Oitenta e sete, Força Aérea Um
Às quatro e dez da tarde, em frente à entrada principal do Departamento de Polícia do Galo da Montanha, estavam estacionados dois caminhões militares e três jipes militares. Do lado de fora das grades de ferro, uma dúzia de zumbis perambulava, levando uma vida vazia e despreocupada.
— Depois de tomar aquele tal Zuo Gui Wan, como está o doutor agora? — perguntou Leiyan enquanto coordenava o pessoal para arrumar as coisas, olhando para o doutor Lis encostado à parede. Ele se dirigiu ao “Esqueleto”, que desmontava um disco rígido do gabinete. — Está melhorando?
— Remédio chinês é de efeito lento, não é tão rápido assim — respondeu “Esqueleto”, franzindo a testa ao observar o doutor Lis, que mantinha a boca aberta. Apontou o doutor com a chave de fenda e disse para Leiyan: — Ele tomou por dois dias, e eu acho que está dormindo mais que antes. Será o início da recuperação?
— Tudo bem, não faz mal nem bem, e se não funcionar, pelo menos ajusta o sono do doutor e reforça o corpo — Leiyan olhou para o grupo que arrumava as bagagens e sorriu tristemente para “Esqueleto”. — Será que me deram apenas um calmante? Haha!
— Se for calmante, também quero umas pílulas dessas — disse “Pequeno Gás”, passando com um embrulho, ao ouvir a conversa dos dois. — Esses dias só saí com você para compromissos, nem assisti meus DVDs, estou inquieto, acordo várias vezes à noite. Preciso ajustar isso.
— Haha, experimenta ajustar com isto — disse David, carregando uma caixa pequena. Ele tomou um gole de aguardente do cantil e, sorrindo, entregou o cantil a “Pequeno Gás”. — Se não for suficiente, tenho uma garrafa inteira.
— Deixa para lá, quando embarcarmos e tudo estiver arrumado, aí a gente bebe — respondeu “Pequeno Gás”, balançando a cabeça para David. Caminhando junto, disse: — Tenho um pacote de amendoins e um saquinho de carne assada para acompanhar, agora é hora de trabalhar. — “Pequeno Gás” fechou os olhos, suspirando de prazer: — Ah, beber no avião, isso é vida! Basta isso!
David, vendo o êxtase de “Pequeno Gás”, sorriu radiante e apenas tomou mais um gole para se animar.
— Todos os dados do Departamento de Polícia do Galo da Montanha estão nesses discos? — Leiyan viu Teresa e Ana conversando sobre roupas novas e acenou para elas. Voltou-se para “Esqueleto”: — Isso é nosso trunfo, vai ajudar muito nas investigações futuras.
— Sim, coloquei tudo nesses quatro discos — respondeu “Esqueleto”, apontando para os discos dentro do gabinete. — Também arrumei um disco externo e um notebook. Quando puder, vou procurar um programa de compressão eficiente — ele olhou para os discos e continuou: — Vou compactar todos os dados para o disco externo e o notebook, assim ficará bem mais fácil para nós.
— Bom trabalho, pena que não há armazenamento em nuvem — Leiyan fez uma careta olhando para os discos. — É o melhor método por agora — ele olhou para os soldados da Nação Qin carregando caixas e, aproximando-se de “Esqueleto”, perguntou baixinho: — E o cofre, como está?
— Está bem guardado — respondeu “Esqueleto” em voz baixa, sem olhar para os soldados, enquanto desmontava o disco. — Coloquei o cofre na minha mala particular, coberto de roupas por todos os lados. Não vai com as outras caixas, levo comigo e fico de olho até dormindo. — Ele colocou o disco desmontado no chão e começou a retirar outro, continuando para Leiyan: — O problema é como recarregar o cofre. Não pensei em uma solução. Não podemos levar o carro para a Nação Yan, nem o painel solar. Isso é um problema.
— Deixe isso para depois. Quando chegarmos à Nação Yan, damos um jeito — Leiyan pegou o disco do chão, fingindo examinar a estrutura, e falou baixinho: — Leve apenas o transformador e as ferramentas de modificação, o resto não precisa.
— Entendido — “Esqueleto” colocou o segundo disco desmontado no chão e olhou para Leiyan…
Duas horas depois, a equipe de Leiyan embarcou no carro oficial da Nação Qin e chegou ao “Aeroporto Internacional Mike”, administrado pela Nação Qin.
