Capítulo 0068: Você prefere ficar careca ou gastar dinheiro?
— Material de ouro?
Os quatro jovens pobres já se sentiam milionários depois de receberem cinquenta moedas de ouro de Su Mo.
Compraram armas e armaduras raras, e até se permitiram o luxo de caçar monstros enquanto tomavam poções; derrotar chefes do mesmo nível era questão de minutos.
Confiando no bom equipamento, ainda se meteram numa briga com outro grupo de cinco jogadores e, naturalmente, saíram vitoriosos — só o bastão de ossos de Yunfei foi destruído, mas o time adversário foi aniquilado.
No governo, ter aliados é caminho para altos cargos; nos jogos, ter um protetor evita que você seja alvo de abusos.
No entanto, antes que pudessem aproveitar essa sensação de invencibilidade, Su Mo já queria levá-los a investir dinheiro no jogo.
No momento, os dois tipos mais comuns de gastar dinheiro no jogo eram: a roleta de prêmios — que envolvia dinheiro real, vinte reais por vez, mas sem garantia de se tornar mais forte, já que os prêmios não desequilibravam o jogo; o máximo eram roupas e montarias estilosas, mas inúteis nas batalhas.
O outro tipo eram os materiais especiais — esses sim, tornavam o jogador mais forte e eram aprovados tanto por ricos quanto por pobres: os ricos compravam experiência, evitando o cansaço de matar monstros até a exaustão, enquanto os pobres, caçando monstros até terem câimbras nos olhos, ainda ganhavam ao encontrar esses materiais.
Equilibrar a riqueza virtual era, afinal, o objetivo de um jogo saudável.
— Interessam-se em me ajudar a encenar para enganar alguém? — Su Mo avistou à distância o “Ovo Preto” do Templo dos Deuses, e logo bolou um plano ardiloso.
Trapacear?
Jamais — tudo era questão de vingança.
— Enganar quem? Por que enganar, qual sentido há nisso? — Roxa perguntou.
— Ah, Roxa, sai pra lá, vai brincar com teu irmão — Yunfei afastou Roxa e, empolgado, quis saber quem era o alvo e qual seria o plano.
Yunfei, sendo um necromante, só podia invocar pequenos esqueletos, muito parecido com o ID de Roxa, Ossos de Ferro — por isso, acabaram formando uma dupla de irmãos.
— Estão vendo aquele sujeito de pele escura, parecendo um ovo preto?
— Realmente parece um daqueles ovos; ele te irritou? Que tal emboscá-lo e matá-lo de uma vez? — Matar no jogo não é crime, então Yunfei já começava a se empolgar.
— Matar não é certo — Roxa limpava a mascote esquelética de Yunfei e ainda respondeu.
— Matar não ajuda, e além disso ele é só um comprador; talvez nem saia da zona segura por alguns dias. Quanto ao motivo... — Su Mo fez uma pausa — Ele faz parte do Templo dos Deuses.
Na mesma hora, Tiãozão, que estava agachado descansando, se levantou, Roxa largou os ossos, Yunfei pegou seu cajado e Velho Gato entrou em modo furtivo.
— Calma, é só um figurante, vamos apenas passar a perna nele.
Depois de combinarem tudo, Su Mo foi entregar as missões, como fizera no dia anterior. Vestia hoje um traje de cowboy do oeste, e seu porte de jogador experiente abriu caminho entre a multidão que cercava o aprendiz de mago Harry.
— Se eu entregar cinco vezes hoje, tem alguma recompensa extra? — Su Mo perguntou, esperançoso.
— Eu... hoje não preparei pergaminhos úteis, só três de Fraqueza e Doença — Harry sentiu-se culpado, achando-se inútil, mas se apressou a prometer: — Quando dominar pergaminhos mais avançados, te darei um.
— Combinado! Toque aqui — na verdade, três pergaminhos desses já eram muito valiosos.
— Sim! — O aprendiz de mago sentiu-se orgulhoso como nunca, batendo as mãos com Su Mo, ignorando os bajuladores ao redor, que não significavam nada.
