Setenta e quatro, o caminho para a sobrevivência

Detetive de Segunda Classe Corpo Frutado de Laranja 2780 palavras 2026-02-09 14:02:35

— Você tem alguma coisa para comer aqui? — Erik, faminto, olhou ao redor do aposento e perguntou a Jim, o “Pumzinho”. — Desde manhã não comemos nada, nem bebemos uma gota d’água. Depois de tantas fugas seguidas, todos estamos quase desabando — disse Erik, olhando para Lei Yan e os outros.

— Eu é que queria perguntar se vocês tinham guardado algum suprimento estratégico no tanque, mas você se adiantou — respondeu o “Pumzinho”, abrindo as mãos para Erik. — Vocês estão sem comer desde cedo, mas eu estou em jejum desde ontem de manhã. Até agora, tirando um pouco de chocolate — ele lançou um olhar a Lei Yan e continuou —, não comi nada, só bebi bastante água. Tem água encanada aqui — disse, apontando para a torneira na parede. — Dá para enganar um pouco a fome, querem tentar? — O “Pumzinho” franziu a testa, massageando a barriga. — Agora estou só no vazio mesmo.

— Você me lembrou de uma coisa: será que não tem rações militares no tanque? — Os olhos de Lei Yan brilharam. Ele olhou para o “Pumzinho” e perguntou a David e aos outros: — Vocês repararam nos compartimentos de armazenamento do tanque, caixas ou algo assim? — perguntou, girando as mãos enquanto falava.

— Já revirei tudo ao meu redor e não achei nada — David abriu as mãos e olhou para os outros. — Onde eu vou, procuro por coisas, já virou mania.

— Lá comigo também não tinha nada — Erik fez uma careta e balançou a cabeça. — Revirei tudo, queria reforçar meu equipamento, mas não teve jeito. O tanque tinha armas, ninguém deve ter revistado antes, mas não entendo como estava tudo tão limpo.

— Eu também não encontrei nada — W fez um carinho na cabeça do pequeno W e falou: — Vi umas embalagens no lixo, papéis de comida, provavelmente os soldados do tanque comeram tudo. Achei alguns mapas também, mas não servem para nada.

— Ah, mapas ainda têm sua utilidade — suspirou Lei Yan, olhando para todos. — Quando formos sair daqui, pegamos eles, senão nem saberemos para onde ir. — Tirou do bolso um mapa já reduzido a lama, atirou-o na fogueira, mas o monte de papel molhado demorava a pegar fogo, soltando apenas fumaça branca.

— Certo, pelo menos temos mapas — disse o “Pumzinho”, cruzando os braços e entortando a boca. — Não saímos de mãos vazias. Mas ainda precisamos resolver o problema da comida. E se vamos sair daqui, não dá para ir sem um pouco de provisão, certo? — Apontou para a torneira, franzindo a testa. — Não dá para levar só água, não é? Se a gente morrer de fome, vai até parecer que morreu afogado, eu acho.

— Você tem mesmo imaginação — Erik disse ao “Pumzinho”. — Mas, com um prédio tão grande, você garante que já achou toda a comida que tinha aqui? — Erik voltou-se para os outros. — Não é? Acho que devíamos revistar tudo de novo, vamos acabar achando alguma coisa.

— Pois façam isso, mas não me incluam — o “Pumzinho” não gostou da sugestão, pegou uma planta do prédio de uma caixa de ferramentas enferrujada no chão e a entregou a Erik, explicando: — Este é o mapa dos andares, marquei todas as cozinhas. Vocês podem olhar de novo, talvez eu tenha deixado passar alguma coisa. Mas eu não vou procurar pela enésima vez, minhas pernas já estão bambas — disse, balançando as pernas com exagero para mostrar a todos. — Quanto às outras salas, vocês podem revirar uma a uma, não tenho nada a dizer além de desejar boa sorte.

Erik pegou a planta, examinou-a com o cenho franzido e a passou para Lei Yan, deixando que ele decidisse.

— Acho que não precisa procurar mais, confiamos em você — Lei Yan nem olhou o papel, dobrou-o sorrindo para o “Pumzinho”. — Mesmo que não haja nenhum zumbi neste prédio, não temos forças para uma busca minuciosa. Então, quero ampliar um pouco nosso horizonte — disse, olhando para todos. — Será que os zumbis não têm comida com eles? — Deu uma batidinha no bolso onde guardava chocolate para inspirar os outros.

