Cinquenta, na cidade (seis)

Detetive de Segunda Classe Corpo Frutado de Laranja 2921 palavras 2026-02-09 14:02:18

"Não é difícil. Antes usávamos manche, mas agora todos dirigem com volante, é bem fácil", disse Leiyan, segurando o manual e ligando o ar-condicionado do veículo. O ar dentro do tanque melhorou imediatamente. Ele olhou para fora pelo periscópio à sua frente, sentindo como se tivesse ganhado um novo par de olhos. Deixou o assento do motorista e, com o manual em mãos, foi verificar quantos projéteis ainda restavam no tanque e quantas balas havia na metralhadora automática. A situação era bastante satisfatória: ainda havia seis projéteis e mais de cem balas para a metralhadora. Seguindo as instruções do manual, recarregou tudo e, aliviado, voltou ao posto de condução. Pegou o rádio e falou: "Você consegue localizar a posição do comboio?"

"Claro que sim, não é difícil", respondeu o estranho do outro lado do rádio.

"Como vocês pretendem sair daqui?" Leiyan colocou o tanque em movimento. Da frente do veículo vinham gritos grotescos de zumbis e o som contínuo de ossos se partindo. Ele assentiu, deu marcha à ré e novamente ouviu o barulho de ossos quebrando. Tentou girar a torre do canhão enquanto continuava o diálogo.

"Ah, não sabemos, tudo foi bagunçado por você", respondeu o estranho. "Pegamos o que precisávamos na loja e pretendíamos sair silenciosamente daqui, mas com a sua chegada, uma multidão de zumbis tomou conta das ruas, bloqueando todas as saídas." Após uma pausa, continuou: "Para ser sincero, agora estamos todos por um fio."

"Vocês têm algum veículo para fuga?" Leiyan perguntou enquanto aprendia a operar o tanque.

"Temos, está parado na periferia da cidade, mas todas as saídas estão bloqueadas", disse o estranho. "Não conseguimos sair."

"Você consegue entrar em contato com eles?" Leiyan bateu levemente na própria testa para se manter lúcido e calmo, perguntando: "Diga a eles que tenho um plano. Você está a uns cinquenta metros da estradinha, certo?"

"Consigo sim", respondeu o estranho. "Estou logo atrás do portão de ferro no entroncamento."

"Ótimo, conversamos melhor dentro do veículo", disse Leiyan, acionando o tanque, esmagando uma fila de zumbis enquanto girava e seguia para o beco indicado. O estranho perguntou em que veículo ele estava, mas Leiyan não respondeu, apenas continuou avançando.

Diante dessa máquina de aço, os zumbis caíam aos montes, sendo esmagados pelas esteiras do tanque e se tornando uma pasta fétida. Leiyan ergueu o assento do condutor, espiando pelo visor superior. Viu a multidão de zumbis caindo à sua frente e, sentindo-se satisfeito, acelerou ainda mais, vendo-os tombar em número crescente.

Quando o tanque chegou ao entroncamento mencionado, Leiyan avistou o portão de ferro. Comunicou-se pelo rádio, pedindo ao estranho que procurasse um local seguro para se esconder. Assim que recebeu confirmação, acionou a metralhadora automática do tanque: "tatatatá!" Bastaram alguns disparos para limpar completamente a área na frente do portão, deixando o solo coberto de membros e cadáveres.

"Está limpo, pode sair, amigo", disse Leiyan pelo rádio. "Rápido, os zumbis vão chegar em breve." Deu mais alguns tiros para cada lado do portão, derrubando dezenas de zumbis adicionais.

O portão se abriu e um jovem negro, claramente nervoso e com uma pistola na mão, correu saltando até o tanque.

"Aqui!", Leiyan abriu a escotilha superior e acenou. O rapaz subiu rapidamente e, com a ajuda de Leiyan, entrou no interior do tanque sem dificuldades.

"Uau, que jeito impressionante de resgatar alguém!", disse o jovem, estendendo a mão para Leiyan com um sorriso. "Admiro você! Tantos veículos e tanques militares parados nas avenidas e ninguém pensou em usar um. Não dá pra explicar isso só dizendo que eles não quiseram."

"Haha, também estou aprendendo agora, não tinha outra escolha", respondeu Leiyan, apertando a mão do rapaz e perguntando: "Como devo chamá-lo?"

"Ah, me chamo Érico", respondeu o rapaz, mostrando os dentes brancos. "E você, como se chama? De onde é?"

"Chamo-me Leiyan, sou do Reino da Porcelana", disse ele, dando marcha à ré no tanque enquanto os ossos estalavam do lado de fora. Olhando para o surpreso Érico, continuou: "Avise seus companheiros na loja, diga que vamos atrair os zumbis para longe e que aproveitem para fugir."

