Oitenta e seis, Traje (II)

Detetive de Segunda Classe Corpo Frutado de Laranja 2625 palavras 2026-02-09 14:02:43

— Chefe, tudo o que você disse depois está certo —, disse Hel, depois dos aplausos, dirigindo-se a Lei Yan. — Mas não podemos concordar com a primeira parte do que falou. Nós podemos agir à vontade, mas você, de forma alguma, pode ser descuidado, não é mesmo? — Hel olhou para os outros em busca de confirmação.

— Isso mesmo, chefe, você é a nossa marca —, assentiu o chefe tribal, erguendo o polegar para Lei Yan.

— Você é a nossa imagem —, concordou Caveira, sorrindo.

— Você precisa ser alguém de presença —, acrescentou Teresa, talvez em tom de brincadeira, enquanto sacudia um conjunto de roupas pretas justas para uso noturno, rindo.

— Uau, não me diga que quer que eu vista isso, cubra o rosto e vá resolver casos em Dayan disfarçado? — exclamou Lei Yan, apontando para a roupa nas mãos de Teresa, as sobrancelhas quase saltando da testa.

— Haha, era só uma piada —, disse Teresa, vendo a curiosidade dos demais, e pegando outro conjunto de roupas noturnas. — Pensei que, com o aumento dos nossos casos, às vezes vamos precisar sair secretamente à noite. Se tivermos essas roupas, não fica tudo mais fácil?

— Verdade, boa ideia. Faça uma para cada um, deixo essa missão com você —, decidiu Lei Yan, aliviado, piscando para Teresa. — Nos momentos de folga, podemos até brincar de CS, hahaha!

— Deixe-me ver —, disse Teresa, contando os conjuntos no cabideiro. — Com este que tenho na mão, são oito ao todo. Preciso procurar mais?

— Deixe-me pensar, no máximo dez pessoas participam de missões —, calculou Lei Yan, revirando os olhos. — Não vamos todos de uma vez, certo? Tirando dois ou três que ficam de guarda, oito conjuntos são suficientes. — Fez um gesto para o responsável pelo guarda-roupa, indicando as roupas escolhidas por Teresa. — Vamos ficar com essas, embale-as para nós. — O responsável assentiu, pegou as roupas das mãos de Teresa e do cabide, embrulhou e ficou à espera de novas instruções.

— Experimente isto —, disse Caveira, após decidir com o chefe tribal e Hel que roupas buscar, entregando a Lei Yan um chapéu inglês contra o vento.

— Parece legal, mas não vai ficar estranho? — perguntou Lei Yan, franzindo a testa para o chapéu, indeciso.

— Só o chapéu não basta, tem que vestir esta capa inglesa também —, disse o chefe tribal, descendo as escadas animado e colocando uma capa cinza nas mãos de Lei Yan. Olhou para Caveira, que assentiu, aprovando a escolha.

— Hum, os dois têm o mesmo estilo —, comentou Lei Yan, olhando o chapéu na mão esquerda e a capa cinza na direita, sorrindo, ainda hesitante.

— Não pode faltar a camisa branca e o terno cinza por baixo —, acrescentou Hel, trazendo as peças correspondentes conforme combinado. — Já conferi o tamanho, vai servir em você.

— Falta o sapato e a bengala —, observou Elizabeth, a soldada, percebendo a direção da brincadeira. Olhou animada para Hel e para os outros, e correu até onde estavam os sapatos e acessórios.

— Sapatos bons eu aceito, mas pra que bengala? Minhas pernas estão ótimas, não é exagero? — reclamou Lei Yan, sendo empurrado ao provador, enquanto Elizabeth procurava a bengala.

— Presença, presença! Não dá trabalho nenhum —, respondeu Teresa, inspirada pela bengala. Parou de empurrar Lei Yan, ergueu o dedo e, girando nos calcanhares, saiu correndo. — Vou buscar para você, sem ela perde metade do charme!

Lei Yan, que detestava complicações, foi empurrado para o provador sem escapatória, resignando-se a vestir as roupas, sentindo-se como se estivesse prestes a ser esfolado vivo.

