Quarenta e cinco, análise do caso (terceira parte)
— Muito bem, agora só resta uma questão: por que as duas vítimas do Grande Reino de Qin foram escolhidas? — disse Lei Yan, apontando com a antena do carro para as duas vítimas do Grande Reino de Qin, dirigindo-se a todos. — Elas pertencem à classe dos poderosos? Não, mas ao mesmo tempo, sim — continuou Lei Yan, estendendo as mãos para representar as duas possibilidades e lançando um olhar para o grupo. — Por que digo que não? De acordo com os dados obtidos do banco de dados do computador, se usarmos os mesmos critérios das outras três vítimas, elas não são: não têm poupança, nem mansões, nem influência. Claramente, não pertencem à elite. Se o assassino quisesse matar mulheres da elite, não teria escolhido elas. Mas por que digo que sim? — Lei Yan voltou-se para olhar as fotos das duas vítimas do Grande Reino de Qin e prosseguiu: — Pelos padrões do mundo anterior, elas não são. Não têm dinheiro no banco, nem mansões. Mas e pelos padrões atuais? — Lei Yan sorriu para o observador e analisou: — É claro que agora são. — Xue Yan ergueu a mão esquerda, abrindo os cinco dedos diante do grupo. — O assassino escolheu as cinco vítimas segundo o mesmo critério, isso não mudou. Três eram poderosos de antes, duas são poderosas agora.
— Podemos ignorar a questão da conta bancária, mas e quanto às mansões? Aquelas duas do Grande Reino de Qin... — Pé de Vento, que segurava-se há tempos, finalmente não se conteve e perguntou: — Elas não eram donas das mansões onde foram mortas, certo? Mesmo assim, são consideradas poderosas? Enfim, matá-las foi suficiente. As outras três são fáceis de entender: morreram em suas próprias casas, em meio às suas riquezas, o assassino deve ter sentido um prazer especial. — Pé de Vento estalou a mão, indicando que ali havia um problema. — E as duas do Grande Reino de Qin? O assassino as deixou morrer em mansões alheias? Não haveria outro significado por trás disso?
— Talvez haja, mas por ora não sabemos. Segundo minha hipótese — disse Lei Yan, olhando para o observador e explicando a Pé de Vento —, é só uma suposição, mas o assassino parece buscar ou estabelecer um padrão fixo. Não sei por quê, ele é, digamos... — Lei Yan lançou um olhar para Herr, que queria intervir mas não conseguia —, obcecado por esse padrão. Tanto que, mesmo sem as condições ideais, para continuar matando, ele força a situação para encaixar nesse padrão. Agora os tempos são difíceis, deve ser complicado encontrar um alvo que se encaixe perfeitamente nos critérios do assassinato. — Lei Yan suspirou, abriu as mãos e continuou: — Mas, repito, isso é apenas uma suposição.
— Acho que a hipótese faz sentido — disse Teresa, assentindo para Lei Yan, enquanto os demais também concordavam.
— E como pretendem agir? Como vão capturar o assassino ou fazê-lo cair nas mãos da justiça? — indagou o observador, também assentindo para Lei Yan.
— Se o assassino estiver entre os suspeitos que já discutimos, tudo fica mais fácil — respondeu Lei Yan com um sorriso. — Mas, partindo do pressuposto de que ele não está entre eles, teremos que atraí-lo para fora da toca.
— O inspetor Lei já tem um plano? — O observador, interessado na ideia de atrair o criminoso, sorriu ao perguntar.
— Uma vez compreendidos o motivo e a psicologia do criminoso, encontrar a solução não é difícil — disse Lei Yan, que na verdade não tinha plano algum, mas não queria que o observador achasse que ele só falava e não agia, ou que fazia coisas sem segurança. Por isso, sorriu com tranquilidade para o observador: — O plano já existe, mas ainda está em refinamento, não é conveniente revelá-lo por agora.
— Entendi — disse o observador, anotando algumas palavras, satisfeito. Enquanto guardava o caderno e a caneta, perguntou sorrindo a Lei Yan: — O inspetor Lei tem mais algum recado?
Ao terminar, apontou para "Caveira", que entendeu imediatamente: era hora de imprimir e entregar os dados dos suspeitos. Ele assentiu com rapidez.
— Ah, sim, peço que transmita duas coisas — Lei Yan gostava do título de "inspetor Lei" e respondeu sorrindo ao observador: — É só uma sugestão, mas penso que desde a reviravolta do mundo, com o ambiente perigoso e a escassez de recursos, todos estão focados em sobreviver. Então, todos aqueles assassinos impunes de outrora ficaram adormecidos, como insetos venenosos no inverno — Lei Yan apontou para o chão com a antena do carro e continuou: — Agora que a situação melhorou, sobreviver já não é tão difícil. É como se o solo tivesse descongelado e aquecido, esses insetos venenosos começam a se agitar, saindo das tocas para voltar a praticar seus crimes. O que quero dizer — Lei Yan voltou o olhar para o observador — é que, após este caso, é bem provável que surjam muitos outros assassinatos em série semelhantes. Para evitar que fiquemos perdidos quando acontecer, melhor seria criar uma equipe especializada desde já. — Lei Yan olhou para a sala improvisada e sorriu. — Antes era chamada de polícia, não sei como o rei vai chamar essa equipe dedicada a resolver crimes no futuro, mas de qualquer forma é indispensável tê-la à disposição.
— Você acha que haverá uma onda de crimes? — O observador franziu a testa, preocupado, baixou a cabeça por um momento e depois perguntou a Lei Yan.
— Pela minha experiência pessoal — Lei Yan já sabia que outros nove pervertidos haviam estado na cena do crime e agora fingia mistério, revirando os olhos e movendo os dedos como se fizesse cálculos. Depois, confirmou ao observador: — Sem dúvida haverá, inclusive com grandes casos. Só nós, mesmo que trabalhando diretamente para Sua Majestade o Rei — Lei Yan olhou para "Caveira" e os demais —, não daremos conta.
— Essa sugestão é muito visionária, um verdadeiro detetive — elogiou o observador, batendo no próprio caderninho e garantindo a Lei Yan: — Assim que voltar, vou sugerir fortemente ao rei que leve essa ideia adiante.
— A Majestade talvez nomeie você chefe da polícia — brincou Pé de Vento, sorrindo para o observador.
— Se surgirem muitos criminosos, uma equipe talvez não baste — Herr olhou para Pé de Vento e continuou bajulando o observador: — No mínimo será preciso uma delegacia, e então você será o delegado!
— Haha, isso depende do rei — o observador respondeu modestamente, embora estivesse satisfeito com os elogios e já pensasse nas vantagens de ser chefe. Olhou para Lei Yan, sorriu e disse: — Pois bem, vou informar o rei agora mesmo. — Levantou-se, pegou os documentos e alinhou-os na mesa.
— É isso por enquanto. Ah, mais uma coisa: também seria bom fazer uma cópia do banco de dados do computador da delegacia, certo? — Lei Yan, sorrindo, acompanhou o observador até a porta. — Imagino que o senhor já tenha pensado nisso, haha!
Depois de se despedirem do observador, todos voltaram à sala improvisada, finalmente aliviados.
— Certo, agora vamos falar sobre as nove pessoas que estiveram na cena do crime — disse Lei Yan, massageando o pescoço e dirigindo-se ao grupo...