, empunhando uma colher de arroz gigante, maior que ela mesma.

Com um baque, acertou em cheio a cabeça do pobre coelhinho, que ficou tonto, com estrelinhas rodopiando por cima, e caiu em estado de atordoamento. Então, Su Xiaojiu deu outra colherada, dessa vez no rosto do coelho.

Um coelhinho nível doze eliminado assim, sem cerimônia.

— Coelhinho branco, orelhas em pé, corto a artéria, depois a veia, paradinho fica tão bonitinho... — cantarolava enquanto esfolava o animal.

A tela do chat se encheu de elogios.

Mas alguns espectadores estavam confusos:

— Xiaojiu, você não sente medo? Achei que meninas ficavam com medo disso.

Sem parar, ela ainda respondia aos comentários:

— No começo dava um pouco de medo, mas depois passei a imaginar que os monstros são meu irmão, aí não tenho mais medo.

Mais elogios no chat.

Su Mo semicerrava os olhos e percebeu que a irmã já tinha alcançado o nível dez e feito a mudança de classe — e ainda por cima escolheu uma rara: cozinheira.

Assim como ferreiro, alquimista, engenheiro, a cozinheira é um ramo das profissões de suporte.

Ser raro não significa ser uma profissão secreta; na verdade, qualquer um pode virar chef ou cozinheira, mas a maioria prefere os ramos dos quatro grandes: guerreiro, mago, sacerdote ou caçador.

A vantagem das cozinheiras é que, ao comerem os próprios pratos, ganham bônus de atributos ou efeitos especiais mais fortes.

Além disso, são mais habilidosas em esfolar e cortar carne, com chance aumentada de obter ingredientes e peles de melhor qualidade.

É uma profissão de suporte, com poder de luta inferior às quatro principais.

Mas, vendo Su Xiaojiu derrubar um coelho com duas colheradas, não parecia tão fraca assim.

Cozinheiras podem usar vários tipos de armas, mas assim que equipam uma, sua aparência muda automaticamente para colher, garfo, frigideira e semelhantes.

Mesmo equipando arco ou arma de fogo, os projéteis viram talheres.

— Olhem só, pessoal, um coelho branco gigante! Que tal fazer um ensopado com a carne dele, e usar o pelo para fazer uma roupa? A deusa Conlina não é só uma chef, mas também uma excelente costureira!

O chat ia à loucura, enchendo a tela de memes e brincadeiras.

Su Mo, mesmo de longe, sentiu um frio na espinha. Será que essa pestinha sabe o que significa “chefe”?

Nem todo coelho é ingrediente; às vezes, o coelho é que vê você como comida.

E então, sua irmã nível doze foi derrotada por um chefe nível quinze. Vestida de empregada, a pequena cozinheira caiu desajeitada no chão, olhando para o céu azul com olhos vazios — a cena era quase cruel, e o chat foi tomado por mensagens tristes.

Mas Su Xiaojiu não era burra, não insistiu em morrer de novo, mas também não queria desistir.

— Xiaojiu, quer que a gente te ajude?

— Xiaojiu, sou nível vinte e sete, deixa eu te proteger...

— Ninguém venha! Se vocês aparecerem, nunca mais faço live. Meu irmão não deixa eu encontrar vocês, nem no jogo. Se não, ele me pendura e me bate...

— Seu irmão é um grande heitai!

— E agora, o que vai fazer? Você não consegue vencer esse chefe, para formar grupo precisa ter quinze, sozinha só acima do vinte.

— Vou pedir ajuda pro meu irmão! Irmão!

O comunicador de Su Mo já tocava. Embora não fossem amigos no jogo, era possível discar o número do mundo real, e o jogo conectava automaticamente.