Mike, que acompanhava Charlie e Leiyan na despedida, já estava lá, conversando animadamente com Charlie na sala de espera.
— Quando terminar o caso lá, se não tiver outro, volte logo — disse Mike, abraçando Leiyan com entusiasmo e batendo em seu ombro. — A Nação Qin precisa muito de você, grande detetive.
— Com certeza. Mas anote meu crédito de comida ainda não recebido, não deixe passar em branco — Leiyan olhou para Charlie ao lado e, meio brincando, lembrou Mike: — É fruto do esforço de toda a nossa equipe!
— Se você não fala, eu já teria esquecido — Mike abraçou Charlie e Leiyan, rindo alto. — Desde que você resolveu a crise da bomba, apaguei sua dívida anterior. — Mike viu o espanto no rosto de Leiyan e continuou sorrindo: — Enquanto estiver na Nação Qin, toda a alimentação da sua equipe é por minha conta, e se resolver outro caso, tem prêmio extra!
— Ah, então agradeço em nome da minha equipe ao majestoso rei — Leiyan ficou eufórico com a generosidade de Mike, olhou para os demais membros e fez uma reverência, expressando sincera gratidão.
— Na Nação Yan, o tratamento é o mesmo — Charlie disse sorrindo para Leiyan, que ficou ainda mais contente e agradeceu também a Charlie. Charlie olhou para Mike e explicou: — Não é disputa de talentos, é um agradecimento de coração!
— Entendi, entendi. Se não fizesse questão, acharia você mesquinho, haha — Mike riu com magnanimidade.
Ao sair da sala de espera, Leiyan e seus companheiros seguiram Charlie e sua comitiva até o avião, e só então perceberam o tipo de aeronave que iriam embarcar, todos ficaram surpresos.
O motivo do espanto não era o fato de ser um imenso avião Boeing, mas sim porque era o antigo avião presidencial dos Estados Unidos, o famoso “Air Force One”.
— Não estou enganado, né? — perguntou baixinho “Pequeno Gás” a “Esqueleto”.
— Não, está escrito ali e as características são idênticas — respondeu “Esqueleto” com tom estudioso. — A Nação Yan é muito rica, mas construir uma réplica igual é impossível. É o verdadeiro “Air Force One”.
— Tá bom, tá bom, não precisa explicar, eu acredito — “Pequeno Gás” se cansou das explicações, recuou alguns passos e voltou a falar com David, exultante: — Nunca pensei que um dia eu iria viajar no avião presidencial, que luxo! — Olhou para o céu e suspirou: — Agora tenho história para contar pelo resto da vida!
— Não é só você, somos todos — Teresa se aproximou sorrindo para “Pequeno Gás”.
A bordo do “Air Force One”, Leiyan e sua equipe foram acomodados na primeira classe, e ficaram tão felizes que começaram a explorar o avião. Nem tinham se sentado quando Charlie saiu da cabine do rei para visitá-los.
— Estão satisfeitos? Tudo o que quiserem comer, é só pedir aos comissários — Charlie disse com simpatia, e isso agradou especialmente David, Hale e os amantes de comida e bebida, arrancando vivas de todos.
— Muito satisfeito, obrigado — Leiyan sorriu para “Pequeno Gás” e os demais, agradecendo em nome do grupo ao rei da Nação Yan.
— Vou voltar para descansar um pouco — Charlie apontou para sua cabine e falou a Leiyan.
— Tenho uma dúvida — Leiyan sorriu para Charlie. — Peço que Vossa Majestade me esclareça.
— Por favor, diga — Charlie assentiu sorrindo.
— O senhor veio como enviado especial, mas está viajando no “Air Force One” — Leiyan inclinou a cabeça, apontando para o avião, intrigado. — Isso não revela sua identidade?
— Ah, você não sabe. Em todas as atividades internacionais da Nação Yan, seja qual for o oficial enviado, para viagens longas usam o “Air Force One”, que é o avião melhor mantido — explicou Charlie. — Por isso, minha identidade não é revelada. Em tempos difíceis, não há alternativas!
— Majestade, essa vida difícil é realmente algo que invejamos — Leiyan olhou para os rostos de surpresa e admiração dos companheiros e expressou, em nome de todos, o sentimento…