Oitenta e Dois, A Bomba Persegue o Assassino (III)
"Sinto que esse caso já está resolvido, não sei como posso ajudar," disse Leiyan com um sorriso amargo, sentindo-se como se tivesse caído na armadilha do diretor. Era difícil saber se Remi realmente tinha pedido para vê-lo; desvendar o caso não era complicado, o difícil seria desarmar a bomba no final.
"O sequestrado com a bomba não é uma pessoa comum, inclui Sua Majestade o Rei. Todos estão nervosos, sem saber como proceder. Se algum detalhe escapar, qualquer incidente pode desencadear uma guerra entre nações..." O diretor também falava com o rosto preocupado.
"Vocês não conseguem controlar completamente as informações?" sugeriu Leiyan. "Assim, se ocorrer algum acidente, ninguém saberá."
"Eliminar todos os que sabem? Não dá," o diretor balançou a cabeça. "Se as forças hostis do Reino de Yan estiverem por trás disso, não tem como esconder. Se tentarmos ocultar, vão nos acusar de assassinato, e será impossível nos defendermos," explicou o diretor. "As forças inimigas do Reino de Yan podem aproveitar para tomar o poder e unir outras nações contra o Reino de Qin. Isso seria inadmissível."
"E se tornarmos tudo público?" perguntou Leiyan, abrindo as mãos. "Os diplomatas dos outros países ainda estão aqui, podemos chamar eles como testemunhas."
"Já pensamos nisso, também não dá," lamentou o diretor. "Poderíamos minimizar o caso, mas se tornarmos público, qualquer erro prejudicará gravemente o Reino de Qin e o Reino de Yan. Mesmo se tudo der certo, a negociação secreta entre os dois reinos será revelada, o que pode provocar uma nova guerra mundial. Os dois países não estão preparados, seria muito prejudicial," enfatizou o diretor. "Essas palavras são do próprio Rei."
"O Rei quer que eu faça duas coisas: primeiro, que eu vá e convença o louco Remi a ajudar," Leiyan falou com expressão amarga, "e segundo, que eu tome a decisão final na hora de desarmar a bomba, certo?"
"Certo, porque você é o grande detetive," elogiou o diretor. "O Rei disse que todo o processo será gravado, se algo der errado, teremos como explicar."
"Ótimo," Leiyan sorriu com ironia, pensando que eles poderiam se explicar, mas sua vida poderia estar perdida.
"O Rei confia completamente em você, ele pediu para eu lhe transmitir uma mensagem," o diretor olhou ao redor, como se temesse ser ouvido, e falou baixo para Leiyan, "ele garantirá sua segurança, porque ainda precisará de você no futuro. Se tudo correr bem, ele irá recompensá-lo generosamente, garantindo sua satisfação."
"Então agradeça ao Rei por mim, discretamente," murmurou Leiyan. "Estamos quase chegando, não temos muito tempo."
"Sim, olha isso primeiro," disse o diretor, contente ao ver que Leiyan não tinha outras dúvidas. Ele lhe entregou um dossiê. "Quando for conversar com aquele maluco do Remi, vai se sentir mais seguro."
"O que é isso?" Leiyan abriu o dossiê.
"Você pediu para copiar o banco de dados da polícia, eu fiz isso," explicou o diretor. "Sabia que Remi tinha antecedentes, mandei meus homens verificar se havia informações relevantes no banco de dados. E havia. Imprimi para você, veja se encontra o ponto fraco desse sujeito."
"Vou tentar," disse Leiyan enquanto folheava o dossiê. "Na verdade, gostaria de saber quais são os nossos pontos fracos que ele deseja conhecer."
Na cidade real, no centro subterrâneo de comando antiaéreo, o Rei estava no térreo, rodeado por oficiais e guardas, andando impaciente. Ao ver o carro do diretor chegar, foi ao encontro imediatamente. Assim que Leiyan desceu, o Rei o puxou para conversar à parte, e ninguém ousou se aproximar.
"Embora eu não possa conversar com você agora, é melhor fingir que não sabe," Mike olhou para seus oficiais e sussurrou para Leiyan. "Mas não resisti em lhe dizer algumas palavras."
"Por favor, Majestade," Leiyan assentiu.
"Quero que você tome decisões ousadas, sem temor," Mike deu tapinhas no ombro de Leiyan e sussurrou. "Confio plenamente em você, espero que decida corretamente. Mas não tenha medo de errar, pois já tenho planos alternativos. Não se sinta pressionado."
"Posso perguntar quais são esses planos?" Leiyan olhou para Mike, que estava sério.
"Primeiro, não importa o que aconteça lá embaixo, você estará seguro, confie nisso," Mike assentiu para Leiyan, que também assentiu, indicando confiança. Mike continuou, "Mesmo se houver uma explosão, poucos saberão. As paredes são grossas," Mike fez um gesto mostrando a espessura, falando baixo, "nem as bombas perfuradoras conseguem destruí-las, são padrão antiaéreo. Já mandei vigiar todos do Reino de Yan," Mike olhou para seus subordinados e, em voz baixa, disse a Leiyan, "se houver algum imprevisto, vou levá-los para um local secreto, simulando um ataque terrorista. Você deve guardar segredo."
"Entendi," Leiyan assentiu, falando baixo. "Não levarei meus subordinados. Caso me aconteça algo, peço que cuide deles, Majestade."
"Ah, lá embaixo tem vidro à prova de balas. Você vestirá o traje especial de proteção, nada vai acontecer," garantiu Mike.
Leiyan assentiu e não disse mais nada, dirigindo-se a Teresa e aos outros. Falou rapidamente, mas todos insistiram em descer junto com ele. Leiyan recusou, dizendo que não havia trajes suficientes, e entrou sozinho com o diretor no elevador rumo ao bunker subterrâneo.
No centro subterrâneo de comando, o diretor levou Leiyan para ver o Rei do Reino de Yan, que estava pálido, aterrorizado, com o rosto de quem perdeu a alma. O diretor tranquilizou o Rei, afirmando que logo encontrariam uma solução, e designou um especialista em explosivos para retirar a camada externa da bomba, separar os fios e preparar tudo para a etapa final.
Leiyan olhou para o temporizador no peito do Rei, marcando trinta e nove minutos.
O diretor organizou tudo e levou Leiyan até um quarto no final do corredor, onde o insano Remi estava preso.
Leiyan respirou fundo, entrou e pediu aos dois guardas que saíssem, queria conversar com Remi sozinho.
Remi tinha um rosto comprido e estranho, com sobrancelhas altas e olhar peculiar, como se um rosto de macaco tivesse sido alongado e depilado com água quente, transmitindo selvageria, insatisfação, provocação e absurdo. Ele observava Leiyan sem expressão, como um macaco observando outro que passa.
"Ouvi dizer que você pediu para me ver, o que deseja?" Leiyan cruzou os braços, encostado na parede, questionando Remi.
"Você é o famoso detetive de quem falam?" Remi sorriu de forma estranha.
"Sim, mas é só uma lenda," Leiyan sorriu. "Na verdade, não sou tão extraordinário."
"Ótimo," Remi agitou os braços, animado. "Sabe, não dá para conversar com aqueles militares brutais, a mente deles é linear, pensamento simples, haha! Você deve ter visto meu histórico, está tudo certo lá: vim de uma família destruída, uma infância terrível me deu personalidade antissocial," Remi ergueu as sobrancelhas, empolgado. "Aqueles militares ainda sonham que eu sirva ao exército, haha! Sabe por que pedi para falar com você? É fácil de entender."