Capítulo 0003: Contratar um assassino (Peço votos de recomendação e que adicionem aos favoritos)

Grupo de Conversa dos Monstros Navegando sobre as águas, componho versos 2819 palavras 2026-02-08 05:47:26

O chefe tombou. A sacerdotisa aproximou-se para vasculhar o corpo e, em seguida, exibiu os itens que haviam caído. Chefes populares são assim mesmo, jamais tão miseráveis quanto o líder dos cães selvagens, Cardo.

Os itens eram todos ótimos: um tufo de pelo roxo de lobo e dois equipamentos azulados. Com os jogadores em sua maioria ainda no nível vinte e pouco, estavam valendo ouro. Aquela família já havia derrotado o chefe javali Sam duas vezes, mas nunca tinham conseguido nada tão valioso como desta vez.

Ao recordar a frieza de Su Mo há pouco, mesmo sendo quatro de um lado só, o chefe da família não conseguia se sentir tranquilo, temendo que Su Mo, com um leve sorriso nos lábios, pudesse atacar de repente.

— Irmão, escolha o que quiser, fique à vontade!

Desta vez, até o filho caçula, geralmente mais impulsivo, manteve-se em silêncio.

— O pelo roxo de lobo, fico com ele. O resto não quero — declarou Su Mo, fiel aos seus princípios. Se havia dito que só queria um material, era só isso mesmo. Não importava que os dois itens azuis fossem valiosos.

Ainda havia alguns itens caídos dos corpos dos jogadores. Su Mo deu uma olhada rápida e pegou duas poções.

Uma poção de cura intermediária valia cinco moedas de prata na loja, nada demais. Mas o que de fato o alegrou foi encontrar uma poção de aceleração, algo valiosíssimo, capaz de salvar uma vida em situações perigosas.

— Ir... irmão, vamos virar amigos? — O jovem de espírito rebelde, chamado Imperador dos Céus, aproximou-se nervoso, ignorando o olhar repreensor dos pais e da irmã. No início, sentira medo, mas logo passou a admirar Su Mo cada vez mais.

Na idade deles, era natural idolatrar os fortes. Ser alguém admirável não era tirar boas notas ou participar ativamente das aulas, mas sim jogar bem, lutar melhor ainda e, se possível, conquistar a garota mais bonita da escola.

As ações de Su Mo haviam conquistado em cheio o coração do jovem.

— Claro, sou um jogador profissional, resolvo problemas para os outros. Se precisar, é só me chamar — respondeu Su Mo, aceitando o convite sem hesitar.

Sua voz e expressão eram tão suaves quanto a lã de uma ovelha. Sem saber de seu passado, ninguém jamais o associaria a um assassino impiedoso.

Despediu-se dos companheiros temporários e, enquanto avisava o cliente para buscar o item, retornou ao vilarejo de Hajins.

O contratante, após dias de espera infrutífera, já tinha perdido as esperanças. Quando soube que o pelo roxo de lobo fora finalmente conseguido, correu imediatamente ao encontro.

A Taberna do Pirata Caolho, em Hajins, era o local escolhido por Su Mo para realizar transações. O dono do estabelecimento era um pirata aposentado, constantemente bêbado e adormecido sobre o balcão. O negócio ia mal, só havia cerveja barata e, para comer, pão duro ou frutas passadas. Poucos se aventuravam ali.

Su Mo gostava justamente do sossego e dos preços baixos, tornando o lugar sua base de operações.

Jogou três moedas de prata na caixa do pirata, tirou três canecas de cerveja do barril e colocou duas diante dos compradores.

Eram um homem e uma mulher. A mulher, chamada Lua Escarlate, era bastante bonita, da classe assassina, e brincava incessantemente com uma pequena adaga reluzente. Se houvesse fãs presentes, certamente suspirariam por ela. Pena que ali só havia um pirata bêbado e um mercador frio.

O homem chamava-se Tai Xiao, um mestre de marionetes.

— O dinheiro? — Su Mo esperou um tempo e, vendo que não havia iniciativa, tomou a dianteira.

— E a mercadoria? Deixe-me ver — debochou Tai Xiao, descrente de que Su Mo tivesse conseguido o pelo roxo de lobo. Sua equipe, com mais de cem membros, investigara por toda parte, contratando várias guildas de mercenários, sem encontrar vestígios do item. Por que aquele aventureiro solitário teria sucesso?

Devia estar tentando enganá-los com outra coisa qualquer.

— Como de costume, o pagamento primeiro — Su Mo avaliou o casal, sem saber ao certo quem mandava.