— Verdade, depois do surto, sempre tem gente esperta que esconde comida e suprimentos consigo — David se animou, levantando-se da fogueira. — Deve ter alguém com chocolate ou balas no bolso.

— Deve ter alguém com biscoitos também — Erik ficou com os olhos brilhando, como se já visse sacos de biscoitos nos bolsos dos zumbis. — Apesar de eles fedem, não faz mal, tem embalagem plástica, os biscoitos ainda vão estar gostosos.

— Carne seca é ótima para levar junto — W engoliu em seco e acrescentou, imaginando. — É saborosa, sustenta, todo mundo esperto esconde carne seca.

— Eu esconderia bolo de creme no bolso — disse o pequeno W, babando. — Queria tanto comer bolo, de creme!

— Deve haver outras coisas também, o bolso dos zumbis deve ser um verdadeiro tesouro — Lei Yan, contagiado pela imaginação coletiva, olhou para os zumbis com expectativa.

— Então, vocês pretendem procurar nos corpos dos zumbis caídos ou nos que estão vagando por aí? — O “Pumzinho” encostou-se à parede, cruzando os braços, com ar de quem só observa.

— Nos que já estão no chão, claro — Erik pensou um pouco e respondeu ao “Pumzinho”. — Não dá trabalho procurar neles. Assim que acharmos comida, comermos, bebermos e descansarmos, aí sim vamos atrás dos que estão andando por aí.

— Exato, derruba um grupo e revira outro — David concordou com Erik, sorrindo para o grupo. — O que acharmos guardamos para comer no caminho.

— Então vamos logo, não aguento mais esperar — W perguntou ao “Pumzinho”: — Pode nos dizer como evitar os zumbis na porta?

— Se vocês realmente querem procurar comida nos zumbis, não precisam evitar nada — respondeu o “Pumzinho”, dando de ombros para W e olhando para os outros antes de voltar para onde estavam os colchões. O grupo ficou se entreolhando, sem saber o que ele pretendia.

— Os zumbis realmente têm coisas com eles, olhem aqui — o “Pumzinho” colocou uma caixa de papelão cheia de objetos variados diante de Lei Yan e os outros, pôs as mãos na cintura e explicou aos curiosos: — Revirei cada um dos zumbis caídos. Quase não havia comida, só documentos, contatos, cartões, chaves e outras quinquilharias. O que dava para comer, eu já comi. Sobraram só estas coisas — apontou para a caixa. — Vejam se tem algo útil. Se não acreditarem, podem revistar de novo, e então — apontou para fora com a boca torta — vão mexer nos zumbis que estão lá fora. Neles eu não procurei, não sei se têm comida.

Lei Yan agachou-se, olhou para dentro da caixa, pegou um molho de chaves e perguntou ao “Pumzinho”:

— Muitos zumbis tinham comida com eles?

— Claro que não — o “Pumzinho” voltou a se encostar na parede, cruzando os braços ao falar com Lei Yan. — Como vocês mesmos disseram, só os espertos escondem comida, e em qualquer lugar gente esperta é minoria. Lá fora, se um em cada dez zumbis tiver comida, já é muito. Agora, nem me interessa mais matar zumbi, é perigoso demais e traz pouco retorno.

— O destino nunca fecha todas as portas — David suspirou, levantando-se ao lado da caixa. — Será que vamos mesmo morrer de fome aqui dentro?

— Ah, o que sobrou na cozinha está aqui também — disse o “Pumzinho”, apontando para o teto enquanto voltava para os colchões. — Trouxe tudo, temperos, óleo, tudo o que dava para carregar. Podem olhar, senão depois vão à cozinha e não encontram nada, acham que marquei errado! — Lei Yan e os outros franziam a testa ao ver o “Pumzinho” puxar outra caixa debaixo da cama, todos pensando em como conseguir comida.

Quando ele colocou a outra caixa diante deles, apenas Lei Yan mostrou interesse em olhar; os outros se afastaram e ficaram de costas.

Lei Yan abriu a caixa, remexeu um pouco e, de repente, seus olhos brilharam. Pegou um pacote e perguntou ao “Pumzinho”:

— O que é isto?