Capítulo 0096 Você Ainda É Um Homem?
Su Mo sentia uma pontinha de inveja de Laifu.
Seu personagem também possuía um bom nível e equipamentos de qualidade, mas, em comparação com outros jogadores de elite, não se destacava tanto assim. Já Laifu, por outro lado, era o chefe de um grupo de chefões, e agora havia conseguido um Coração Selvagem com um potencial aparentemente ilimitado; no futuro, talvez se tornasse um grande chefe, do calibre do Senhor Supremo Minotauro.
Para expressar sua inveja, Su Mo decidiu mandar Laifu para o banco de reservas e levar Bola para upar.
O filhote de panda estava no nível dezenove, prestes a alcançar o vigésimo e ganhar uma nova habilidade.
Su Mo planejava deixá-lo no mesmo nível que ele próprio, assim poderia desafiar chefões que nem mesmo Laifu conseguiria aguentar.
Infelizmente, as coisas nem sempre saem como planejado. Quando recebeu uma ligação de Tian Dashuang, estava selado o destino: Laifu teria mais uma chance de entrar em ação — o velho capitão precisava de ajuda para uma missão.
Missão secreta!
Quem diria que até os personagens de baixo nível conseguiriam pegar uma missão secreta?
Laifu passava os dias rodeado de monstros e ultimamente nem sequer tinha conseguido uma missão dessas.
Só ao chegar ao local Su Mo entendeu: a missão havia sido ativada por uma moça chamada Huo Lingxiwu.
Enquanto treinavam, Tian Dashuang e seus amigos encontraram essa jovem sacerdotisa, Huo Lingxiwu, que não conseguia formar um grupo por falta de habilidade e acabou sendo morta duas vezes por monstros comuns de nível inferior.
Com pena, resolveram ajudá-la.
Conversando, descobriram que Huo Lingxiwu tinha em mãos uma missão secreta.
O problema era que ela já tinha combinado de realizar a missão com outra pessoa, mas esse alguém a havia deixado esperando por dois dias, sempre inventando desculpas e, pelas entrelinhas, tentando convencê-la a repassar a missão.
Como o prazo estava quase vencendo, Huo Lingxiwu pediu ajuda a Tian Dashuang e companhia.
O único porém era que o destino da missão era um castelo vampírico de nível vinte e cinco. O grupo, todos ex-soldados com nível vinte e três, analisou a situação e decidiu pedir uma mãozinha a Su Mo.
Nada de incômodo!
Pelo contrário, era um convite irrecusável. Só de ver a expressão “castelo vampírico”, Su Mo já sabia que faria de tudo para participar dessa missão.
Vampiros, talvez, tivessem existido na história do “Novo Mundo”, mas, se isso aconteceu, foi há muito, muito tempo, provavelmente antes mesmo do Império Sater começar a declinar.
Por isso, ao mencionar vampiros, muitos NPCs e monstros ficavam com uma expressão de absoluta ignorância.
O mesmo valia para os jogadores. Muitos se surpreendiam e perguntavam se realmente havia uma raça de vampiros no jogo, onde estavam, queriam se juntar a eles.
Agora, diante de uma missão relacionada, Su Mo aceitou sem hesitar.
“Su Mo, você já chegou? Tivemos um problema”, perguntou Tian Dashuang.
“Estou quase chegando. Meu ponto de retorno não é Talin, então vou demorar alguns minutos para encontrar vocês. O que aconteceu?” Su Mo perguntou enquanto saía do portal.
“A pessoa que tinha prometido ajudar Huo Lingxiwu com a missão também apareceu.”
“Essa garota não tem mesmo princípios. Como vocês acabaram se envolvendo com ela?”
“É uma longa história, mas Huo Lingxiwu não pretende levar esse outro grupo junto. Só que, como haviam combinado antes, o pessoal não larga do pé.”
“O prazo está acabando, então ela quer que a gente a ajude.”
“Acabei de chegar.”
Su Mo já avistava o grupo esperando. Todos tinham trocado boa parte do equipamento, e os ossos do necromante Yun Fei haviam aumentado vários tamanhos.