Dez minutos depois, Lei Yan reapareceu diante de todos: chapéu inglês, capa elegante, terno impecável, sapatos reluzentes e, nas mãos, uma antiga bengala. Era a imagem perfeita de um cavalheiro inglês, no dizer popular, um verdadeiro galã. Mais importante ainda, parecia um lendário detetive.

Ao ver-se no espelho, Lei Yan se surpreendeu, reconhecendo de onde vinha aquela imagem. Apontando o próprio reflexo, olhou interrogativo para o grupo.

— Falta só isto —, disse Teresa, surgindo ao lado e lhe entregando um cachimbo antigo, sorrindo. — Veja agora, este cachimbo dá o toque final.

— Isto é... Sherlock Holmes? — exclamou Lei Yan, segurando o cachimbo e, de repente, entendendo tudo. — Vocês me transformaram em Sherlock Holmes?

— Exatamente. Quem mais poderia estar à altura da sua reputação? — respondeu Caveira, satisfeito, de braços cruzados.

— Não dá, ainda estou muito longe disso —, disse Lei Yan, balançando a cabeça, olhando o próprio reflexo. — Não chego aos pés dele. Ele é de primeira linha, perfeito. Se eu for chamado de detetive, sou de segunda categoria no máximo. Se me fantasiar de Holmes, não vão rir de mim? Melhor trocar. — E dizendo isso, tirou o chapéu.

— Espere, não tire ainda —, disse Teresa, junto com os outros, impedindo Lei Yan de despir-se, explicando: — Roupas sem personalidade, sem destaque, não nos servem. Tem que remeter a um grande detetive. Não dá para te vestir de Batman, certo? — Como Lei Yan parou de tirar a roupa, Teresa continuou: — E nenhum outro detetive serve. O grande Poirot é um velho barrigudo de bigode. Quer que eu pegue um bigode falso para você? — Teresa cobriu a boca para rir.

— Melhor não, não quero ser o Poirot —, disse Lei Yan, de perfil, analisando-se no espelho. — Sinto que estou muito aquém do Holmes. Fantasiar-me dele é ousado demais, não acham?

— Você pensa assim porque ainda resolveu poucos casos —, observou Caveira. — Resolva mais alguns e sua confiança virá.

— Que tal se vestir de Detetive Conan? — brincou Elizabeth, encostada em Hel, olhando para Lei Yan no espelho. — Sem chapéu, só um terninho curto mostrando os tornozelos, cabelo comprido, repartido de lado, óculos grandes sem lente e um ar sério de quem está sempre pensando. Perfeito! — Todos caíram na risada.

— Melhor não, é muito infantil —, disse Lei Yan, franzindo a testa, recolocando o chapéu. — Ia parecer um pepino velho pintando-se de verde para parecer novo. Não, não, além do mais, meus tornozelos sentiriam frio. — O grupo riu ainda mais, e Lei Yan, tendo uma ideia, apontou para os outros: — Mas não me importo se vocês se vestirem como o Watson.

— Watson? — O grupo, ainda rindo, franziu a testa ao imaginar-se como o simpático mas sem-graça Watson.

— Só estou dizendo que, assim como as roupas noturnas, vocês deveriam ter um traje próprio —, explicou Lei Yan, notando a má receptividade da ideia. — Assim, em ocasiões formais, combinam comigo!

— Que seja, chefe —, respondeu Teresa, revirando os olhos junto com os demais.

— Não dê ouvidos a eles, essas roupas são muito sem graça para você. Agora que é um grande detetive, tem que ser especial —, disse o Maluquinho, descendo as escadas com uma roupa extravagante, cheia de penas e pedras brilhantes, experimentando em si mesmo antes de ir até Lei Yan.

— Não precisa, vou ficar com esta mesmo —, declarou Lei Yan, assustado ao ver o traje estranho nas mãos do Maluquinho, erguendo a mão para detê-lo. — Já decidi junto com todos...