Depois de entregar os materiais, o sistema avisou que Su Mo completara cinco missões e recebera experiência equivalente a cinquenta por cento do nível atual.
Cinco missões dão um pouco mais que cinquenta e quatro por cento, ou seja, pouco menos de onze por cento por missão.
Antes, ganhava doze por cento porque do nível vinte e seis ao vinte e sete era mais rápido; agora, do vinte e sete ao vinte e oito, a experiência necessária aumentou, e onze por cento já estava bom.
— É o mesmo de ontem, ele entregou cinco vezes! Esse cara é incrível!
Roupas fazem o homem... ou melhor, Su Mo de hoje não lembrava em nada o “rei dos trapos” de ontem. Se não fosse por entregar cinco missões, ninguém o reconheceria.
Muitos ali o tinham visto no dia anterior e agora presenciavam novamente o feito de entregar cinco Corações de Árvore Alaranjada de uma vez.
No “Novo Mundo”, o tempo de jogo não era limitado, mas o combate exigia pontos de energia. Quem estava sem energia ficava ali, esperando recuperar, para então sair caçar monstros e subir de nível.
— Talvez ele ainda monte uma barraca, como ontem...
Sob olhares ansiosos, Su Mo foi até o lado, armou seu pequeno comércio mais uma vez. Como de costume, pôs à mostra vários materiais diversos, mas em destaque, um Coração de Árvore Alaranjada.
— Venham ver! Último Coração de Árvore Alaranjada, edição final, mais barato que no mercado!
Ao ouvirem que estava mais barato, todos correram, e logo depois, ao ver o preço, dispersaram-se rapidamente.
— Trapaceiro! Seu coração é mais negro que tudo, hum!
Negro era pouco — marcar um Coração de Árvore Alaranjada por oitenta moedas de ouro era inédito.
Aquilo valia cinquenta, sessenta moedas no máximo. Com sorte, nem cinquenta.
Su Mo, impassível, cruzou os braços e riu em silêncio.
Todos o olhavam como se fosse um bobo; mesmo depois de vender dois corações ontem e comprar uma roupa nova, continuava o mesmo.
O “Ovo Preto” estava ali entre a multidão; ele temia não conseguir comprar esse coração “mais barato” que o do mercado, mas agora estava em dúvida.
Os corações que comprava não eram para si, mas para os ricaços do seu clã, que haviam dito para comprar todos, não importando o preço.
Se ele realmente seguisse isso à risca, teria que dar adeus ao cargo de comprador-chefe, um ótimo emprego.
Oitenta moedas! Ontem eram sessenta; como pode subir tanto em um dia?
Não vou comprar, só um idiota compraria!
Enquanto hesitava, viu alguém pairar perto do balcão, e o Coração de Árvore Alaranjada sumiu.
— Que barato! Fiz um ótimo negócio! — O comprador ainda comentou, indo direto entregar a missão para o aprendiz Harry, subindo de nível logo após.
No “Novo Mundo”, havia vários efeitos visuais para subir de nível; o mais comum era um clarão branco, mas na roleta podia-se ganhar outros efeitos.
Os mais discretos podiam até escolher não exibir efeito algum.
— Este foi mesmo o último, agora acabou de vez! — Logo em seguida, o mesmo vendedor pôs outro coração à venda.
— Esperem, eu compro! Eu compro!
O jogador que acabara de entregar a missão e subir de nível, ao ouvir que havia mais, voltou correndo.
Porém, antes de chegar, o Coração já tinha sido vendido para outro, que, radiante, foi entregar a missão.
O “Ovo Preto” viu tudo. Cem moedas! Quando um coração desses valeu tanto?
Suspeitava que aqueles eram cúmplices!
Mas também não parecia: o comprador realmente entregou a missão e subiu de nível, não dava para fingir.
— Viram? Um só já faz subir de nível. Quer ficar mais forte? Ou paga, ou fica careca de tanto jogar. Escolha! — Su Mo gritava, colocando mais um Coração de Árvore Alaranjada à venda.