Sessenta e seis, quatro horas.

Detetive de Segunda Classe Corpo Frutado de Laranja 2656 palavras 2026-02-09 14:02:31

Um som estranho ecoou. À medida que as seis esferas de luz giravam, dezoito pequenas janelas equidistantes projetaram, sob os olhares atentos, cada uma um feixe de luz com mais de um metro de comprimento. A energia desses feixes foi-se concentrando no topo, formando uma esfera luminosa, que se tornava cada vez mais intensa, enquanto o restante dos feixes gradualmente se apagava até desaparecer.

Quando atingiu um limite máximo de energia, algo assustador aconteceu: a caixa preciosa — ou talvez as dezoito esferas de luz — explodiu com um estrondo, lançando-se em todas as direções do salão de conferências. Rebatiam nas paredes, voando caoticamente por todo lado. Todos, inclusive Lei Yan, pensaram que algo terrível havia ocorrido, talvez até mesmo uma explosão nuclear. Diante das esferas de luz que voavam por toda parte, todos ficaram petrificados de medo.

Essa situação durou cerca de um minuto. Então, as esferas pararam subitamente e cada uma voou para uma posição específica, começando a emitir incontáveis fios de luz azulada. Esses filamentos, leves como fumaça e etéreos como neblina, espalharam-se por todo o salão, compondo com a luz a cena do dia 8 de dezembro de 2018, às quatro da tarde: as pessoas e objetos presentes na sala de reuniões. Sim, um grupo de policiais estava sentado em volta de uma mesa redonda, olhando para o quadro de avisos à frente, enquanto um agente de nariz avantajado analisava o caso. Cada gesto, cada ação de todos era reproduzido com perfeição, e cada personagem possuía tons de cor natural, tornando-os ainda mais realistas.

"Conseguimos", exclamou Esqueleto, levantando o braço discretamente.

"Por que não há som? Você pode ligar o áudio?", perguntou Pumzinho, radiante, correndo até Esqueleto e sugerindo: "Se pudermos ouvir o som, saberemos se esse trecho corresponde ao que está registrado na ata da reunião."

"Som? Não sei por que está mudo", disse Esqueleto, franzindo a testa ao olhar para o painel de controle. "Isso ainda precisa ser estudado". Lançou um olhar ao doutor Lis e acrescentou: "Espero que possamos adicionar o áudio."

"Não faz mal. Veja o que está escrito no quadro daquela pessoa à frente; assim também dá para deduzir se é a reunião registrada", disse Teresa, aproximando-se de Esqueleto e falando com Pumzinho.

"Tudo bem, filme mudo ainda é filme", resmungou Pumzinho. Enquanto se afastava para o canto da sala, comentou: "Vou ali para apreciar melhor. Não vou atrapalhar vocês, já já acaba."

"Olhei e está tudo certo. Os criminosos citados no registro, o local do crime, as ferramentas usadas, todas as pistas", disse Lei Yan, aproximando-se de Esqueleto e mostrando-lhe o conteúdo registrado, entusiasmado. "Tudo corresponde ao que está no quadro, sem dúvida, estamos mesmo revivendo a cena de 8 de dezembro de 2018, às quatro da tarde. Nossa arma secreta é utilizável, isso nos ajudará imensamente nas investigações daqui em diante, que maravilha, é uma dádiva divina!"

"Não é uma dádiva divina, é você ajudando a si mesmo", comentou Davi, aproximando-se com um sorriso. "Se você não tivesse salvo o doutor Lis, que agora já seria um fardo, não teríamos a cena reconstruída pela caixa preciosa."

"Assim você me deixa até envergonhado", respondeu Lei Yan, olhando para as dezenas de hologramas no centro da sala e falando com humildade: "Foi destino. Só salvei e cuidei do doutor, mas quem superou os desafios da caixa foi Ricardo. Quem merece os agradecimentos é ele!"

"Não seja modesto. Sem você salvar o doutor, sem sua confiança, eu não teria conseguido superar desafio algum", disse Esqueleto, balançando a cabeça e se dirigindo aos que estavam ao redor.

No auge da alegria e harmonia de Lei Yan e dos outros, Pumzinho, agachado junto à parede, exclamou de repente: "Gente, olhem rápido! Aquele baixinho sentado na ponta da mesa, parece que está me olhando! Parece que consegue me ver!"

