Capítulo 82: Será que o panda sabe nadar?

Grupo de Conversa dos Monstros Navegando sobre as águas, componho versos 2429 palavras 2026-02-08 05:55:48

Não havia necessidade de provocar novamente o elfo de madeira decadente; Su Me decidira retornar para entregar a missão do Senhor da Cidade Arco-Íris.

Considerando sua posição atual, matar piratas seria sem dúvida mais vantajoso, além de servir como um bom teste para suas habilidades. Acostumado a enfrentar piratas diariamente, conhecia seus hábitos como a palma da mão; três ou quatro deles não representavam ameaça alguma para ele.

— Laifu, eletrifique-os! — ordenou Su Me, apontando para três piratas que havia atraído para um mesmo ponto.

Laifu começou a mover rapidamente os lábios, provavelmente murmurando um feitiço. Três segundos depois, lançou a versão enfraquecida e castrada do “Campo de Relâmpagos de Saglara” — popularmente chamada de “mini-relâmpago”.

Su Me sentiu imediatamente uma pontada de inveja. O Rei dos Bichos Preguiça precisava de mais de um minuto para conjurar o feitiço; Su Me levava cinco segundos, o que lhe conferia certa satisfação e superioridade, ainda que fingisse humildade. Mas agora, diante de Laifu, sua empolgação esmorecia. Por que ele precisava de cinco segundos, enquanto Laifu fazia em apenas três? Seria a língua dos cães mais concisa? Se assim fosse, Laifu poderia superar Saglara e tornar-se o maior mago canino do continente oriental. Ou simplesmente um mago-cão...

Os três piratas sofreram dano. Su Me, com um ataque básico, podia causar mais de quarenta pontos de dano, e às vezes, atingindo o limite, chegava a setenta. Já o mini-relâmpago de Laifu causou setenta pontos de dano em cada pirata. Parecia um feitiço bem poderoso, especialmente quando há muitos inimigos.

Infelizmente, após usar o feitiço, Laifu ficou completamente sem mana, incapaz de lançar qualquer outra magia, limitando-se a atacar com as patas.

Hoje Su Me não precisava treinar combate usando a perspectiva de Laifu; era hora de aprimorar o Panda Bolinha. Muitos jogadores da classe caçador eram abastados, capazes de comprar mais espaços para mascotes e pergaminhos de domesticação. Contudo, tirando as garotas que colecionavam mascotes por diversão, jogadores sérios não mantinham muitos companheiros.

Isso porque era difícil treiná-los. Por mais resistente que fosse o mascote — como o Panda Bebê, descendente de uma besta ancestral —, se não evoluísse, com habilidades apenas no nível um, não conseguiria derrotar nem um pirata de nível trinta.

Su Me precisava atacar com tudo para garantir que o Panda Bebê não fosse abatido pelo inimigo.

— Au! — um rugido de dragão feroz, não só atraiu o pirata escolhido por Su Me, como também trouxe mais dois que estavam atrás das rochas.

Fica claro, portanto, que um alcance amplo de provocação nem sempre é vantajoso.

— Pare de tentar ser fofo, isso não vai funcionar com eles! Vamos sair daqui! — Su Me chamou o Panda Bolinha e foi o primeiro a saltar para o mar.

Será que pandas sabem nadar? Su Me começou a se questionar.

Antes, quando enfrentava piratas demais para vencer, ele e Laifu pulavam na água. Os piratas xingavam na margem, em uma língua incompreensível, e logo desistiam. Ninguém sabia por que eles não combatiam nadando.

Dessa vez, Su Me esqueceu que seu mascote era Bolinha e saltou como de costume. Bolinha, obedecendo sem hesitar, também pulou. Ao entrar na água, primeiro boiou como uma bola, mas logo começou a afundar.

Pobre criatura, parecia apavorada.

Quando água entrou em seu focinho, começou a se debater. Su Me, resignado, nadou até ela para ajudá-la a emergir.