Talin era a Cidade da Liberdade; ali, necromantes não sofriam nenhum preconceito.
Se fosse em São Bernardo, da Igreja, embora hoje não atacassem necromantes à vista, ainda assim não seria permitido desfilar pela rua com um esqueleto invocado; bispos e sacerdotes podiam lançar uma purificação a qualquer momento.
“Xiaowu, foi o que combinamos antes.”
Um dos rapazes, levemente atraente — mas nem de longe quanto Su Mo —, parecia ser um assassino. O nível não era visível, mas o equipamento parecia bom, com pelo menos duas peças familiares de nível vinte e cinco.
“Já repeti isso mil vezes. Esperei dois dias por vocês. Foram vocês que não quiseram me ajudar. Agora a missão está quase vencendo, preciso resolvê-la logo”, retrucou a tal Huo Lingxiwu.
“Esses dias estávamos ocupados, não dissemos que não íamos te ajudar”, rebateu o jogador de ID Xitian Feilong.
“Desculpe, mas já encontrei outras pessoas para me ajudar”, respondeu Huo Lingxiwu balançando a cabeça.
“Fala sério, vocês são muito falsos. É só um jogo, o que querem mesmo é abocanhar sozinhos a missão da garota, e ainda vêm com esse papo de princípios, dizendo que ela está descumprindo o acordo. Não acham vergonhoso?”, provocou Yun Fei, sempre sarcástico, ainda mais quando jogava.
“Ninguém te perguntou nada!”, respondeu Xitian Feilong, irritado.
“Você é homem ou não é? Se fosse mesmo amigo dela, não a teria deixado sem grupo nem para upar”, alfinetou Yun Fei.
“Quer bancar o herói? Então vamos duelar. Se vencer, deixo a missão para vocês, que tal?”
Xitian Feilong vinha monitorando Huo Lingxiwu, esperando que ela ficasse sem saída e entregasse a missão secreta. Sabia pouco sobre Yun Fei e os demais, mas tinha certeza de que nenhum deles era nível vinte e cinco.
Esse era um divisor de águas: quem não chegasse ao nível vinte e cinco só podia usar equipamentos de nível vinte, enquanto os de vinte e cinco já podiam usar outros bem mais fortes.
Yun Fei era do tipo encrenqueiro — já era assim na época de soldado —, mas sobreviver a tantas missões mostrava que ele não era impulsivo à toa.
Enquanto pensava em como recusar, Su Mo interveio: “Eu luto com você. Um assassino enfrentar um mago não prova nada.”
“Se não tem coragem de me enfrentar, então pare de falar besteira. Quem é você?” Xitian Feilong o encarou, cauteloso.
O visual de Su Mo era uma mistura de trapos — para enganar o adversário, ele havia tirado suas roupas de gala. Tinha três conjuntos de trajes, mas na hora de se disfarçar, não hesitava em se vestir como um mendigo.
“Sou do grupo deles. E então, é homem ou não?”
“Homem? Está insinuando que sou mulher? Vocês estão cegos?” — já era o segundo a duvidar da masculinidade dele naquele dia. Sabia que era só para provocá-lo, mas mesmo assim, a afronta o tirava do sério.
“Se é homem, venha lutar comigo. Quero ver como você, um assassino, se sai contra mim, um patrulheiro.” Enquanto falava, Su Mo invocou Laifu.
Laifu era quase idêntico a um lobo selvagem comum, e a diferença só era notada com muita atenção — mas Xitian Feilong nem se deu ao trabalho de reparar, pois ao ver o mascote de Su Mo, teve certeza da vitória.
Sempre se ouviu dizer que assassinos têm vantagem contra magos, mas nunca que patrulheiros superam assassinos.
Então, que venha a luta, quem tem medo?
Foram procurar um local para ativar o modo duelo.
Assim, poderiam atacar um ao outro à vontade. Se fosse em São Bernardo, isso seria impossível, mas ali, em Talin, a Cidade da Liberdade, brigas podiam acontecer a qualquer hora; os guardas, em vez de intervir, provavelmente até assistiam se divertindo.