Capítulo 0089 Eu Realmente Não Tenho Interesse em Garotas
— Isso aí você vai mesmo vender? — Gaara parecia até um pouco relutante.
— Vender, claro. Agora é quando está mais caro, por que não vender? — Su Mo não sentia pena alguma. Embora Roxá também fosse sacerdote, o nível deles ainda era baixo; levaria pelo menos uma ou duas semanas para chegar ao vinte e cinco. Além disso, esse equipamento era ideal para grandes equipes de suporte. Colocar numa equipe pequena de quatro ou cinco pessoas seria puro desperdício.
Tinha uma intuição: se pudesse escolher um efeito especial, Su Mo acreditava que Roxá preferiria algo voltado para dano.
Sacerdote, apesar de ser visto como classe de cura, oficialmente era definido como dano e cura, com o dano em primeiro lugar. Para quem tem boas habilidades de combate, o sacerdote tem até mais chance de vencer em duelos.
— Tem razão, agora é realmente o melhor momento para vender. Fique tranquilo, — disse Gaara com convicção — vou conseguir um preço excelente para você.
— Tem ainda uma saia de pele de tigre... — Su Mo fez um gesto com a mão — Dessa vez não foi encontrada por acaso, posso garantir que veio de uma fonte legítima.
— Deixe tudo comigo, não vou cobrar nada de você. — Gaara estava satisfeito.
Duas peças de equipamentos prateados... Embora a saia de pele de tigre tivesse desvalorizado nos últimos dias por causa da facilidade de matar o Rei Tigre Angus, bons equipamentos sempre tinham mercado.
— Melhor não vender a saia de pele de tigre com pressa, espere um ou dois dias. — alertou Su Mo.
— Por quê? Não importa o quão boa seja, se aparecer demais, o preço vai cair. — Gaara era bem informado, mas quem participou dos eventos sempre sabia mais.
— Confie em mim, velho amigo. Também quero que ela seja vendida pelo melhor preço possível.
A razão pela qual Su Mo acreditava que a saia de pele de tigre subiria de preço era simples.
Primeiro, porque, graças a Raif, agora era novamente difícil derrotar o Rei Tigre Angus. Segundo, porque Angus tinha prometido dar a ele uma saia dessas a cada duas semanas, o que significava que a chance de drop seria reduzida.
— Tem mais alguma coisa boa? — Gaara olhou para Su Mo com expectativa, achando-o cada vez mais simpático.
Como se estivesse vendo moedas de ouro.
— Só coisas comuns agora. — Su Mo sentiu um leve incômodo. Quando sua sorte estava em alta, pegou um monte de equipamentos, mas acabou vendendo todos por conta própria. Se soubesse, teria deixado tudo com Gaara, teria conseguido mais dinheiro.
— Traga tudo, daqui pra frente pode deixar tudo comigo. — Gaara disse.
Su Mo concordou, mas por dentro não estava completamente convencido. Sabia que Gaara não o passaria para trás agora, mas quando a relação ficasse mais próxima, um dia acabaria sendo explorado.
— A propósito, você tem alguma máscara ou fantasia que combine? — Su Mo lembrou do conselho do Mestre Cangjia no Crepúsculo dos Deuses e decidiu gastar um pouco para esconder melhor sua identidade.
Não era por medo, mas para agir com mais liberdade.
— Isso tenho de monte, qual tipo você quer? — Os olhos de Gaara brilharam, surpreso com a chance de um novo negócio.
— A mais barata. — A pobreza falava mais alto, e a resposta deixou Gaara desanimado.
— O mais barato é esse conjunto aqui, meio rasgado, com uma máscara de lama, ainda enfeitada com grãos de arroz...
— Que coisa é essa?
— Fantasia de mendigo. A arma vira um bastão de madeira, à distância vira sapato velho para jogar. Ninguém nunca quis comprar, mas se quiser, vendo por cento e cinquenta moedas de ouro com a máscara. A máscara é toda engordurada, lembra aquele personagem mendigo dos filmes, só que versão de luxo.
— Deixa pra lá, minha irmã já diz que pareço um catador de lixo, se eu virar mendigo mesmo, ela nem vai me reconhecer.
— As baratas são todas assim, piores que andar só com os equipamentos. Só pagando mais para algo melhor, meu caro. Ser discreto demais também chama atenção — quer ser discreto ou chamar atenção?
— Sei lá. Só quero poder matar alguém de vez em quando, deixar os outros com raiva e sem poder fazer nada comigo.
— Ah, entendi, você quer para quando for duelar. Então olha esse traje de vampiro, você não vai resistir. Olha só, traje de vampiro, não é estiloso demais? E essa máscara de morcego foi feita só para impressionar.
— Parece ótimo, quanto custa?
— Só cinco centenas de moedas de ouro. Com o preço do ouro hoje, dá uns vinte e cinco mil na vida real. Que tal?
— Só? Só na sua cabeça! Olha minha roupa, cem moedas, isso sim é barato. Essa tralha aí e ainda quer cobrar quinhentas moedas? Me acha bobo, Gaara? Pra vender isso por quinhentas moedas só achando um trouxa.
— Calma, calma. Não é tão caro assim. Faço por duzentas moedas pra você. Essa sua roupa, nem sei onde conseguiu, mas aqui o mínimo é duzentas e vinte. Cem moedas é impossível.
— Quer dizer que essa máscara você quer me passar por trezentas moedas?
Nesse ponto, Su Mo já não achava tão absurdo. Se Gaara queria trezentas moedas numa máscara, ela deveria ter algo especial.
As mais baratas custavam algumas dezenas de moedas, as bonitas raramente passavam de cem. Acima disso eram as melhores. No fim, só serviam para esconder a identidade e dar um ar de mistério, não tinham uso prático.
— Você não vai acreditar, mas essa máscara de morcego tem uma habilidade: permite se livrar de amarras e virar um morcego. Não voa, mas plana por uma boa distância. Sério mesmo, irmão Binghe, se eu não quisesse só ser comerciante e se eu não achasse que você tinha potencial, nem mostrava isso pra você.
— Com habilidade especial? — Su Mo achou aquilo tudo absurdo.
No Novo Mundo, para garantir o equilíbrio, tudo que saía da roleta de prêmios não podia afetar o balanceamento do jogo. O máximo era dez pontos de ataque a mais em uma fantasia.
Se a máscara tinha habilidade, dizer que não afetava o equilíbrio era chamar os jogadores de idiotas.
— Não veio da roleta, foi de uma missão secreta. Quem fez foi uma garota, ela completou uma missão para Drácula e ganhou a máscara, mas achou feia demais e vendeu pra mim.
— Espera, quem você disse mesmo?
— A garota? Não lembro o nome. Acho que adicionei aos amigos, mas preciso procurar — tenho muitos, nunca mais falei com ela.
— Não, garota não me interessa. Você falou Drácula, o Conde Drácula? — Su Mo estava animado, o mistério que o intrigava parecia finalmente clarear.
— Acho que sim, por quê?
— Máscara de vampiro, ele é um vampiro, tudo faz sentido. Então o Barão Barry também pode ser... será que ele morreu mesmo? Acho que não. Fui enganado. Hahaha, eles me enganaram direitinho.
— Cara, está bem? Está rindo por ter sido enganado?