Capítulo 0080: Aprendendo Habilidades com o Monstro

Grupo de Conversa dos Monstros Navegando sobre as águas, componho versos 2521 palavras 2026-02-08 05:55:33

O Bosque dos Bordos Brancos era repleto de árvores de folhas alvas, belo a ponto de parecer irreal, mas raramente alguém ousava se aventurar em suas profundezas apenas para apreciar a paisagem.

Isso porque ali era o lar dos bichos-preguiça.

No jogo, esses animais pareciam lentos e despretensiosos, mas eram extremamente perigosos. Sem motivo algum, lançavam relâmpagos, que, amplificados pelas árvores brancas, podiam causar até quinhentos pontos de dano, quando, originalmente, não passariam de cinquenta.

Dizem que, se alguém conseguisse reunir um conjunto completo de equipamentos de resistência a raios, poderia devastar o bosque, deixando os bichos-preguiça à mercê do destino.

Mas isso não passava de teoria, pois, até onde Su Mo sabia, nunca vira sequer uma peça desse tipo de equipamento.

Laifu tentou atravessar o bosque, mas em pouco tempo saiu de lá chamuscado, tendo que fugir desajeitadamente.

Os bichos-preguiça não o atacaram diretamente, apenas continuaram jogando relâmpagos ao acaso, como era de seu costume. Esses raios permaneciam ativos por um tempo e se tornavam ainda mais poderosos ao se encontrarem com outros.

O ciclo de dissipação e renovação fazia de todo o bosque um abismo de eletricidade.

O Lobo Feroz Laifu escreveu: “Fores, estou passando pelo Bosque dos Bordos Brancos para te visitar, está em casa? @Rei dos Bichos-Preguiça Fores.”

Então, deitou-se pacientemente do lado de fora, esperando.

O Rei Tigre Angus perguntou: “Quando vem me visitar? Preciso de umas dicas para enganar os outros, estou quase perdendo a cabeça.”

O Lobo Feroz Laifu respondeu: “Só quando houver oportunidade, não sou um chefe livre.”

O Rei Tigre Angus propôs: “Dou uma saia de pele de tigre, que tal?”

O Lobo Feroz Laifu aceitou: “Então, amanhã. Vou arranjar uma folga para te visitar e estudamos juntos seu clone ilusório.”

O Chefe dos Cães Selvagens, Cardo, sugeriu: “Laifu, mude seu nome. Em vez de Lobo Feroz, que tal Lobo Ganancioso?”

Laifu rebateu: “Nome é só um código.”

O Rei dos Bichos-Preguiça Fores disse: “Certo... já vou!”

Laifu então reclamou: “Não consigo entrar, sua casa está cheia de relâmpagos. Não há nada que possa fazer?”

Fores respondeu: “...espere...um...pouco...”

Laifu comentou: “Eu sei que você fala devagar, não precisa exagerar nas reticências. Embora não contem como caracteres, o autor acaba sendo acusado de encher linguiça.”

Fores explicou: “Vou matar esses jogadores e venho te buscar!”

Depois de vários minutos, Laifu finalmente viu o grande bicho-preguiça se aproximando em câmera lenta. Com o Rei por perto, os bichos menores logo se acalmaram.

— Ha...

— Vamos conversando enquanto andamos, me leva até onde os jogadores morreram — apressou Laifu.

— Hahaha, estou feliz em te ver. Queria te conhecer há tempos. Agora há pouco, um grupo de jogadores me atacou, por isso demorei.

— Também estou muito feliz — respondeu Laifu, sem disfarçar o contentamento.

Chegando ao local do Rei dos Bichos-Preguiça, ainda havia equipamentos largados no chão, não removidos pelo sistema. Laifu correu, comparou e pegou duas peças de prata e mais duas de azul com ótimos atributos.

O Rei não disse nada a respeito.

No canal regional dos jogadores, muitos haviam se organizado para caçar o Rei dos Bichos-Preguiça. Su Mo percebeu que essa era sua oportunidade e logo assumiu a identidade de Laifu para recolher os equipamentos.

