Noventa e um, Médico Bandido (Oito)

Detetive de Segunda Classe Corpo Frutado de Laranja 2312 palavras 2026-02-09 14:02:46

O grupo de criminosos prestes a atacar a casa de madeira conhecia claramente a força dos que estavam dentro; por isso, não se precipitaram no ataque. Permaneciam escondidos na linha que separava as árvores do gramado, observando silenciosamente os cinco soldados que patrulhavam ao redor da casa, como se aguardassem o momento certo. Ocultos nas sombras das árvores, olhos cruéis e furtivos, mais ferozes do que lobos, fitavam a escuridão.

Os que patrulhavam ao redor da casa eram companheiros de Blacker, todos soldados bem treinados. Mas até mesmo um tigre cochila, e a rotina sem incidentes daquela casa de madeira tinha lhes relaxado a vigilância. Naquele momento, comiam despreocupados deliciosos pães achatados, reunidos em conversa — era o momento mais tranquilo do dia para eles, pois logo poderiam entrar e descansar. À noite, Blacker, Elizabeth e Barak ficariam de serviço, permitindo que os outros dormissem tranquilamente dentro da casa.

De repente, o mais atento dos cinco soldados notou um movimento ao redor das árvores e logo avisou os demais. Todos empunharam suas armas, atentos à borda da mata.

Pouco depois, à luz do luar, os cinco conseguiram enxergar claramente: eram alguns mortos-vivos saindo da floresta. Ao perceberem do que se tratava, os soldados relaxaram um pouco. Não era raro que zumbis vagando pela mata se perdessem e invadissem o gramado da fazenda; já estavam acostumados a tal cena. Se nem mesmo zumbis houvesse ali, não haveria motivo para patrulhar.

— Será que avisamos Teresa e Blacker? — um dos soldados perguntou a outro.

— Precisa não, deixa comigo, resolvo rapidinho — respondeu o outro, guardando a arma e puxando o punhal da cintura ao avançar contra as criaturas.

Ele não estava exagerando: em poucos instantes, os mortos-vivos estavam estirados no chão. Mas logo mais de uma dezena deles brotaram do limite da mata, e era evidente que ainda havia mais vindo atrás.

Diante disso, os soldados rapidamente empunharam armas e facas, correndo em auxílio do companheiro. Contudo, parecia que os mortos-vivos não tinham fim: mal eliminaram uma dezena, outras trinta ou quarenta criaturas irromperam das sombras, urrando e lançando-se contra os cinco soldados.

Fácil é esquivar-se de um inimigo visível, mas difícil é se proteger do golpe traiçoeiro. No auge do combate, enquanto os soldados lutavam contra os mortos-vivos, os criminosos ocultos nos arbustos aproveitaram o momento de distração, contornaram silenciosamente e atacaram pelas costas. Surpreendidos, os cinco foram apunhalados e tombaram sob as lâminas traiçoeiras. Um deles, antes de morrer, reuniu as últimas forças e disparou um tiro; o estampido ecoou alto pelo gramado deserto.

Os mortos-vivos haviam sido soltos pelos próprios criminosos. Ao verem que todos os soldados armados tinham sido eliminados, mais de trinta criminosos emergiram da floresta, acabaram rapidamente com os zumbis e, com armas em punho, cercaram a casa de madeira. Nenhum som veio de dentro; deduziram que o tiro alertara os ocupantes, então resolveram mudar de plano.

— Ei, vocês aí dentro, escutem bem! — gritou o chefe dos criminosos em direção à casa — Dias atrás, nossos homens vieram investigar. Sabemos que restam apenas três soldados aí dentro, mas somos mais de cinquenta. O melhor é se renderem!

Ele lançou uma pedra, quebrando uma vidraça do segundo andar, como advertência, e continuou:

— Há muitos velhos e velhas aqui. Vocês não querem que eles morram, certo? Em três, não podem segurar. Rendam-se, entreguem-nos estas terras e prometo que não mataremos vocês!

Alguns dos criminosos, sem autocontrole, não conseguiram conter o riso diante da falsa garantia. Sabiam bem que era apenas tática para enganar o inimigo e reduzir as próprias baixas.

No interior da casa, após ouvirem as falsas promessas do chefe, ninguém respondeu ou se moveu. Impaciente, o líder dos criminosos decidiu agir à força: queria a casa intacta para morar, além de temer atrair mais mortos-vivos com tiros, então não ordenou fogo cerrado, mas sim um ataque pela porta da frente.

Um dos criminosos arrombou a porta principal e, ao não encontrar resistência, quatro ou cinco entraram armados. O interior estava escuro e vazio, aparentemente deserto; os invasores, arregalando os olhos, vasculhavam cada canto, cada vez mais ousados por presumirem que ninguém dentro ousaria atirar.

O chefe, notando o silêncio, preparava-se para enviar mais dois para dentro quando, de repente, um tiro soou lá dentro, deixando-o inexplicavelmente alarmado.

Logo após o primeiro disparo, uma saraivada de tiros se fez ouvir; para quem estava do lado de fora, parecia uma batalha feroz. O chefe tentou ordenar calma aos seus homens, mas mais de vinte deles já haviam levantado armas leves e médias, abrindo fogo contra o interior da casa. O tiroteio abafou completamente a voz do chefe, que pedia que parassem; os estampidos ecoavam ainda mais alto naquele campo aberto.

Restou ao chefe ir de um a um ordenando cessar-fogo. Quando finalmente pararam, o silêncio voltou e as munições estavam quase esgotadas. Antes que pudessem dizer algo, novos tiros soaram de dentro; desta vez, balas atravessaram as janelas, atingindo os que estavam do lado de fora. Um criminoso caiu morto. Ao verem que eram alvejados de dentro, os demais, indisciplinados, cegos de raiva, voltaram a disparar em uníssono. Mais uma vez, o chefe precisou intervir até que cessassem; agora, restavam poucas balas, cada um com apenas alguns projéteis.

— E agora, chefe? — perguntou um dos criminosos ao seu lado.

— Maldição, o que fazer? Vamos recuar! — o chefe praguejou.

— Recuar? Somos tantos, por que temer? — outro indagou, confuso.

— Não é deles que tenho medo, é dos mortos-vivos — respondeu o chefe, acenando para a retirada em direção à floresta — Maldição, será que ainda dá tempo de escapar?

Guiados pelo chefe, os criminosos correram na direção de onde vieram, mas ainda não haviam chegado ao limite da mata quando uma multidão de zumbis emergiu, investindo contra eles.

Sem opção, tentaram correr noutra direção, mas a cada tentativa, eram cercados por mais e mais mortos-vivos, atraídos pelo barulho dos tiros, que irrompiam da floresta de todos os lados.

Encurralados, sem rotas de fuga, o espaço para manobras se reduzia a cada instante. Agora, a outrora perigosa casa de madeira era seu único refúgio possível. Diante da horda sombria, já não temiam mais as balas; todos compreenderam ao mesmo tempo e, em desespero, correram para a casa, arrombaram a porta e se lançaram para dentro, pouco se importando se seriam alvejados.

Parecia que tiveram sorte: desta vez, ninguém atirou de dentro. Os criminosos invadiram a casa em massa, empilharam mesas para barrar a porta, taparam janelas quebradas com móveis, tentando bloquear o avanço dos mortos-vivos.

O chefe, arma em punho, subiu e desceu à procura de outros sobreviventes, mas nem a médica nem os idosos estavam ali — como se tivessem evaporado. Antes que pudessem entender o que estava acontecendo, a horda de mortos-vivos já investia contra a casa...