— Como sei que não vai me passar a perna? — Tai Xiao insistiu.

— Se em três minutos não houver transferência, coloco o item na casa de leilões — respondeu Su Mo, direto como sempre. Ou faziam negócio, ou não faziam.

— Eu acredito que ele tem o pelo roxo de lobo. Tai Xiao, faça a transferência — interveio Lua Escarlate, deixando de girar a adaga. Se o outro lado, de fato, tivesse o item raro, e soubesse da urgência deles, colocaria à venda por um preço exorbitante.

— Se der problema, a responsabilidade é sua — reclamou Tai Xiao, sentindo sua autoridade ameaçada.

— Sem problemas. Se der errado, eu me responsabilizo. Transfira mil moedas, depois eu explico ao chefe — Lua Escarlate respondeu com convicção.

Tinham combinado oitocentas, agora era mil. Se fossem enganados, seria um prejuízo duplo.

Curiosamente, Tai Xiao não refutou. No fundo, torcia para que Su Mo fosse um trapaceiro, desaparecesse com o dinheiro e deixasse Lua Escarlate em apuros.

Logo Su Mo recebeu a notificação da transferência de mil moedas. Confirmou e passou o pelo roxo de lobo para Lua Escarlate.

— Está perfeito, é exatamente o que buscávamos.

— Confira direito — alertou Tai Xiao.

— Temos um novo pedido. Consegue entregar em cinco dias? — Lua Escarlate ignorou o companheiro. Quando não conseguiam o item, ele se irritava, e quando conseguiam, ficava com inveja. Vai entender.

— Não precisa me desafiar. Três mil moedas. Se eu conseguir, entro em contato — Su Mo respondeu com confiança, agora munido do canal de comunicação dos monstros.

— Só três mil? Achei que pediria cinco — comentou Lua Escarlate, sorrindo maliciosa. Percebeu que Su Mo era alguém de princípios, não mudaria o preço.

Su Mo arqueou as sobrancelhas. Será que todos esses ricos negociam assim? Se soubesse, teria pedido dez mil.

— Tai Xiao, pode ir. Tenho mais a tratar aqui — disse Lua Escarlate após o negócio, erguendo a caneca de cerveja barata.

Tai Xiao lançou um olhar hostil a Su Mo, quis dizer algo mas, diante do olhar impassível de Lua Escarlate, se conteve e saiu contrariado.

— Gente assim é um saco, da próxima vez não traga — comentou Su Mo, observando a saída de Tai Xiao, sem disfarçar sua opinião.

— Ele é nosso vice-líder...

— Então troque de guilda, não tem futuro com gente assim — replicou Su Mo. — Tem mais alguma coisa? Precisa que ele se ausente para falar comigo?

— Você aceita qualquer trabalho? Tenho um serviço particular. Aceita? — perguntou Lua Escarlate.

— Aceito, desde que pague — respondeu Su Mo, sem hesitar. Precisava muito de dinheiro, uma quantia grande. Na vida real, só ganharia na loteria ou assaltando banco, então só restava lucrar no jogo.

— Preciso que mate uma pessoa para mim. Hum... no jogo, claro — sentiu que a conversa tomava um rumo estranho.

— Quem?

— Um alto escalão do Império Galáctico, chamado Polvo Letal.

Su Mo observou discretamente a expressão da mulher e percebeu seu desgosto só de mencionar aquele nome.

— Império Galáctico? Que grupo é esse?

— É a Galáxia Tecnologia de Rede, no mundo real. Eles entraram no jogo e fundaram um clube. Polvo Letal é um dos chefes e tivemos desavenças. Pode matá-lo para mim?

— Por quê?

— É só um jogo, você precisa de motivo para tudo? Vai aceitar ou não?

— Desculpe...

— Por quê?

— Primeiro, não sei o motivo. Não vai querer que eu mate alguém só porque se chama Polvo Letal e você odeia polvos, né? Segundo, não gosto de arranjar encrenca com gente poderosa. Por fim, morrer no jogo só faz perder um pouco de experiência. Melhor deixar para lá.

— Mil moedas!

— Fechado!

— Mate-o três vezes. Cada vez, mil moedas.

— Certo, prometo que cumprirei. Como quer que ele morra?

— Hm... não sei — Lua Escarlate sentiu-se um pouco constrangida. Como mandante, faltava-lhe criatividade para maldades.

— Não se preocupe, farei com que cada morte dele seja única — assegurou Su Mo, compreensivo.