Bem, aproveitaria para visitar o novo amigo.

Infelizmente, o Rei era lento demais e muitos itens já haviam sido removidos pelo sistema; do contrário, Su Mo teria lucrado ainda mais.

Quem disse que só matando chefes se enriquece? Fazer amizade com eles é igualmente lucrativo.

Sem um alto índice de sorte, mesmo matando centenas de mini-chefes, dificilmente se conseguiria duas peças de prata.

Os chefes em “Novo Mundo” não valiam tanto assim. Praticamente todo grupo tinha um chefe; grupos maiores, dezenas. Não havia como contar quantos existiam, e um jogador dedicado poderia matar centenas ou milhares em um só dia.

A maioria deixava cair alguma coisa, outros apenas algumas moedas de cobre.

Querer subir de nível e ganhar dinheiro só matando chefes era caminho certo para falência total.

Já o Rei dos Bichos-Preguiça, um verdadeiro chefe, sempre deixava bons equipamentos e materiais raros valiosíssimos. Era de se esperar que muitos viessem caçá-lo, mas, na prática, poucos se arriscavam.

Simplesmente porque não conseguiam vencê-lo.

Hoje, finalmente alguns jogadores apareceram para morrer, e o Rei expressou sua perplexidade:

— Não tem como dar um jeito para que venham mais vezes?

— Meu caro, você é forte demais. Solta ataques devastadores do começo ao fim, não dá nem esperança. Quem vai querer te desafiar assim?

Num grupo de cinco, geralmente só há um curandeiro, e atravessar os pequenos monstros até chegar ao chefe já é quase impossível. Talvez por isso todos, tanto bichos menores quanto o Rei, sejam de nível trinta.

Toda experiência ganha ao matar jogadores era absorvida pelos monstros menores.

— Ha, entendi.

— Mais uma coisa: não pode eliminar todos os jogadores toda vez. Tem que dar esperança. Deixe que morram de vez em quando, percam algum equipamento. Os nossos são dados pelo sistema, se morrermos ganhamos outros, não precisa economizar para ele.

— Laifu, você tem razão. Nunca tinha pensado nisso.

— Ah, não me chame de “chefe” também, igual ao Laon. Sou só um monstro de elite, não chego aos pés de vocês.

— Você é inteligente!

— Melhor eu te chamar de chefe mesmo. Chefe, me ensina a usar relâmpago? Essa sua habilidade é incrível, será que eu conseguiria aprender?

Laifu finalmente revelou seu segundo objetivo ali.

Da última vez, o Leão Amarelo aprendera a interromper ataques só observando suas ações.

Su Mo morria de inveja e suspeitava que os Apóstolos Monstro aprendessem diferente dos jogadores; pareciam adquirir habilidades por conta própria.

Laifu, também um Apóstolo Monstro, talvez pudesse aprender com outros.

Como mascote ofensivo, se dominasse habilidades de relâmpago, consolidaria seu título de “Grande Aliado de Laifu”.

— Chefe, deixa comigo, eu te ensino!

Recém beneficiado por Laifu, o Rei jamais recusaria.

Sistema: O Rei dos Bichos-Preguiça concede a você o poder do relâmpago.

Ao receber a mensagem, Laifu sentiu algo novo dentro de si, mas, por mais que tentasse, só conseguiu soltar dois puns; nada de relâmpagos.

— Falta o encantamento...

O Rei levou quase dois minutos para recitá-lo. Não que fosse longo, mas porque falava devagar demais; se não fosse indispensável para usar a habilidade, Laifu teria adormecido no meio.

Assim que o Rei terminou, o local se encheu de elementos de eletricidade. Por sorte, logo os recolheu, senão Laifu teria virado carvão.

A habilidade chamava-se “Versão Enfraquecida e Capada do Domínio de Relâmpago de Sagra”, um nome imponente. Sagra foi o responsável pela cisão do Império Satero, dividindo o Continente Oriental em três.

O feitiço original era “Domínio de Relâmpago de Sagra”, mas o que o Rei sabia era uma versão enfraquecida e mutilada.