Quarenta e um, na cidade (I)
Ao ver os mortos-vivos que se reuniam de todos os lados, o cavalo também se assustou, relinchando e erguendo as patas sem parar. Lei Yan sabia que os mortos-vivos podiam ouvir, mas, sem conseguir controlar o animal, decidiu agir com coragem. Observou ao redor e encontrou uma via larga, com poucos mortos-vivos, e seguiu por ali, esporeando o cavalo.
Depois de virar por algumas ruas, conseguiu despistá-los. À sua frente, a estrada estava limpa, sem nenhum morto-vivo à vista. Aliviado, Lei Yan continuou cavalgando, sem um destino certo — apenas seguia para onde não houvesse mortos-vivos.
Enquanto avançava, de repente o céu foi tomado por um estrondo de hélices. O som, distante e entrecortado, fez Lei Yan parar para ouvir melhor. Era mesmo o barulho de um helicóptero. Uma onda de esperança e excitação tomou conta dele — a urgência de encontrar outros sobreviventes, o desejo de ser resgatado pelos militares. Por um momento, esqueceu-se do perigo.
Sem pensar duas vezes, esporeou o cavalo para frente, seguindo o som no céu. Olhando em volta, tentando avistar o helicóptero, finalmente viu o vulto da aeronave refletido nas janelas de um arranha-céu. Parecia que, ao dobrar a esquina, poderia ver o helicóptero diretamente e, quem sabe, ser visto também — e assim talvez ser salvo, deixando aquele lugar e indo para a retaguarda.
Empolgado com essa ideia, Lei Yan apressou-se, receoso de perder aquela chance de sobrevivência. Contudo, ao chegar à esquina, foi obrigado a parar bruscamente, quase caindo do cavalo de susto.
À sua frente, na rua até então invisível, uma multidão de centenas ou milhares de mortos-vivos bloqueava a passagem. Não sabia por que se aglomeravam ali, mas, ao perceberem o cavaleiro, voltaram-se todos de uma só vez, avançando sobre Lei Yan como uma avalanche, numa cena assustadora...