Para sua surpresa, Bolinha rapidamente aprendeu a nadar, agitando as patas e interagindo com a água. Seu corpo redondo, longe de representar um peso, gerava uma flutuabilidade peculiar, e seu pelo colaborava em movimentos harmoniosos.

Na vida real, pandas provavelmente não sabem nadar — pelo menos não de maneira tão “gamificada”. Talvez não fossem tão habilidosos quanto Su Me, mas a aptidão de Bolinha era impressionante, pois logo aprendeu a flutuar de barriga para cima, sem qualquer instrução.

Quando todos os piratas se afastaram, o jogador e o mascote voltaram à margem para continuar lutando.

O Panda Bebê ganhava mais experiência, afinal era de nível baixo, enquanto os piratas variavam entre vinte e cinco e trinta, às vezes aparecendo monstros excepcionais acima do nível trinta.

Por isso, Su Me planejava passar o dia matando piratas, até que Bolinha atingisse o nível vinte.

Quanto ao risco de ser perseguido pelo Rei dos Piratas, Su Me não se preocupava; o Ferreiro já avisara que isso só aconteceria após eliminar um certo número de subordinados do Rei.

Esse aviso, porém, mostrou-se um tanto duvidoso, pois logo Su Me sentiu o amargo fruto da ganância.

Sistema: Devido à sua caça desenfreada, você afetou os planos de embarque do Chefe Pirata Biquir para amanhã. Ele virá ao seu encontro em uma hora. Por favor, dirija-se imediatamente a uma área fortemente guardada.

Su Me, distraído, levou um tiro de pirata no rosto esquerdo, perdendo metade da face e ficando com um efeito de confusão e cegueira por dois minutos.

Maldição, ficou desfigurado.

Apressou-se, junto ao Panda Bolinha, a eliminar o agressor e decidiu fugir imediatamente. O sistema alertara para escapar, sinalizando que a diferença de poder era grande demais para qualquer chance de vitória.

O Porto de Peixes de Coni era impraticável, praticamente o quintal dos piratas; ir para lá era suicídio, não busca de proteção.

Se precisasse, usaria moedas para teleportar-se até a Cidade de Luo — nem o Chefe Pirata Biquir, cujo nome já indicava fraqueza, ousaria mostrar sua cara feia lá. Mesmo o Rei dos Piratas não teria coragem de tirar o chapéu que escondia sua deformidade.

Os magos saberiam ensinar aos piratas o que é respeito.

Afinal, magos tinham tradição de caçar piratas para obter materiais humanos, especialmente após firmar parceria com o clero. Tiveram de abandonar o prazer de profanar túmulos e passaram a capturar piratas para dissecar e estudar.

Em certa época, uma sacerdotisa do clero foi atacada pelos piratas, tornando-se inimiga mortal deles.

Há quem suspeite que os magos só perseguem piratas por incentivo do clero.

Com um destino em mente, Su Me não tinha mais medo; no Porto de Peixes de Coni havia um portal para a Cidade de Luo, embora o preço fosse exorbitante.

Começou a pesquisar sobre Biquir.

Era um pirata jovem, com poucos contatos com jogadores e raras menções nos registros dos NPCs. Seu pai, o velho Biquir, era um famoso trapaceiro.

A partir dessas informações, Su Me pôde deduzir que o jovem Biquir era um chefe de nível trinta. Seu método era entregar uma “carta de morte” e aparecer na hora marcada para matar o adversário.

Ninguém sabia de onde tirara essa ideia maluca; errava em sete de dez tentativas, pois avisar o alvo era garantir que ele fugisse. Nos lugares mais comuns, Biquir nem tinha coragem de se aproximar.

Su Me, então, pensou em não fugir.

Era apenas um chefe de nível trinta, nada demais. Embora não pudesse derrotá-lo sozinho, poderia chamar “gente”…