Trinta e Oito, Rumo à Cidade (Parte Dois)
À medida que se aproximava do centro da cidade, a quantidade de veículos na estrada aumentava. Todos estavam parados no lado que deixava a cidade, alinhados um atrás do outro, formando uma fileira ininterrupta que se estendia até o coração urbano, sumindo no horizonte. No lado por onde Lei Yan entrava, porém, quase não havia nenhum carro. Ele cavalgava lentamente pela estrada, observando do outro lado as incontáveis máquinas grandes e pequenas, desprovidas de vida e energia. Esses veículos multicoloridos estavam todos salpicados de lama — obra do vento e da chuva —, seus interiores em completa desordem. Ocasionalmente, havia cadáveres; tudo exalava uma atmosfera de morte, decadência e repulsa.
Lei Yan olhou por um tempo aquele congestionamento morto e então franziu a testa, desviando o olhar para a pista vazia à sua frente. Entre os carros abandonados não haveria sobreviventes esperando por ele; o ar que emanava daqueles restos de automóveis corroía sua confiança e coragem. Ele precisava seguir adiante. Mesmo estando só, mesmo sentindo que provavelmente estava errado, não podia parar, pois não tinha para onde voltar.
Na vida, que não era das mais longas, era a primeira vez que Lei Yan compreendia o verdadeiro significado do que é vagar sem destino...