"Combinado", Érico imediatamente entrou em contato com os colegas escondidos na loja e transmitiu o plano de Leiyan. Os amigos de Érico não se opuseram, mas duvidaram da possibilidade de afastar a horda de zumbis.

"Hehe, quando vocês virem em que estamos, não vão mais duvidar. Assim que os zumbis saírem, fujam, e avisem quando estiverem seguros. Câmbio!", disse Érico, enxugando o suor da testa com um sorriso.

"Então, vamos chamar a atenção dessa horda agora?", perguntou Leiyan, acelerando e ouvindo o som dos ossos se partindo do lado de fora.

"O que vamos fazer? Ah, não!", Érico mal terminou a frase e Leiyan já disparava o canhão contra os zumbis. Érico tapou os ouvidos, assustado com o estrondo.

O tiro errou o alvo e acertou um prédio, espalhando tijolos e escombros por todos os lados, mas ainda assim derrubou vários zumbis.

"Droga, que pontaria ruim", reclamou Leiyan ao ver pelo periscópio que tinha errado o alvo. "Você conhece bem as ruas da cidade?", perguntou a Érico.

"Conheço muito! Sou entregador, trabalho na Pregrafex, já ouviu falar?", respondeu Érico, olhando para fora pelo periscópio e orientando Leiyan: "Vire à direita, vamos direto para fora da cidade."

"Perfeito", disse Leiyan, saindo do beco com o tanque, virando a torre do canhão para a esquerda, baixando o cano e mirando cuidadosamente. Quando Érico tapou os ouvidos, disparou outra vez contra os zumbis à distância.

O estrondo foi ensurdecedor. O projétil passou zunindo por cima das cabeças dos zumbis e explodiu a cem metros, destroçando dezenas deles em uma nuvem vermelha de sangue, carne e ossos.

A horda interminável de zumbis avançou enlouquecida sobre o tanque. Satisfeito, Leiyan virou o volante, seguindo as orientações de Érico, conduzindo o tanque para a direita sem girar a torre. Depois de duzentos ou trezentos metros, disparou mais uma vez contra os perseguidores, e o efeito foi tão devastador quanto o anterior: dezenas foram pulverizados numa explosão de carne e sangue.

Assim, sob a orientação de Érico, Leiyan atravessou a cidade em alta velocidade, virando à esquerda e à direita, esmagando os zumbis que bloqueavam o caminho e atraindo toda a horda para a estrada que saía da cidade. Logo as ruas estavam quase vazias, pois a maioria dos zumbis seguia atrás do tanque que disparava de tempos em tempos.

Fora da cidade, Leiyan acelerou ao máximo, deixando a horda para trás. Parou, mirou com cuidado e dedicou o último projétil ao grupo de zumbis que os seguia como fãs enlouquecidos.

Logo, os companheiros de Érico chegaram em uma van de marca famosa, no momento em que o tanque estava quase sem combustível. Leiyan e Érico abandonaram o tanque e subiram na van.

"Este é Leiyan", apresentou Érico aos demais dentro da van, e depois apresentou os colegas a Leiyan: "Quem dirige é o Alfa, o copiloto é o Beta", apontou para os lados de Leiyan, "ele é o Gama e ele é o Delta."

"Chamo-me Quim", disse o jovem sentado à direita de Érico, cumprimentando Leiyan amigavelmente. "Sua ideia foi genial."

"Haha, nem eu imaginei que conseguiria dirigir um tanque", disse Leiyan, apertando a mão de Quim com humildade.

"Meu nome é Bia", disse a bela garota à esquerda de Érico, estendendo a mão para Leiyan com um sorriso. "Achei que ia morrer desta vez, mas, graças a você, conseguimos escapar. Muito obrigada!"

"Hmpf, o problema foi causado por ele", resmungou Gama, sem gentileza. "Não há nada para agradecer."

"Está com ciúmes?", brincou Érico, piscando para Gama e olhando para Bia com um sorriso.

"Só estou dizendo a verdade", Gama ficou ruborizado e tentou se justificar.

"Deixe disso, não foi culpa do Leiyan", disse Delta, sorrindo ao olhar para ambos. "Quando entramos na cidade, não havia tantos zumbis assim. Mesmo sem a intervenção do Leiyan, dificilmente sairíamos ilesos. Quem pensaria em fugir de tanque?"

"Não foi por não encontrarem saída que me mandaram lá fora?", Érico deu de ombros para os amigos. "No caminho, encontrei Leiyan e ele realmente nos salvou."

"Hmpf", Gama cruzou os braços e virou o rosto, calado.

Quanto aos nomes dos companheiros de Érico — Alfa, Beta, Gama, Delta, Quim e Bia — isso porque nomes verdadeiros pouco importavam para eles: sabiam que logo morreriam, todos...