"São só hologramas, será que você não está vendo coisas?", disse Heer, aproximando-se e se agachando ao lado de Pumzinho, tentando olhar para o holograma indicado do seu ponto de vista. Meiven também correu até lá, agachando-se ao lado de Pumzinho para observar o pequeno policial que ele apontava.

O holograma era incrivelmente nítido. Todos podiam ver: era um jovem magro de uns trinta anos, cabelo repartido ao meio, bochechas encovadas, olhos grandes, melancólicos e nervosos, que naquele instante folheava displicentemente uns papéis, mas não resistiu e lançou um olhar furtivo na direção de Pumzinho, voltando rapidamente a fingir que lia.

"Vocês viram isso?", perguntou Pumzinho, arregalando os olhos e apontando para o holograma do policial. "Não me digam que não viram nada, a menos que estejam cegos!"

"É verdade, aquele policial realmente olhou para cá!", exclamou Heer, levantando-se surpreso e informando Lei Yan e os outros.

"Sem dúvida, ele olhou para Jim!", confirmou Meiven, balançando a cabeça energicamente, servindo de testemunha para Pumzinho e Heer.

"Como isso é possível?", exclamou Lei Yan, cheio de surpresa, enquanto organizava o grupo: "Vejam se conseguem descobrir o nome daquele agente". Já corria para perto de Pumzinho, pois o tempo era precioso. "Jim, mova-se um pouco para o lado. Será que há alguma bolsa ali, ou algum objeto de interesse para aquele policial, por isso ele olhou para cá?"

"É isso. É só um holograma, como poderia ver você?", disse Esqueleto atrás de Lei Yan. "Ele deve estar olhando para outra coisa."

"Tenho certeza de que estava olhando para mim!", insistiu Pumzinho, mudando de lugar e olhando para Meiven e Heer, que o acompanharam. Disse a Lei Yan: "Escolhi aquele lugar justamente porque não havia holograma nenhum. Pode verificar se quiser." Voltou-se para Meiven e Heer: "Agora que estou aqui, vejam se ele olha de novo para cá." Para provar seu ponto, Jim se afastou mais de um metro do local anterior, cruzou os braços e ficou observando fixamente o policial, aguardando que ele levantasse os olhos novamente.

Lei Yan conferiu o local onde Pumzinho estivera agachado: realmente não havia holograma algum ali. Do outro lado da parede, sim, havia uma fileira de cadeiras holográficas; e na parede próxima, quadros holográficos. Ao conferir tudo de perto, Lei Yan confirmou que no local de Pumzinho não havia nada, e não era falha da projeção da caixa. Ou seja, ou o policial olhava para um canto vazio, ou realmente via Jim.

Lei Yan ficou perplexo. Correu até Meiven, juntando-se ao grupo para observar o agente, esperando que ele olhasse novamente. Todos, exceto Esqueleto, se aproximaram, atentos a cada gesto do policial.

O agente folheava os papéis de modo tão displicente que o chefe à frente, incomodado, lançou-lhe um olhar de censura e disse algo que fez todos rirem. Uma policial de rabo de cavalo, ao lado do jovem magro, comentou algo com ele, que, cabisbaixo, pareceu evitar olhar para ninguém, largou os papéis e passou a ouvir o chefe.

"O nome dele é Henrique", informou o rapaz negro, Sherlock, a Lei Yan.

"Como você sabe?", perguntou Pumzinho.

"Aprendi um pouco de leitura labial", respondeu Sherlock. "A policial disse ao rapaz: 'Henrique, pare de folhear, é só papel, não tem mais nada.'"

"Ah, está acabando a energia", disse Esqueleto, junto à caixa, para Lei Yan e os demais. "Desculpem, talvez não consigam provar que ele realmente olhou para vocês."

Os hologramas começaram a esmaecer, desaparecendo primeiro nas bordas da sala de reunião: os quadros nas paredes e as longas cadeiras sumiram antes, e o desaparecimento foi avançando para o centro. Os pés das figuras sumiram, depois as mesas, e em seguida os corpos. Todos mantinham os olhos fixos em Henrique, esperando que ele olhasse para cá mais uma vez.

Finalmente, no instante em que o holograma de Henrique estava prestes a desaparecer por completo, ele levantou os olhos e olhou para eles.

Pumzinho ficou paralisado, assim como Lei Yan e os outros. Viram com toda clareza: Henrique podia ver Jim. Henrique podia ver todos eles...